Boa leitura!
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Estava ansiosa para chegar em casa. Eu, na pressa de receber os convites, acabei agendado para hoje. Esqueci completamente que nós dois estaríamos no trabalho. Sorte que a vizinha atendeu o entregador e, depois de confirmar comigo, deixaram a entrega com ela.
Passei o dia inteiro desejando que meu expediente terminasse logo e nós sabemos o que acontece quando você fica ansiosa, torcendo para que a hora passe. Ela simplesmente não passa.
— Nossa, Lucy, você não para quieta. – falou Mira na mesa ao lado. — 'Tá com vontade de fazer xixi? Pode ir.
— Não é isso. – revirei os olhos. — É que a vizinha recebeu minha encomenda.
— Só isso? Você acha que ela fugirá? – foi Cana quem disse.
Decidi ignorar o último comentário.
— São os convites do casamento. 'Tô ansiosa 'pra ver como ficaram.
— Ué, mas não foi você que escolheu o modelo, as letras e as palavras? – assenti. — Então sabe como ficou.
— Na imaginação, sim, mas quero ver no físico.
Calamos a boca quando a supervisora passou. Ela tem estado tão chata ultimamente e tudo porque quer mostrar serviço, já que boatos dizem que haverá demissões em alguns setores. Bom, reclamo dessa chatice dela, mas não julgo os motivos. Na época em que estava no cargo de Recepcionista, a outra foi demitida e eu caí de cabeça no trabalho para não ser a próxima.
Vida de assalariado é difícil.
Depois de intermináveis horas, o expediente chegou ao fim.
— Finalmente! – desliguei o computador.
— Tudo isso por causa de uns convites… Vocês duas são muito bobas.
Cana disse "vocês duas", pois Mira recebeu uma foto de um desenho feito pelo filhinho dela e ficou emocionada.
— Sou mesmo. – Mira disse.
— É isso aí. Tira essa amargura do meu caminho, Cana, pois quero passar com minha bobeira.
Entramos no elevador e apertei o botão do térreo.
— Eu não sou amargurada, só não entendo essa emoção por coisas simples.
Hoje Cana estava insuportável. Nós discutimos várias vezes e não foi só briguinha simples não. Se não fosse a Mira, teríamos partido para a agressão.
— Mentira. Você 'tá frustrada sim e todas nós sabemos o motivo.
O elevador parou no 5° andar e Lisanna entrou.
— "Motivo" de quê? – perguntou a mulher que acabou de entrar na conversa.
— O porquê dela 'tá na sofrência.
— Eu não 'tô amargurada e muito menos sofrendo.
— Ah, é porque o cara- – cobriu a boca.
— Pode dizer, Lisanna, tudo isso é porque ela tomou um belo pé na bunda. – falei.
— Eu não-
— Não o quê? Não tomou um fora?
— Vocês se metem muito.
Assim que as portas abriram, ela saiu na frente, sem nem olhar para trás.
— Acha que pegamos pesado?
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Apenas Um Mês... ou Talvez Mais! [Finalizada]
RomanceApós sofrer uma grande decepção, Lucy sentia-se perdida e decidiu fugir da atual realidade. Queria um recomeço e encontrou não só a si mesma, como também um belo bônus. [REESCREVENDO]