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Hoje será o último dia de Diego na cidade e amanhã ele vai viajar para o Ceará, não posso negar que sinto um certo alívio por ele está partindo para outro estado, talvez assim seja mais fácil terminar com ele sem ficar com receio de algo que ele possa fazer.

A noite eu me arrumei e fiquei a sua espera, logo ele me liga avisando que já está na frente da minha casa, é muito raro ele entrar, e eu não faço muita questão pois sei que meus pais ficam desconfortáveis com a presença de Diego, evito deixa-los mais chateados do que já estão comigo.

- Demorô em gata? - ele diz quando me avista saindo do portão da minha casa.

- estava terminando minha make quando você ligou. - digo entrando no carro e sinto seus olhos me analisar.

- porra de vestidinho colado é esse maya? Os muleques vão ficar me zuando caralho! - ele fica nervoso.

- eu me sinto bonita Diego, não tem nada errado com meu vestido, que saco! - Esbravejo não tendo mais saco para suas implicâncias.

- tá parecendo uma gp isso sim... põe meu blusão pra tentar amenizar isso ai vai. - ele tira seu blusão me fazendo vestir me deixando ridícula.

Era sempre assim, ao invés de me elogiar ele fazia questão de me ridicularizar e eu acabava aceitando sua vontade e me sujeitava as suas loucuras.

....

A balada fica na cidade vizinha e chegando lá já tinha toda turma dele, pessoas que eu tenho que aturar pois não conseguir ter afinidades com ninguém, mas ultimamente tenho fingido bem e aprendi a sorrir mesmo sem ter vontade.

- gata vou ali com os caras, me espera que já volto. - Diego fala empolgado.

- vai aonde? Não demora ok? - ele apenas sorrir me dá um beijo e sai com mais uns 4 garotos.

Fico olhando ele desaparecer do meu campo de visão, e volto a conversar com duas garotas que também são amigas dele.

Depois de 20 minutos ele volta bem diferente de como saiu, mais elétrico, sei que ele usa alguns tipos de drogas, nunca conversamos sobre isso mas acredito que ele saiba que eu não curto essas ondas pois nunca me ofereceu nem usou na minha frente.

Fomos dançar e tava tudo indo bem até que ele começou uma conversa estranha.

- Vamos ali no banheiro gata, tô cheio de tesão e te quero agora. - fico um tempo tentando assimilar o que acabei de ouvir.

- Você deve está me confundindo com outra pessoa né Diego? Papo sem noção  é esse? - me afasto para olhar em seus olhos.

Vejo quando um sorriso cínico  surge em seu rosto e algo no seu olhar me faz ter um pressentimento ruim.

- o que é que tem? Somos namorados e podemos transar em qualquer lugar só é querer, e eu quero você agora. - ele me puxa para perto e tenta me beijar.

- aqui eu não quero Diego, vamos pra outro lugar então, vc deve tá muito louco pra me fazer uma proposta dessa na boa. - falo um pouco nervosa.

Ele passa a mão na cabeça e depois dá um gole na garrafa de Vodka que segura na mão desde a hora que chegou.

- ah tá! Vai dá uma de santa agora Maya? Transar no banheiro da balada, no carro ou em casa não faz diferença  pra mim porra! - ele começa a falar alto  chamando atenção de algumas pessoas que estão próximas.

Olho ao meu redor e me sinto envergonhada, viro as costas pra ele e volto pra mesa que estávamos.

- agora você vai fazer cena gata? - ele vem atrás falando.

- Eu vou embora! - pego minha bolsa e ando em direção a saida.

Sinto ele segurar meu braço o apertando, engulo seco e vejo os amigos dele nos observando.

- para com isso agora Maya! Estamos aqui para curtir e comemorar e você tá querendo estragar a noite por besteira.

Seus olhos azuis escurecem, e um calafrio percorre meu corpo.

