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Girls just wanna have fun

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— Eu não sei se concordo — Caroline olhou para um ponto na mesa do refeitório, como se estivesse ponderando. Ela e Emily estavam tendo uma discussão filosófica sobre a vida de Leonardo da Vinci, se ele havia sido maior inventor ou artista no fim das contas. A aula de história que as duas compartilharam deve ter sido interessante o bastante para levantar tantas questões, mas o fato era que estava conseguindo ouvir as ouvir sobre a música alta do meu fone de ouvido.

— No final das contas não seria invenção uma forma de arte? — As interrompo e elas me fitam. Emily estava prestes a tecer uma serie de objeções enquanto Carol sorria convencida, mas eu a interrompi. Novamente, tirando um dos fones. — Veja bem, eu acho que Leonardo era um gênio e isso faz dele infinitamente bom nas duas coisas, na realidade, até em mais. E embora essa discussão seja muito edificante, vocês poderiam fazer mais baixo?

Ambas fazem careta e eu sorrio plácida, voltando a colocar meu fone.

— Ei! — Caroline me cutuca cerca de 4 minutos depois, bem no meio de um ótimo solo de guitarra.

— O que? — Tiro os fones, olhando para ela com minha melhor expressão de tédio.

— Olha seu pretendente — Emily arqueava as sobrancelhas sugestivamente na direção da entrada do refeitório. Eu nem sei por que segui seu olhar, já devia imaginar de quem se tratava.

Jason Mackenzie passava com seu séquito bem no meio do corredor principal, como sempre, sua presença chamava atenção o suficiente para olhares o perseguirem, por mais usual que fosse. Risadas, vozes altas e totalmente despreocupadas soavam do grupo e em um momento o olhar do capitão do time encontrou o meu. E ele não fez o mínimo sinal de reconhecimento, ou sequer um cumprimento educado, apenas se virou para a mesa que sempre se sentava.

— Estranho...ele estava todo cheio de palavras sexta-feira — Emily sussurra, como se pudesse ouvir a metros de distância.

Fiz careta e coloquei meu fone de ouvido de volta.

— Vocês deviam viajar menos.

Não era como se eu esperasse alguma coisa desse aí. A verdade é que desde que cheguei na escola mais cedo de 10 palavras, ao menos 7 eram sobre a neta do Hastings e quem devia ser ela. A festa proporcionada pelos meus avós teve sua função, me apresentar a sociedade de Columbia, mas o fato de o único adolescente presente, além de minhas amigas, ser Jason e o mesmo não parecer nem um pouco a fim de espalhar a fofoca, me deixou novamente invisível. E eu confesso que não fazia questão alguma dessa atenção, naquele momento eu estava mais agradecendo ao babaca, que o xingando. Aqui eu ainda sou Faithy.

Sentada na mesma cadeira de sempre vi a Sra. Gonzalez entrar na sala e despejar a pilha de papeis com um estampido que faz até os bagunceiros do fundo se calarem. Qualquer barulho na sala emudece, porque estava claro, mesmo antes de Simon perguntar, que aqueles eram os testes. Afinal, ela avisou ontem que iria os entregar hoje.

— Bom dia classe — disse a mulher, aparentemente de bom humor.

Claro que estava.

— Isso não é bom — um garoto murmurou atrás de mim.

Caroline inspira devagar virando-se lentamente para frente, Emily apenas sorri e também se vira (ela era até boa em esconder o que estava sentindo), e eu vesti minha máscara de indiferença conforme via a sala murmurar orações, piadinhas com fundo de desespero e xingamentos.

TENNESSEEHistórias para pegar e não largar. Descubra agora