Harry
Ignorei mais uma chamada de Matteo antes mesmo que o toque do celular invadisse o quarto. Meu amigo insistente queria falar sobre problemas, e nesse momento queria estar longe deles, ainda mais quando esse problema levava o nome de Hugo, meu ex sócio.
Minha cabeça estava doendo quase insuportavelmente, o sol brilhou forte esta tarde e não estava nem um pouco preparado com meus óculos. Tive que sair para um almoço com bons clientes, eles resolveram comer ao ar livre e não consegui contestar. Estava frio, jantar ao sol era algo que os dois acharam interessante. Negar aquilo seria uma boa opção, estava estressado demais e lidar com um casal meloso falando de mil assuntos menos o que realmente me importava, ultrapassava o nível diário de minha boa educação e paciência. No entanto, não estava lidando com minha empresa, minha loja. Tive que usar o bom ânimo.
Tudo o que eu gosto é de objetividade, não sou a melhor pessoa para conversar, dessa forma, ser direto, para muitos é levado como grosseria. Não podia fazer nada, e para ser sincero eu realmente não me importo. As pessoas podem interpretam o que quiserem do que digo, no fim das contas é isso que elas fazem. Não importa o que diga ou o que faça, as pessoas te veem apenas da forma em que elas querem. E eu já havia me acostumado assim. Dizer apenas o necessário, o que realmente é preciso e o que eu penso. Já tentei ser aberto a assuntos, mas dizer certa coisas me fez notar o quão havia desaprendido. Manter distância das pessoas era algo que eu realmente havia me afeiçoado.
E eu nunca pensei que isso seria um problema, até Rebecca aparecer.
Chegar em casa cansado, com dor, estressado e com a moça sorridente me esperando, era tudo o que eu não precisava e muito menos ela. Olhar para seus olhos diminui a dor em minha cabeça, mas ainda estava desacostumado. Passei o dia todo com dor, e lidar com ela irradiando as cores que a anos não as via, me deixava ainda pior. Todos os tons nela, ainda sendo explorados por mim, me traziam uma sensação de excitação e melancolia. No mesmo instante em que podia enxergar um pouco de esperança, me lembrar do que me deixou assim, me fazia querer continuar como eu estava. As cores significavam vida e eu sentia que desde aquele dia, já não existia isso em mim.
Era complicado me comunicar com Rebecca. Ela era diferente e eu sequer sabia dizer se era por estranhamente a garota, ser colorida ao meus olhos. Era abusada e irritantemente teimosa. Me sinto em um campo minado quando a vejo, nunca sei se vou ser recebido, com um vaso na cabeça ou vomito nos pés. Ela tinha alguns problemas com sua cordeação motora e claramente tinha deficit de atenção. Parecia que trajava uma roupa neon, chamando a atenção dos problemas.
Conversar com ela era difícil. Dizer o que penso parece não ser algo em que as pessoas gostavam e em especial, Rebecca. Ela se irritava fácil e eu mais ainda. Ser paciente com ela era algo no qual eu tentava ao máximo, mas como havia dito, o silencio era o melhor que eu podia oferecer, mesmo que ela parece despertar a minha vontade de simplesmente falar.
— Harry.
Coincidentemente, pensar nela a fez aparecer. As três batidas na porta junto a voz calma de Rebecca romperam o silencio do quarto, me fazendo respirar fundo. Estava sentado a cama ainda sem camisa com a toalha nas costas, talvez havia demorado demais em meu banho.
VOCÊ ESTÁ LENDO
As cores em você |H.S| 🦋
Fiksi PenggemarHarry Styles é um florista mal humorado que vê o dia cinza todos os dias, LITERALMENTE. Com uma doença que o impede de ver as cores, algo maluco acontece quando sua mais nova funcionária com desastre escrito em sua testa, derruba um vaso em sua cabe...