Capítulo Um.

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"Não importava o que sentia o sofrimento sempre viveria como base da minha existência

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"Não importava o que sentia o sofrimento sempre viveria como base da minha existência."

Sofia Montserrat

Julho de 2017.

Os primeiros raios de sol bateram involuntariamente contra o vidro entre aberto me fazendo experimentar o calor sobre minha face pálida. Meus olhos permaneceram fechados por causa do cansaço físico e psicológico que estava sentindo. Praticamente não havia dormido o suficiente na noite passada, a extensão do meu corpo estava dolorida, resultado de incansáveis horas de trabalho extra. A Gestora do orfanato Santa Bárbara, me obrigou a limpar quase cinco complexos dos banheiros e dormitórios. Lavei todos os uniformes das internas, e passei algumas mudas de roupas com dificuldade por que o ferro está velho demais para esquentar

Categoricamente a gestora conhecida como "Justa Aguilar", era conhecida por ser uma mulher muito rígida e desumana com todas as internas do orfanato, porém, comigo o tratamento era pior. Ela me odiava, e nunca havia compreendido o motivo para tanto ódio em seu coração. Sempre fui humilhada de todas as maneiras possíveis. Alguns dias atrás ela me manteve trancada no velho sótão do orfanato por que roubei um pedaço de pão no meio da madrugada para saciar a minha fome, entretanto, as minhas justificativas para tal ato não a convenceram, e como castigo permaneci confinada. Lembro-me que passei tanta fome que estava roendo meus dedos, e tanto frio que cheguei ao ponto de pensar que estava no polo norte. Em uma das caixas de papelão no fundo do sótão encontrei um pedaço de pão mofado que fui obrigada a alimentar-se para não morrer de fome.

"Eu vivia o mesmo pesadelo todos os dias".

Desde criança sempre fui maltratada pela gestora, e nunca havia encontrado alguém durante anos que fosse capaz de me adotar. Gostaria de conhecer o amor maternal, ou talvez o amor de ter uma família. Todavia, quando eu era pequena, a minha verdadeira origem foi revelada através da gestora que me confidenciou tudo sobre o meu triste passado. Fui abandonada ainda recém-nascida num cesto com uma manta branca enrolada sobre o meu corpo, para me proteger do frio daquela noite, nem seque uma carta foi deixada explicando uma possível razão que fizesse sentindo referente ao meu abandono. Uma das freiras do orfanato vendo o quanto frágil e delicada eu era, escolheu Sofia, como nome de batismo.

Na aula de sexta feira que recebemos da freira Matilde—Foi perguntada qual ambição que possuímos quando completamos a maioridade e deixamos o orfanato. Muitas das internas responderam óbvio, serem famosas ou encontrarem namorados ricos e bonitos, só que a minha resposta foi vaga, e objetiva. "Quero reencontrar meus verdadeiros pais". Talvez algum dia consiga finalmente acha-los e compreender por qual motivo havia sido abandonada como um pobre animal indefeso num lugar tão desumano.

O pequeno despertador havia tocado insistentemente me alertando que já estava na hora de acordar. Meus olhos foram abertos com relutância, e levantei-me da cama por obrigação. Assim que meus pés descalços tocaram o cimento, sentia fortes dores nos calcanhares. Andei-me arrastando até o banheiro e fiz a minha higiene pessoal em meio algumas baratas nojentas que saíram do ralo próximo ao chuveiro. Coloquei um dos quatros uniformes que ainda ajustava-se ao meu corpo franzino, e meu único par de sapatos que encontrava-se com a sola gasta. Olhei-me no pequeno espelho e fiquei decepcionada com a minha aparência. Meus cabelos loiros e cumpridos precisavam de um corte, meus olhos verdes se encontravam sem vida, e principalmente meu corpo estava magro demais, era visível que eu precisava me alimentar devidamente. Suspirei frustrada enquanto caminhava até a cozinha para preparar o café da manhã das internas.

(Proibida Pra Mim)Onde histórias criam vida. Descubra agora