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Depois de um tempo minha vó se retira do meu quarto e eu tomo um banho, e nessa hora sozinha eu chorei copiosamente, me arrependi, me culpei e me estapeei olhando para o meu rosto refletido no espelho, não precisava esperar pelos julgamentos alheios pois eu mesmo já tinha me condenado.

Minha mãe voltou ao meu quarto com uma xícara de chá de camomila com maracujá, minha vó tinha feito com a intenção de me acalmar. Eu não tinha conseguido comer nada ainda e apenas dei três pequenos goles no chá.

- filha seu pai e seus irmãos estão te esperando lá na sala, seu pai chamou nosso advogado... eles precisam conversar com você. - eu evito olha-la nos olhos com medo de encontrar algum vestígio de desapontamento.

Respiro fundo e apenas balanço minha cabeça confirmando.

Sinto ela pegar sutilmente minha mão e no instante que a olho ela sorrir mas seus olhos não esconde sua tristeza.

- filha sua família sempre vai está ao seu lado, nunca duvide disso, quero que você entenda que estaremos juntos com você sempre certo?

Seguro minhas lágrimas, balanço minha cabeça mais uma vez e descemos.

A primeira pessoa que eu vejo é meu irmão Léo, seus olhos vermelhos denunciam que ele chorou, talvez de raiva e ódio ou quem sabe de tristeza mesmo. Ele logo vem me abraçar e eu desabo no choro outra vez.

- eu vou matar aquele desgraçado e vou arrancar as bolas dele e jogar para o meu pitbull comer... e no final não será suficiente depois dele ter te causado tanta dor. - ele interrompe o abraço bruscamente e vai em direção a parede a socando sem parar.

Eu nunca tinha visto Léo daquele jeito, e era tudo culpa minha.

- para com isso Léo, você não é um moleque como aquele cidadão! - a voz de meu pai ecoa pela sala e eu nem me atrevo em olha-lo.

Encosto a cabeça no ombro de minha mãe e escondo meu rosto com as minhas mãos.

- Maya... eu sinto tanto filha. - meu pai se aproxima de mim me puxando para um abraço me fazendo soluçar de tanto chorar.

Eu tinha o decepcionado, eu era a sua maior decepção e nesse momento eu desejei a morte.

- me perdoa pai... eu sou uma vergonha para a família - falo em meio a soluços.

- você é minha bonequinha, o meu maior orgulho, não se culpe filha, você é somente a vítima. - sinto seu abraço acolhedor e fico um pouco aliviada.

Depois de um tempo mais calma percebo a presença do meu irmão mais velho Ícaro, ele se mantém distante apenas me observando, abaixo meu olhar envergonhada. Imagino o quanto tudo isso deve ter o atingido, e sei o quanto ele deve está decepcionado comigo.

Ícaro o mais centrado e certinho de nós três, nunca se meteu em confusão e odeia chamar atenção, sempre foi na dele, é bem calmo e gentil, um exemplo de filho e irmão. eu não tinha ideia de como ele estava assimilando tudo que estava acontecendo, mas compreendi a escolha dele em ficar distante e calado.

depois de um bom tempo conversando com o advogado da família, eu me senti esgotada emocionalmente, não foi fácil ter que relatar tudo que passei com Diego, expor tudo que ele me fez passar é como estar revivendo cada momento novamente. foi nessa conversa que acabei falando da noite que ele me deu o tapa e me deixou largada na estrada.

foi difícil ver minha mãe se retirando da sala chorando, eu vi nos olhos do meu irmão Léo um ódio assustador e temi que ele fizesse alguma besteira, meu pai se manteve firme a cada relato que eu os confidenciava, ele parecia não acreditar que eu tinha vivido tanta coisa e eles não sabiam de nada. mas depois de muito tempo essa era a primeira vez que eu estava me sentindo realmente leve, como se o peso que eu carregava estivesse sido desfeito, evaporado, sumido.

logo depois subi para o meu quarto enquanto o advogado permaneceu conversando com meu pai e meus irmãos, seria um caso complicado pois eu não tinha provas de nada, nem das ameaças e chantagens e nem que ele tinha me machucado a meses atrás, era apenas minha palavra, e eu sabia que tudo isso poderia ser apenas uma perca de tempo.

Ao entrar no quarto me deparo com o aparelho celular ainda jogado no chão do meu quarto, o pego e começo a olhar as minhas mensagens, eram muitas, milhares em todas as minhas redes sócias, foi então que me deparei com dizeres absurdos, horrorosos e nojentos.

foi uma das piores coisas que já vivi na minha vida, eu nunca mais voltaria a ser aquela menina que fui um dia. 

Uma Eterna AprendizOnde histórias criam vida. Descubra agora