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Meu aniversário de 21 anos chegou, como eu esperei ansiosamente por este dia. Imaginei a comemoração dessa data desde os meus 18 anos, planejei fazer uma festa top pra durar até o amanhecer, só não imaginava que passaria por tantas coisas antes dos meus tão sonhados 21 anos.

Aos 18 anos de idade eu pensava que Rafael seria o primeiro e único homem da minha vida, eu nem cogitava a possibilidade de me envolver ou me apaixonar por outra pessoa, eu tinha uma assustadora certeza que nossa relação seria para sempre. Mas não foi isso que aconteceu, rolou tantas coisas, não estou mais com Rafael, tenho vários traumas e a festa que tanto sonhei simplesmente desistir de fazer do jeito que eu queria.

- parabéns pra você...!! - minha mãe entra em meu quarto cantarolando.

Um sorriso surge em meus lábios

- eu não vou nem fingir que já estava esperando a senhora aparecer, obrigado mãe. - digo a abraçando.

Seu abraço acolhedor e ternuo sempre é o primeiro que eu recebo em todos os meus aniversários.

- nossa filha que animação fraca é  essa? - ela me pergunta me observando com atenção.

Respiro fundo e desvio o meu olhar

- sei lá mãe... eu sonhei tanto com esse dia mas agora que ele chegou eu não acho tanta graça assim. - falo desanimada.

- animação minha princesa, só fazemos 21 anos uma vez na vida, vamos curtir seu dia. - ela diz tentando me animar.

- é chato fazer aniversário no meio da semana, ninguém pode sair hoje, todos estão ocupados, nem a Rê quer ir pra balada comigo. - falo fazendo bico.

Minha mãe começa a rir e eu fico sem entender.

- depois você não gosta de ser chamada de mimada né Maya? E o Théo não vêm te ver hoje? - ela pergunta curiosa.

Respiro fundo novamente.

- ele tá de plantão hoje mãe, tô me sentindo tão abandonada, esquecida e rejeitada. - digo quase chorando.

- não fica assim filha, sexta-feira você comemora seu aniversário do jeito que você planejou, então que tal sair com sua mãe e escolher seu presente? - ela diz animada .

- presente? Qualquer coisa? Até aquela bolsa que eu mostrei pra senhora naquele dia? - falo empolgada.

- outra bolsa Maya? Você já não tem espaço pra colocar tantas bolsas, vamos escolher outra coisa. - fala indo em direção a porta.

- eu não posso escolher meu presente? Então nem vou. - digo simulando está magoada.

- eu não sou seu pai pra cair em suas chantagens emocionais Maya, pode ir parando. - seus olhos verdes me fitam.

- hoje é meu aniversário mãe, mereço ser muito mimada, tô carente poxa!

Faço bico novamente enquanto ela balança a cabeça em negativa e rir da minha atitude novamente.

- tá bom sua chantagista barata, você venceu, vamos comprar aquela bolsa e curtir o seu dia. - ela sai do meu quarto e eu me sinto vitoriosa.

Ao contrário do que todos pensam minha mãe não faz as minhas vontades, sempre quem faz esse papel é o meu pai, não sou de ficar pedindo muitas coisas, não gosto de gastar dinheiro sem necessidade mas bolsas são o meu fraco, amo comprar bolsas e ganhar de presente.

O dia passou rápido, me divertir muito na companhia de minha mãe, e quando chegamos em casa minha vó tinha feito um bolo e meu pai e meu irmão Léo nos aguardava para me felicitar e bater os parabéns.

Antes de dormir Théo me ligou e passamos um tempo conversando, ele estava em uma operação importante e não teve como ter vindo, eu compreendo e sei como seu trabalho requer sua atenção e comprometimento mas tem vezes que me sinto carente.

Recebi várias mensagens, a maioria de parentes, poucos amigos tem meu telefone de contato, mas um aniversário se passou sem eu escutar a voz de Rafael me dando parabéns, eu tento não pensar nele mais é inevitável.

Uma Eterna AprendizOnde histórias criam vida. Descubra agora