São pequenas coisas como estas que mostram o quão grande é o coração de Danaë. Eu não seria capaz de perdoar o meu pai se ele fizesse algo parecido. Eu acho que se ele batesse na minha mãe ou nos meus irmãos que eu o tentava matar. De verdade.
"Ele é um ótimo pai agora, sabes? Apenas... gostaria que ele pedisse desculpa. À minha mãe e ao meu irmão pelo menos. Não tanto a mim."
"Tu mereces um pedido de desculpas igual ao da tua mãe e do teu irmão." - digo-lhe
Como é que ela pode pensar que só porque ele não a agrediu como o fez com os outros que ela não merece um pedido de desculpas?
"A minha mãe curou-o. A minha mãe tirou-o das drogas e do álcool. Ela perdoou-o tudo. Qualquer coisa que ele tenha feito, ela perdoou-o. Eu perdoei parte. Aquilo marcou-me. O Dean... bem, o Dean apenas liga ao meu pai quando faz asneiras. Ele... ele foi o que não quis ter grande relação com o meu pai."
"Tens muitos pesadelos sobre isso?" - pergunto-lhe, ainda passando os meus dedos pelos seus cabelos
"De vez em quando. Se não tiver pesadelos durante muito tempo começo a ficar com medo de ir dormir, porque sei que vai acabar por aparecer." - ela conta - "Depois tenho de chatear a Zoey para poder dormir com ela, mas agora ela tem o Diego. Não quero dormir com ela e com o Diego. Por muito que o tenha feito uma vez, teve mesmo de ser."
Ela na mesma cama que outro rapaz faz-me estremecer. Tento não me focar nisso.
"Quando?"
"Há duas ou três semanas."
"Agora tens-me a mim." - garanto-lhe - "Eu agarro-me a ti. Protege-te desses sonhos menos bons."
"Não é como se estivesses comigo todas as noites." - ela avisa
"Posso estar."
"Isto tudo," - ela levanta a cabeça e olha-me - "É um enorme segredo. Como é que eu posso começar a confiar nesta relação se não vamos além do que temos ido? Não vai passar disto, Alex. Tudo o que vivemos esta semana. É tudo o que vamos viver enquanto segredo. Eu não posso despedir-me, porque preciso do trabalho, e tu não podes fazer nada porque és filho do meu patrão. Eu sei que o que ninguém sabe, ninguém pode estragar, mas também ninguém pode ajudar. Eu gostaria de andar de mãos-dadas contigo na rua. Poder-te beijar quando quero. Abraçar-me a ti quando tenho frio enquanto ambos estamos a ver a neve cair por cima de nós. Mas nada disso será possível."
"Eu posso falar com o meu pai. Posso-lhe dizer que me apaixonei por ti. Que e-"
"Não." - ela abana a cabeça - "Eu iria perder o meu trabalho."
Eu não sei o que fazer. Não sei mesmo. Era tudo mais fácil antes de nos apaixonarmos. Não quero que ela desconfie do que sinto por ela para sempre. Lembro-me de uma vez que o Jackson me disse que uma mulher é- O Jackson! Mas é claro!
"Quando o meu irmão te beijou." - ela desvia o seu olhar para a janela atrás de mim
"Não." - ela fala - "Não vou falar disso."
"O teu pai, o Calvin Nolan, o meu irmão... eu... magoamos-te todos."
Ela levanta-se do sofá e caminha para o tapete onde as crianças brincaram. Ela começa a arrumar os brinquedos dentro de caixas.
"Apenas me magoaram porque eu já estava magoada. Se o Cal não tivesse feito o que fez ou se o teu irmão não tivesse tentado nada se calhar eu confiava mais depressa em ti." - ela não se vira para mim - "Os homens apenas me deram razões para eu não confiar neles."
"Nenhum deles te pediu desculpa." - eu percebo
Eu pedi-lhe desculpa, mas não da maneira que devia. Eu tenho de fazer com que ela perceba que estou arrependido. Que quero o melhor para ela. O melhor para nós.
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O Sucessor
Romance{Primeiro livro da trilogia 'O Sucessor'.} Danaë Scott é uma rapariga de vinte e três anos de nacionalidade Americana e Grega. Por escolha própria, quando os seus pais decidiram voltar para a Grécia, Danaë decidiu ficar em Boston. Alexander Raymond...
