Capítulo 77

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[Bárbara Passos]


Chegando em casa percebi minha mãe sentada no sofá enrolada em um cobertor. Me sentei do seu lado me cobrindo junto. Ela me olhou como se quisesse que eu jogasse tudo na roda, como sempre.
Babi: o que? — perguntei a encarando.
Mãe da Babi: onde estava? — ela já sabia a resposta, na verdade ela queria mesmo era saber com quem eu estava. Apesar de também já imaginar.
Babi: com Victor. Encontrei com ele caminhando perto do lago... 

Mãe da Babi: então vocês conversaram? — disse me olhando com um breve sorriso.
Babi: um pouco — a respondi me lembrando do som de nossas risadas se misturando hoje mais cedo. Saber que aquilo talvez não fosse mais acontecer me deixou frustrada.
Mãe da Babi: tudo bem, filha? — disse percebendo meu olhar.
Babi: sim, é só que... — desisti de contar — deixa. Vou subir.
Me levantei para ir pro quarto. Dei a volta pelo sofá passando perto da minha mãe. Ela segurou minha mão antes que eu saísse dali.
Mãe da Babi: aproveita essa chance, ele dificilmente voltará ao Brasil de novo — disse me olhando firme nos olhos — não cometa o mesmo erro duas vezes, filha.
Assenti e subi as escadas, aquela última frase tornou-se um eco dentro da minha mente. O mesmo erro novamente, eu não deveria ter o deixado ir pensando que eu não o queria. Sou culpada por ele agora ter alguém disposto a estar 100% presente em sua vida agora. Mariah era uma mulher de sorte, mas preciso lutar pra ter de volta o meu Victor.

Já em meu quarto, a segunda-feira já chegava ao fim e eu perdida em meus pensamentos, deitada. Pela janela do corredor, entre a minha casa e a de Victor não tinha nenhuma casa de dois andares, eu conseguia ver a janela de seu quarto. Quatro anos atrás, quando eu costumava ficar aqui encostada olhando a lua, ele descobriu isso. Me senti motivada a ir até la na esperança de vê-lo.
Abri a cortina, sua janela estava fechada e a luz estava apagada. Já era tarde da noite, ignorei isso e foquei na lua cheia que iluminava tudo ao redor. Fechei meus olhos mentalizando que tudo desse certo. Pedi por um sinal, eu estava tão confusa sobre tudo. Der repente vê-lo naquele funeral me colocou de cabeça pra baixo.
Depois que algumas poucas lágrimas escorreram pelo meu rosto, voltei pro meu quarto. Assim que sentei na minha cama, meu celular bipou. "tá me espionando, Bárbara Passos?" li pela barra de notificação. Ele me viu? Meu coração acelerou.

whatsapp on • Victor Augusto:

Babi: eu nem sabia que tinha meu número ainda. E não, eu não estava te espionando.
Babi: apesar de parecer bastante, confesso
Ele visualizou no mesmo instante.
Victor: vou fingir que acredito
Victor: o que faz acordada ainda?
Babi: insônia? minha vida está virada do avesso, está impossível pregar o olho nos últimos dias... 

ele visualizou de imediato novamente, mas não respondeu.

whatsapp off

saí do whatsapp depois de ficar encarando por longos minutos a tela do meu celular em nossa conversa. Ele não ia responder, seu online ja havia desaparecido.
Joguei o celular na cama, mas no mesmo instante ele tocou. Virei a tela e era ele. 

call on • Victor Augusto:

Victor: oi — sua voz era baixa e rouca e continuava a me causar arrepios.
Babi: oi — respondi baixo também.
Victor: eu não tenho assunto — fez uma pausa e pude escutar sua respiração forte — só queria ouvir sua voz por alguns minutos.
Babi: queria? — assustei.
Victor: sim, sua voz ainda me acalma.
Babi: é bom saber disso — falei sorrindo extasiada.
Victor: e então, vai admitir que estava me espionando ou não? — disse soltando um leve riso. Ri junto.
Babi: o que? Claro que não. Eu estava pegando um ar puro — falei e ele soltou uma risada, não entendi o motivo.
Victor: Bárbara, você mora na frente de um ribeirão, e hoje especialmente ele ta insuportável com mau cheiro.
Por isso minha janela estava fechada, mas te vi assim que entrei no quarto — ele riu ainda mais, e o acompanhei rindo histericamente porque realmente percebi um cheiro horrível quando abri a janela.
Depois de alguns segundos conseguimos recuperar o fôlego e parar com a crise de risos que se seguiu por quase 5 minutos.
Babi: bom — respirei fundo — eu preciso dormir agora, acho que o remédio fez efeito finalmente.
ele não respondeu, então continuei.
Babi: boa noite Vict... — fui interrompida.
Victor: Babi, fica. Não precisa desligar, eu só quero que fique na linha até que eu adormeça também — disse em um tom baixo, piedoso.
Babi: você está pedindo pra ficar na linha me ouvindo respirar? Isso é estranho.
Victor: sim — disse rápido.
Babi: tudo bem. — falei descansando meu celular sob meu rosto, trouxe a coberta até a mim e fechei os olhos. Me despedi de Victor, sem nunca imaginar que estaríamos dormindo juntos esta semana.
Mas isso era exatamente o que fizemos.

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