The trading game

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O que?

Olhei para Jason do outro lado da sala. O quarterback sentado preguiçosamente na carteira sorriu para mim. Não um sorriso de "Ah ok, é o jeito", para mais para um sorriso de "Eu já sabia".

Cretino.

Estreitei os olhos a chamava continuando enquanto na minha mente eu xingava Jason de todas as formas possíveis.

Assim que o sinal tocou e os todos começaram a sair, eu segui na direção da Srta.Wilson e perguntei se tinha como mudar de dupla, eu quase implorei na verdade.

— Sinto muito Faithy, mas não tem como fazer dupla com um aluno de outra turma. E todos aqui na sala já tem alguém — ela me deu apenas um sorriso amarelo de quem realmente não ia fazer nada a respeito e continuou a enfiar suas coisas na bolsa.

Saí da sala bufando.

Agora eu ia ter que carregar aquele filho da mãe nas costas. Ele não participava das aulas, fazia bagunça com aqueles amiguinhos, ele sequer leu um livro que ela passou, fora o fato de ele ser um babaca.

Com os passos pesados eu segui na direção de onde aquela mancha roxa e amarela estava. Jason estava apoiado em seu armário quando eu cheguei.

— Olha aqui Jason, se você acha que eu vou fazer esse trabalho com você, você ta muito enganado — rosnei me enfiando no grupinho dos atletas.

Ouvi risadas e gemidos de gozação dos outros. Jason apenas envolveu meu braço com sua mão e me puxou consigo contra o fluxo.

— Ih... — Ouvi os meninos atrás de nós.

— Me solta seu idiota! — Rosnei conseguindo soltar meu braço no meio do caminho. Ao redor as pessoas olhavam.

Ele abriu a porta que dava do laboratório de biologia e fez sinal com a cabeça para eu entrasse.

Inspirei devagar e fui.

O laboratório fedia a formol, aquários com pequenos tubarões, peixes conservados, bichos empalhados, viveiros com algumas espécies de plantas, aranhas, centopeias, fora aquele boneco assustador sem pernas que mostrava quase todo o corpo humano por dentro, com órgãos removíveis. Sempre achei aquele lugar estranho, jamais faria medicina, veterinária ou biologia.

— Olha aqui, eu não sei o que você fez, mas ta na cara que mexeu os pauzinhos da ir comigo — falei assim que ele fechou a porta atrás de si mesmo.

— Ei! Calminha — Jason ergueu os braços em sinal de rendição.

Estreitei os olhos.

— É, eu realmente dei um jeito de ir com você — inflei sentindo vontade de voar no pescoço dele, mas acho que o jogador percebeu por que continuou logo:

— Mas olha, eu to precisando de ajuda com literatura, eu não sei se você percebeu, mas eu sou péssimo e eu não posso continuar no time com uma nota abaixo da média.

— Então pague uma professora particular, estude, leia um dos livros, ou...que tal prestar atenção na aula? Acho que vai funcionar. — Fui tão sarcástica quanto podia.

— Ok, vamos tentar de outro jeito — Jason inspirou profundamente e indagou:

— Soube que se afastou dos renegados — Franzi o cenho. — Amber planejou tudo.

Parei.

— O que?

— Ah, você é mais esperta que eu, já devia ter sacado que ela não se aproximou genuinamente — ele se apoiou na mesa do professor, pegando a miniatura de cérebro e jogando para cima só para pegar de novo com apenas uma das mãos.

Inspirei.

— Ela sabia quem você era, e te preferia como aliada do que como inimiga e sabia que Bender odiava ela. Uma parte deve ter sido porque no início, antes do ensino médio, elas eram amigas, e depois se afastaram, Bender ficou daquele jeito e Amber se aproximou da gente.

O que?

— Daí Amber espalhou pela escola a fofoca que Bender tinha se apaixonado por ela, ficou obcecada por ela — ele continuou e deu de ombros.

Eu estava apática, e acho que Jason estava tão focado no seu monologo que não notou minha total falta de palavras ou reação.

— Eu entendo Bender odiá-la — ele colocou o cérebro de volta na mesa e se virou para mim. — Acontece que Amber bolou para você se afastar de Bender. Eu não sei qual foi o plano, mas ouvi ela se vangloriado para Melanie e Emma.

Inspirei bem, bem devagar, como se estivesse tentando meditar.

— Aquela filha da mãe — aquilo soou como um rosnado entre meus dentes.

Ok, que no fundo Amber tinha me feito um favor ao mostrar quem são ou não meus amigos, mas eu preferia ter descoberto isso sozinha e não com um plano feito como forma de me ter em manipulável em suas mãos.

— Mas porque isso faria eu querer me aproximar de você? Achou que isso faria eu me aproximar de você? Até porque você não é muito diferente de Amber.

O quarterback deu um passo para frente, seus centímetros acima de mim fazendo diferença.

— Olha Elizabeth, eu vim te dar uma escolha — ele falou friamente com toda a prepotência que algumas vezes eu via em seu tio.

Droga! Eu odiava achar semelhanças entre eles.

— Você pode ser o peão ou ser a rainha desse jogo — seus olhos azul celeste pareciam mais escuros agora na sala pouco iluminada. — E em troca, você me ajuda a passar em literatura — dá de ombros. — É muito simples e aposto que não vai ser nada difícil pra você.

Entortei os lábios, os braços cruzados e os olhos cerrados.

Garoto odioso. Ele não era melhor do Amber, também era extremamente manipulador, e estava jogando tanto quanto ela. A diferença é que ele foi mais esperto dessa vez. 

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