- Eu quero ir pra casa agora! E se você quer continuar por aqui beleza, eu arranjo um jeito de voltar sozinha, agora larga o meu braço. - minha voz sai embargada e balanço o meu braço o forçando a larga-lo.

Eu não tinha a mínima ideia de como voltaria pra casa, mas estava certa do que eu queria fazer, com o celular na mão começo a procurar um carro por aplicativo.

- Satisfeita agora? Você conseguiu estragar minha noite sua otária! - ele vem gritando até mim.

- Eu não pedi para você vim atrás de mim pedi? E o otário do rolê aqui é você não eu. - falo me distanciando dele e orando para o carro que pedi chegue logo.

- Eu sou um otário mesmo, com tantas gatas me querendo ai dentro eu estou aqui fora atrás de você. - ele joga a garrafa de vodka no chão a quebrando.

- Para com isso Diego você está me deixando com medo seu louco! - observo os seguranças da balada nos olhando de longe mas não esboçam nenhum tipo de reação.

Vejo o carro que eu pedi chegando e corro para abrir a porta e sair dali o mais rápido possível.

- Você chegou comigo e voltará comigo gata! - ele segura meu braço me machucando novamente.

- Algum problema senhorita? - o motorista do aplicativo me pergunta olhando pela janela.

- Nenhum problema mano, ela vai cancelar a corrida, toma aqui pelo seu deslocamento. - ele joga algumas notas pela janela do carro.

O motorista fica me olhando esperando eu dizer alguma coisa e eu me vejo obrigada a dispensa-lo.

- pode ir moço, tá tudo bem ele é o meu namorado e vai me levar pra casa. - sinto Diego afrouxar os dedos que apertavam o meu braço.

Vejo o carro do aplicativo fazer uma manobra e logo pega a estrada, em seguida ando em silêncio até o carro de Diego que no rosto ostenta um semblante de vitorioso.

- pensei que você iria entrar no carro de um estranho e deixar seu namorado voltar sozinho pra casa... você tem noção da loucura que iria fazer gatinha? - ele fala ligando o carro e começa a dirigir.

- Eu preferia ir com um estranho do que  permanecer ao seu lado que está me dando medo. - respondo com raiva sem medir minhas palavras.

- então você daria pra ele no carro mas não quis dá pra mim no banheiro da balada, agora tô sacando a sua. - ele fala lentamente como se estivesse imaginando algo.

- você só pode tá maluco, viajou legal agora, quem você pensa que sou? Você tem a noção do que acabou de dizer? - falo nervosa e começo a tremer.

Meu corpo treme de um jeito estranho, não consigo controlar e me assusto com  o que está acontecendo comigo.

- Você é uma puta maya isso que você é, mas você não vai fuder a minha vida não! - ele começa a socar o volante me deixando assustada.

- Para esse carro Diego! Eu quero descer agora! - grito e vejo o carro fazer um ziguezague na pista me deixando assustada.

Ele vai para o acostamento e para o carro mais não destrava as portas.

- Eu sou louco por você gata, e pensei em fazer várias loucuras por você mas agora eu percebir que você não me merece... - seus olhos  vermelhos me encaram me deixando com mais medo.

A máscara de anjo que ele usava tinha caído dando lugar a sua verdadeira face que se assemelhava a um demônio.

- você usou algo não foi? Que droga foi essa hein? Olha as coisas que você tá falando cara! Eu só quero ir pra casa, não estou passando bem, por favor! - me esforço pra falar pois ainda sinto  tremores estranhos e uma falta de ar.

- a minha droga é você maya! A porra da minha droga é apenas você, me deixando com raiva mas contínuo louco  pra te ter sempre mais. - ele se aproxima me agarrando.

O empurro com toda minha força e em troca recebo um tapa na cara.

Foi a primeira vez que alguém me machucava, eu nunca tinha levado um tapa, nem dos meus pais quando eu era uma criança levada.

Dói na alma, doi na pele e as lágrimas começam a rolar sem parar.

Uma Eterna AprendizOnde histórias criam vida. Descubra agora