Capítulo 20

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Fico a olhar para as letras no meu telemóvel. Eu não devia ter pesquisado. O facto de ele nunca ter feito uma declaração ou de nunca ter falado sobre seja o que for, faz-me pensar que ele se calhar estava magoado, triste e sozinho em casa a pensar no que ia fazer da vida a partir daquele momento.

Por alguma razão sinto que deva ligar ao Beau, para falar desta situação. Ele atende logo ao segundo toque.

"Juro que te ia ligar!"

"Hello!" - riu-me

"Como é que estás?"

"Bem e tu?"

"Também, obrigada."

"Tenho uma pergunta para te fazer."

"Chuta!"

"Tu achas mesmo que o Raymond júnior traiu a noiva? Ex-noiva." - questiono

"Sim, porquê?"

"Porquê, pergunto eu."

"Porque é que a Harper ira dizer que sim se a Penelope era a sua melhor amiga? É bastante lógico. Estou com o pé atrás sobre a violação, mas tenho a certeza que ele a fodeu."

"Ela disse que ele não a violou?"

"E quem te diz a ti que ele não lhe pagou para ela se calar? Ela do nada parou de falar sobre o assunto. Do dia para a noite. Para quê essas perguntas agora?"

"Apenas estava na net e apareceu isso."

"Ah. Pois, bem, eu acredito na Harper."

"Ok. Eu tenho de desligar de qualquer maneira. A Zoey está a chamar." - minto

"Ok, vai dando notícias."

"Está bem." - desligo

E agora a minha vida está feita num oito. Eu sabia que não devia ter ido ver a sua página, apenas cria confusões. Há aquela famosa frase nunca conheças os teus heróis, pois havia de existir uma que dissesse nunca leias as páginas do Wikipédia das pessoas que conheces ou queres conhecer. Mas a maior parte das pessoas não têm página no Wikipédia.

Se eu o confrontar ele vai ficar chateado porque me disse claramente que não queria falar sobre o assunto, mas a minha curiosidade é terrível. 

Consigo mudar de roupa, depois de me queixar milhares de vezes e de quase chorar por causa do tornozelo, voltando para a cama, depois de rastejar até à casa de banho levar os dentes e fazer o que tinha a fazer. Vesti umas calças de fato de treino e uma T-shirt azul e calcei umas meias pretas. Leio um pouco do livro que tinha sobre a mesinha de cabeceira à espera que Alexander venha. Imagino mil e uma maneiras de lhe perguntar a mesma pergunta.

Quando a campainha toca, agarro-me a todas as paredes até chegar à porta. Abro-a e ele sorri-me. Ele levanta um pouco os braços, mostrando-me os sacos. Ele entra e eu aponto para a mesa entre a sala e a cozinha.

"Acho que a tua vizinha não gosta de mim." - ele conta ao tirar as coisas dos sacos para cima da mesa

"Ela não gosta de ninguém." - fecho a porta

Ele olha para mim e vem até mim, pegando em mim e sentando-me numa cadeira perto da mesa.

"Disse-lhe olá e ela respondeu com tu outra vez?"

"Ela é um pouco... arrogante." 

"Trouxe um pouco de tudo, não sei do que gostas."

Agradeço e ele vai buscar bebidas, copos e talheres, depois de eu lhe dizer onde estão. Ele senta-se ao meu lado e começamos a comer.

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