Capítulo 46: Vampiros.

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Ícaro

Encarei a placa do bar escrito A Fortaleza e entrei, indo em direção a um dos bancos estofados de um dos cantos vazios. Me sentei e observei o bar vendo que ele estava parcialmente vazio.

Coloquei a touca da jaqueta na cabeça e escorei o braço na mesa, colocando o peso do meu rosto na minha mão direita, enquanto a esquerda girava a moeda de ouro que seria gasta na bebida mais forte que Declan vendia.

-O mesmo de sempre? -Ele apareceu, catando a moeda do meio dos meus dedos e eu apenas assenti com a cabeça. -Você está com uma cara péssima, Mackenzie.

-A sua também não é lá essas coisas e nem por isso eu fico falando. -Rebati e ele resmungou alguma coisa se afastando.

Enfiei as mãos no bolso e puxei o desenho que Holly havia me entregado. O abri e deixei em cima da mesa, encarando os bonecos que pareciam palitos e formavam uma família.

Declan soltou o copo na minha frente e desapareceu atrás do balcão de novo. Bebi um gole e senti o líquido descer queimando a minha garganta.

-Você é Ícaro Mackenzie? -Uma voz grave perguntou próximo a mim, mas eu não me dei ao trabalho de erguer a cabeça. Continuei observando o desenho.

-Depende de quem quer saber. -Murmurei, dando outro gole na bebida.

-Cassius, líder do clã do sul, da dimensão escarlate. -Ele puxou a cadeira e se sentou na minha frente. Não precisei erguer os olhos para saber que era mais um dos sanguessugas que Declan sempre reclamava. -Soube que você pode resolver um probleminha meu.

-Estou ocupado agora. -Falei, esperando que aquilo fosse o suficiente para que ele fosse embora.

-Bebendo? -Ele questionou.

-Sim, bebendo. Agora de o fora. -Exclamei e escutei ele soltar uma risada. As sombras começaram a sussurrar com mais intensidade na minha cabeça, o que me fez fechar os olhos esfregar a mão na testa.

-Qual é, eu pago muito bem. Um favor para um amigo vampiro. -Ele propôs e então eu ergui os olhos até ele. O vampiro me observava com os olhos avermelhados e o rosto pálido. Ele tinha um sorriso divertido no rosto e vestia roupas de tom violeta negro.

-Meus bolsos estão cheios de moedas. -Curvei a cabeça na direção dele. -E eu não gosto de vampiros.

-Você sabe com quem está lidando? -Ele fechou a cara e cerrou os punhos em cima da mesa. Guardei o desenho no bolso e bebi mais um gole.

-Líder do clã do sul, você disse. -Respondi, voltando a encara-lo. -Mas e você, senhor Cassius, sabe com quem está lidando? Não vai querer que eu me levante daqui.

-Olha só, eu só preciso que você vá até a dimensão solstícial e traga um garoto que fugiu das minhas terras até la. -Afirmou e eu cruzei os braços em cima da mesa.

-O que pretende fazer com o garoto? -Questionei curioso.

-Ele parecia ter um sangue bem interessante. -Ele deu de ombros e eu fiz uma careta. -Sabe como é.

-Não, eu não sei. E como eu disse, estou ocupado. -Segurei o copo e no mesmo instante ele se quebrou entre meus dedos quando o vampiro segurou minha mão com força. Encarei o restante da bebida que agora encharcava minha mão e suspirei. -Sabe, isso foi uma péssima ideia.

-Eu sei quem você é, moleque. Você anda por aí com aquelas criaturas das sombras fazendo o serviço para você, enquanto enche os bolsos de moeda. -Ele aproximou o rosto do meu. -Até hoje não ouvi ninguém falar de você lutando por si mesmo, sem seus bichinhos de estimação.

Reino de Fogo e Caos / Vol. 1Onde histórias criam vida. Descubra agora