V. Um Teste de Resistência

141 20 21
                                    

Sempre que Arcallis passava por uma situação de ataque, os dias no castelo eram mais cansativos do que o trabalho costumeiro de Wafula de viajar para fronteiras visitando locais de acampamento e dar conta dos treinamentos militares; e de Radulf, de gerenciar a administração do reino. Isso porque precisavam decidir questões de administração, estratégias de defesa, de guerra, de comércio, impostos e tudo que tinha sido afetado pelo período de disputa, além de se prevenir para os futuros ataques. E considerando que Idris não tinha uma lista grande de pessoas em quem confiar para discutir os assuntos do reino, menos ainda para permitir a entrada no castelo, o trabalho ficava multiplicado apenas entre os três, quando poderia ser feito por todos os subordinados de Radulf em menos tempo.

Eram longos dias entediantes trancados no escritório ou na biblioteca e Wafula preferia passar mais um mês defendendo as fronteiras e treinando seus soldados a ter que dedicar tanto tempo ao trabalho burocrático com o qual Radulf era perfeitamente acostumado.

Naquele retorno de guerra, entretanto, havia ao menos uma coisa diferente e que lhe deixou mais disposto para terminar o trabalho de uma vez e poderem se recolher aos descansos: podia compartilhar a cama com Radulf de novo e retomar aquela nova intimidade que tinham descoberto ainda no acampamento de guerra. E para a satisfação de Wafula, ao longo do dia todo de trabalho, Radulf não discutiu sobre a magia de Idris nem o selo de proteção que ele tinha no próprio corpo, o que deu ao general uma sensação de alívio de que ele tinha concordado em manter o selo.

A noite já ia bem alta quando o trabalho se deu por encerrado naquele primeiro dia e Wafula seguiu animado para o quarto que dividiria pela primeira vez com Radulf. Precisou apenas entrar no quarto, logo depois de Radulf que já estava interessado em tirar a camisa, abrindo os fechos frontais, para se aproximar do conselheiro e passar os braços grandes em volta do corpo dele, pedindo espaço para beijar o pescoço alheio.

Radulf não se importou com a proximidade, curvou o rosto para o lado, deixando que Wafula lhe beijasse a pele exposta, e continuou tirando os fechos da camisa. Wafula sorriu com a aprovação e passou as mãos pelo corpo dele, descendo pelo abdômen depois que Radulf terminou de abrir a peça, e indo até o limite da calça. Mas todas as intenções do general foram por água abaixo quando Radulf lhe segurou as mãos, detendo o movimento e se afastando do abraço para se virar na direção de Wafula. "O que está fazendo?", um par de gestos foi o suficiente para Wafula entender a pergunta, confuso.

– O que parece que estou fazendo?

"Não no castelo". A resposta de Radulf foi bem pontual, e a expressão de confusão de Wafula se tornou uma de surpresa, quase abismada.

– O quê?! Por que não?!

"Porque não", Radulf respondeu, até mesmo na própria expressão fechada em desaprovação. "Idris está aqui".

– E qual o problema?! Ele não está no quarto, a não ser que você tenha escondido ele no armário.

Radulf quase rodou os olhos para Wafula, fazendo outra série de gestos "Ele sabe onde estamos, pela magia".

– Ele já sabe que estamos no mesmo quarto até sem magia. Já devia ser bem autoexplicativo. – Wafula retrucou, ao que Radulf apenas insistiu que através da magia, o rei podia saber bem mais. Mas o general que rodou os olhos daquela vez. – Ele sabe onde estamos, não o que estamos fazendo. E que diferença faz?

Wafula deu um passo para passar as mãos pelos braços de Radulf, que ainda assim, negou a aproximação. "Já disse que não no castelo", o conselheiro reforçou com os gestos manuais.

– Mas Rad! – Wafula insistiu, ao que o outro só fez um sinal de "não" e se virou para seguir até a cama. – Então podemos ir para casa...!

Um Silêncio de 15 AnosOnde histórias criam vida. Descubra agora