Capítulo Vinte e Sete.

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"Se pudesse voltar no tempo não deixaria queima minha alma, e não deixaria desaparecer assim como o vento."

Sofia Montserrat.

Continuava no quarto do senhor Pietro, ao mesmo tempo em que ele se mantém em silencio pensativo, e de costas para mim prestigiando a vista para o jardim. Permito olhar minuciosamente os detalhes do quarto. A cama era medieval e ampla, com lençóis de seda da cor azul turquesa, e os travesseiros são de pluma. As paredes são pintadas de cinza. E existe uma televisão de tela plana embutida numa das paredes, enquanto a outra tem uma prateleira com livros de vários gêneros. Tem duas portas brancas, uma indica ser o banheiro, e a outra fica o closet.    

—Você disse que poderia me destruir.—Quebrei o silencio estabelecido.—Poderia me explicar o que quis dizer?.

—Sou um homem com um passado sombrio.—Disse por fim.—Não existe nada de bom em mim para oferecer a uma jovem linda, que tem um coração cheio de bondade. Poderia arruiná-la com o meu egoísmo, e com a minha crueldade. 

—Acredito que você pode mudar, e quem sabe oferecer algo de bom.—Respondi esperançosa.—todos merecem uma segunda chance na vida. 

O senhor Pietro abruptamente se virou devido minha resposta, e caminhou até onde estava se mantendo numa distancia considerável. Notei que os olhos dele se encontravam frios e apartados.

—Segundas chances não existem para quem vive no inferno. Não existe nada dentro de mim, além, da impiedade. Você cometeu um erro grave em apaixona-se por mim.—Rosnou, passando suas mãos entorno do cabelo.—Terá que arcar com seus equívocos estúpidos.

—O que está querendo me dizer?.

Vi seus olhos amoleceram, na medida que se aproximava ainda mais de mim.

—Eu jamais me apaixonaria por uma órfã, que não tem nada para me oferecer, além, de sentimentos tolos de uma garotinha ingênua.—Ele sorriu cruelmente.—Você é extremamente bonita, e me faz querê-la como mulher. Contudo, o meu pau saciaria o desejo, e depois a descartaria como um ser insignificante!.

—Como pode ser tão cruel?.—Inquiri com lágrimas nos olhos.—Presumi que havia mudado, no entanto, continua tão.—Não conseguia completar a frase. 

—Não se trata de crueldade, e sim de ser realista e sincero!.—Rebateu com desdém.—Esqueça esse amor estúpido, ou vai acabar se machucando com ilusões que foram criadas por si mesma.

—É tarde demais, já estou machucada.—Disse sem fôlego, me afastando dele, e indo até a porta do quarto.—Você me machucou com suas atitudes.           

—Espere!.—Exclamou, indo até mim.—Não quero magoa-la, entretanto, me parece que é o único jeito para que possa entender que seus sentimentos por mim não valem á pena. Sou tóxico e posso destruí-la a qualquer momento. Também sou seu tutor e primo, e acima de tudo tenho uma reputação para zelar, e preciso cumprir a promessa que fiz ao seu pai. Tenho que arcar com a sua educação até a maioridade. Até lá me manterei afastado, e se possível me pronunciarei somente o necessário com você.  

Fiquei me perguntando mentalmente se aquelas palavras me machucavam tanto quanto a sua frieza em dizê-las.

—Não se preocupe que ficarei longe do senhor!.—Levantei a voz.—Só me faça um favor?.

—Se estive ao meu alcance, farei com prazer. —Murmurou.

—Nunca mais se aproxime de mim.—Apontei o dedo na direção dele.—Não quero que vá ao meu quarto no meio da madrugada para declarar coisas em francês as quais não compreendo, e também não me beije achando que pode se aproveitar dos meus sentimentos estúpidos como julga.—Declarei firme.—Como você disse a bruxa da Jennifer, sou uma Montserrat! E mereço ser tratada como tal, por tanto fique longe ou serei capaz de um escândalo, e tenho certeza que você não quer sua imagem denegrida pelo sacrifício!.—O alertei furiosa. 

—Me manterei afastado, prometo.—Concordou abismado, devido as minhas palavras.—Eu considero que você não seria tola o suficiente a ponto de fazer um escândalo que colocaria tudo a perde. Contudo, honrarei a minha palavra e não a procurarei enquanto estiver em minha casa. —Via sinceridade em seus olhos.    

—Ótimo! Pietro Montserrat. —Segurei as lágrimas, Abrindo a porta do quarto e saindo em seguida, o deixando perplexo para trás.

Teoricamente o senhor Pietro, não esperava que o enfrenta-se, Contudo, pareceu que ele havia entendido por que permaneceu trancado no seu quarto. Repetia um mantra que me ensinaram uma vez, que não deveria chorar por alguém mesquinho, e desumano. Caminhei no corredor do segundo andar e notei como era diferente. Havia muitas portas brancas e as paredes eram da cor azul, assim como os olhos do homem do coração empedrado.

"Sofia, não seja tola, e o esqueça de uma vez".

Olhei para dois quadros expostos sobre a parede, e continuei caminhando, até que avistei outro lance de escadas que dava acesso para o terceiro andar. 

A curiosidade em descobrir sobre o terceiro andar, era existente do que qualquer possível rejeição. Algo me alertava que Marina, havia mentido para mim quando afirmou que o terceiro andar, era apenas um lugar que guardava coisas velhas. Existia a oportunidade de enxergar o que tanto o senhor Pietro, omitia no andar proibido. Havia quase a certeza que era a chave para desvendar o passado doloroso, além da perda da mulher que ele tanto amava para a morte.   

                                                                             {...}

(Proibida Pra Mim)Onde histórias criam vida. Descubra agora