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              Zayn Hamad.

    Se houve um único dia em que duvidei de minha sorte, esse já não há mais.

    Sinto tremuras em meu interior, a sensação é estranha, mas não desagrada-me por completo é bem o oposto disto.

   Nem mesmo o sangue que escorre sobre os meus lábios, resultado de seu ímpeto de violência tira de mim este sabor adocicado.

    De início acreditei ser esta uma  mentira, apenas um teatro mau orquestrado para  ludibriar-me e tentar assim escapar, mas não! Ela não lembra-se de absolutamente nada relevante, do que viveu desde que passou a ser minha, a confusão agora está nítida em sua face.

   É o destino dando-me uma oportunidade? seria a única explicação plausível.

    E sem dúvidas não rejeitarei, não por causa de sentimentos fúteis eu ainda sou quem sou, sempre o serei.

   Irá ser fascinante ver a faísca que cega qualquer ser humano brilhar em seus olhos mirando somente em minha direção, as mesmas que me cegaram um dia!

     Por conhecer tal fraqueza humana irei me apoderar dela não o contrário disto.

      Mas confesso somente para mim mesmo, bem lá nos confins da minha mente, em meio a tantos problemas que surgem a minha frente os pensamentos a respeito deste serzinho agora todo confuso, ocupa mas que metade deste espaço, e reconheço isso não é bom!

    Mas se os meus lábios não verbalizam isto, tudo bem, ainda tenho o controle.
 
   Então me vir orquestrando maneiras de mantê-la presa a esse escuro de lembranças, para que possa substitui-las por correntes bem melhores forjadas.

    Sinto-me incoerente.

    Desejo levá-la logo deste lugar, guardá-la embaixo de minha asa e essa urgência é ridícula, mas ainda assim não supera a preocupação com o seu bem está, há por favor!  recomponha-se homem, está não é a única de tuas preocupações, deveras nem é a maior delas.

    Mas não resisto ao ímpeto de conferir sua respiração de tempos em tempos, porque o faço? Nem eu tenho noção.

    Nem sequer conseguir ausentar-me deste lugar claustrofóbico, mas não admitiria isso em voz alta, pois para mim não cabe está fraqueza, não há espaço.

    Desconfio de todos, até de quem acho nem deveria, aqui onde me encontro parece mas frio e solitário que nunca, somente esse pontinho de calor que está a pouco metros de mim parece manter algo aceso.
    
     Meus olhos também pesam, mas quando meu celular emite vibrações, quase o deixei cair na urgência por não acordá-la.

    __Fale!

     __Senhor! a prisioneira pede para vê-lo. __ surpreendeu-me que tenha aguentado tanto eu diria.

   Relutante terei que deixá-la, para ir ter com Samira, mas do outro lado daquele porta quatro homens armados e pronto para qualquer coisa iram guardá-la a todo instante.

    (...)

    Deitada sobre uma cama.

  Sua pele avermelhada já começara a descamar como alguém que se expôs ao sol por um demasiado tempo, sem as devidas proteções e  mesmo assim seu queixo tremia por frio.

   __ já encontra-se disposta a dizer-me algo, acredito! __ Disse logo que entrei.

   Ela olha em minha direção, seus olhos não tem viço, e quase não consegue emitir palavras, um cheiro ruim incomoda as minhas narinas.

  _ M... Me salve an.. Antes por favor! Za... Zayn e direi a ti tudo que d...Desejas saber! __ Foi somente o que foi capaz de dizer.

      __ Se ainda te restas forças para barganhar, não deves ter ficado tempo suficiente enclausurada, mas de facto não tenho a intenção de deixá-la morrer assim tão simples.

     Eram verdade as minhas palavras ! Vou empanar os dois juntos, corja de víboras traidores , ceifar as suas vidas não seria suficiente...

   __ Deixe que entre! __Ordenei ao  médico que cuida destes pormenores.

    __Senhor!

    __Não deixe que faleça, medique, tire os restos de aborto, faça o que tem que ser feito.

    Samira já não, mas ouvia minhas palavras, havia desfalecido.

     __Sim senhor! Mas irei precisar mantê-la dormindo por um tempo, pois está em estrema desidratação, e há risco da infeção ter se alastrado.

     Esta escória não pode morrer antes de falar-me o que quero saber!

     __ vinte e quatro horas nem um minuto a mais, é tudo que dou a ti.

(...)
    
     Às pressas eu volto, admito.

     Já estava ela acordando, veremos então a minha capacidade de persuasão, no tempo em que dormia tive tempo de orquestrar respostas para todos os seus prováveis questionamentos.

   E não me equivoquei, tudo aquilo que imaginei me foi questionado.

   Ela derramou lágrimas ao ouvir o que lhe foi dito a respeito da loira espalhafatosa não sei se aquilo deveria ter tido o efeito que teve sobre mim! Mas ignoro.

   Então posso levá-la para casa, e fazer a vida ficar um tanto mais divertida, para o equilíbrio de tantas outras coisas não tão divertidas assim!

    Vinte quatro horas é o tempo em que saberei qual  víbora picou o meu calcanhar, embora já tenha suspeitas, quero para mim a certeza.
   
   







   





  

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