[Bárbara Passos]
Pisquei meus olhos já abertos, não tenho ideia de quanto tempo dormi, e nem que dia é. A luz fluorescente no teto está me causando dor de cabeça, assim como o cheiro do próprio hospital. os medicamentos que estão me dando estão funcionando, mas não é rápido o suficiente. Agarro o controle remoto da televisão e olho para o programa de notícias que está passando. Nos últimos dias é só o que consigo fazer quando não estou dopada pelos remédios fortes.
Escutei uma ligeira batida na porta, supondo que seja uma enfermeira que veio verificar meus sinais vitais nem volto meu olhar na direção dela. Continuo prestando atenção às notícias.
Quando ele aparece do meu lado na cama, o reconhecimento de seu perfume me faz perceber que não era uma enfermeira. Meus olhos se voltam para ele, mal posso acreditar que está aqui. Ele toca minha bochecha com sua mão quente me fazendo relaxar, é bom ter ele aqui.
Victor: como está se sentindo? — pergunta visivelmente preocupado.
Babi: já estive melhor — sorrio sem graça, me odiando por ele estar me vendo neste estado — mas vou ficar bem.
Victor: eu estava preocupado — diz deixando que todo o ar de seus pulmões saíssem — muito.
Observando ele de pé ali, um sentimento bom me tocou. Inexplicavelmente eu sei onde meu coração está. Essa doença me derrubou horrivelmente, mas também me deu mais tempo para refletir sobre minha vida. Não foi até ele está bem na minha frente, neste momento, que me tornei certa dos meus sentimentos mais verdadeiros. Agora sim estou certa de que não posso viver sem esse homem.
Babi: onde está Bruno?
A expressão do seu rosto escureceu no exato momento em que mencionei o nome dele. Ele provavelmente está assumindo que minha pergunta significa que preciso de Bruno, mais do que dele. A verdade é que eu preciso ter certeza de que Bruno não vai entrar nesse momento particular. Sei que Bruno esteve no hospital quase todo tempo em que estive aqui.
Victor: ele foi pegar café — disse baixo.
Babi: eu te amo, Victor — digo finalmente, com esse sentimento estourando através do meu peito.
Seus olhos se enchem de esperança novamente.
Victor: mesmo depois de tudo que fiz?
Babi: nós dois erramos, Victor. Tivemos escolhas erradas, mas o importante é que você está de volta. Nunca tive mais medo do que nos últimos dias, quando pensei que estava te perdendo de novo.
Victor: e quanto a Bruno? — disse com um olhar refletindo preocupação. A mera menção a seu nome me faz ficar emotiva, ele sempre terá uma parte do meu coração. E uma grande parte de mim sente-se extremamente horrível agora, mas o que acontece é simples.
Babi: Meu coração bate mais forte por você, Victor. Eu amo Bruno, sempre amarei. E isso é algo que espero que você possa entender, mas o amor nem sempre é apenas sobre a pessoa que faz você se sentir mais segura, ou mesmo quando você se preocupa com alguém. As vezes é sobre a pessoa que te faz sentir viva, as vezes o amor implica assumir o maior risco. E você é o meu maior risco, porque perder você novamente seria a coisa mais destruidora da terra — falei já com lágrimas nos olhos — meu amor por você é diferente, algo com o qual não posso viver sem. Aprendi a viver sem Bruno, mas desde quando você foi para a Alemanha pensei que pudesse aprender a viver sem você, mas sua partida me doeu durante anos até te ver de novo e perceber que eu não poderia aprender a viver sem você.
Victor: Deus, eu estava me preparando pra te perder, você não tem ideia — disse soltando o maior suspiro de alívio — eu agi como um idiota a duas semanas atrás com você, eu estava com medo.
Victor inclinou sua cabeça até meu ombro, involuntariamente meu dedos passam por seus cabelos em um carinho.
Victor: eu nunca quero estar separado de você novamente, estou quebrado — disse em meu ouvido. Sorri escutando isso, senti tanta falta desse homem. Estávamos em um momento perfeito. No nosso próprio mundo novamente, tanto que quando Bruno entra no quarto, eu não noto, até que ele está ali de pé diante de nós segurando dois cafés e parece que seu mundo havia acabado de cair.
Olhei para Bruno e em seguida para Victor, que entendeu tudo sem eu nem mesmo precisar falar.
Victor me beijou suavemente na testa e se retirou, passando por Bruno de cabeça baixa. Assim que Victor deixou o quarto, Bruno se certificou de deixar os dois copos de café fora de sua mão. Ele caminhou até a mim, se sentando ao meu lado.
Bruno: então é ele — disse, sem olhar em meus olhos ainda. Ele estava realmente chateado, dava pra ver no tom de sua voz e na forma como ele desviava o olhar para não me encarar.
Babi: sempre foi ele — falei trazendo sua mão até a minha — mas você fez parte de longos anos da minha vida, bons anos. Sempre terei você marcado em minha alma, Bruno. Acredite.
Ele suspirou, apertou minha mão e a levou junto a seu peito.
Bruno: eu já sabia que nunca teria você de novo — disse agora olhando finalmente em meus olhos — pelo menos não depois que ele entrou em sua vida, e fico feliz por vocês. Espero algum dia encontrar alguém que me olhe como você o olha, com todo esse brilho.
Babi: você vai, e ela será sortuda por ter um homem tão gentil e atencioso como você do lado — falei, com lágrimas nos olhos. Era inevitável.
Bruno se levantou e selou um beijo em meu rosto com suas mãos me segurando, segurei uma delas e a acariciei. Meu coração estava ao mesmo tempo feliz por finalmente saber que Victor está disposto a recomeçar, e despedaçado por ter de fazer Bruno passar por isso.
Bruno deixou o quarto me fazendo fechar os olhos e perceber tudo que havia rolado nos últimos minutos. Era necessário, mesmo que um de nós saísse magoado.
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RED THREAD
Fanfictionse todos já nascem predestinados a encontrarem sua alma gêmea, qual a razão pra tantos desafios? A vida de Bárbara Passos e Victor Augusto sempre foi uma caixinha de surpresas, mas nenhum deles esperavam por tudo isso. Ambos serão testado pelo desti...
