XI. Um Pesadelo Real

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࿐ Aviso: Violência 

 Fronteira norte de Arcallis, 15 anos atrás. 

Há exatamente seis anos, Radulf tinha se juntado ao exército de Arcallis mesmo que fosse de uma família nobre e pudesse se livrar dos chamados militares. Ele não era o tipo de pessoa que gostava de esperar sentado enquanto o reino estava em uma situação de crise. Nos últimos anos, as guerras e invasões só tinham aumentado por causa das novas riquezas de Arcallis e embora a rainha tivesse se esforçado muito para defender o reino com sua magia, as coisas só pioraram.

Antes de entrar no exército, o rei de Arcallis já tinha perecido em guerra. Há pouco mais de três anos, a rainha também tinha morrido para deixar o reino desprotegido. Mas havia uma pessoa que poderia sucedê-la e era o que ele estava fazendo há três anos: Idris Verethragna tinha se tornado Avestan Verethragna ao receber a coroa do reino de Arcallis apenas aos dezesseis anos de idade. E apenas aos dezesseis, ele era o guerreiro que derrubava mais inimigos em apenas um golpe, e tudo aquilo por causa da mesma magia que a rainha usava para defender o reino antes, mas com uma forma completamente diferente. Uma forma que era só dele.

Naquelas últimas semanas, eles estavam em um conflito devastador com Táhir ao norte, e desde que Idris tinha deixado a capital para ir até o acampamento de guerra na fronteira, o exército de Arcallis só tinha avanços e vitórias. E mais uma vitória foi alcançada com o jovem regente na linha de frente, e mais uma vez Radulf presenciava aquelas habilidades com uma magia poderosa que destroçava os inimigos e causava uma chuva de sangue no campo de batalha como nunca se tinha visto antes.

Idris estava mudado, e não era uma mudança que Radulf aprovava.

– Bom, pelo visto essa guerra contra Táhir não vai durar muito, não acha, Rad? – Wafula questionou, descendo do cavalo assim que voltaram ao acampamento de guerra, com Radulf logo ao seu lado.

– Como durar se eles não têm mais homens no campo de batalha? – Radulf retrucou, desafivelando as manoplas ao descer do cavalo e seguir a passos muito firmes na direção da cabana de Idris.

– Rad, espere, onde você vai?

Radulf não se prestou a responder Wafula, seguiu o caminho a passos decididos e logo estava entrando na cabana do rei.

A visão dentro da cabana foi apenas esperada. Em roupas convencionais de quem não precisava de armadura em campo de batalha, com sangue dos pés à cabeça, Idris estava de frente a um recipiente com água, lavando as mãos para então lavar o rosto na água que já estava turva pela quantidade de sangue. Os longos cabelos loiros trançados num rabo de cavalo estavam também pingando sangue e a roupa que outrora tinha sido branca, estava completamente vermelha.

– Você continua usando essa magia inconsequente, Idris. Quantas vezes eu vou precisar repetir para parar com isso?!

– Nenhuma, Radulf. – Idris respondeu, pegando uma toalha só para limpar o rosto. – Estou lutando por Arcallis, e vou continuar fazendo isso enquanto for necessário.

– Você não tem que lutar pelo reino sozinho, pra isso nós temos um exército.

– Um exército que não consegue defender as fronteiras? Qual a necessidade de depender de um quando eu posso resolver isso muito mais rápido?

– Essa não é a questão, Idris! – a resposta de Radulf foi bem mais impetuosa, e bem a tempo de Wafula entrar na barraca também.

– Ei, vocês dois não vão começar a discutir de novo, não é? Está tudo bem, estamos ganhando a guerra, chega de briga.

Um Silêncio de 15 AnosOnde histórias criam vida. Descubra agora