O mundo paralisou quando eu o vi pela primeira vez. O homem mais lindo, magnético e aterrorizante que conheci. E eu, que odiava ouvir um não, não iria desistir enquanto não tivesse aquele xerife aos meus pés.
"Você sempre será minha doce e degenera...
Assim que saí da médica digitando uma mensagem para Jake.
"Saí do consultório. Está tudo bem, vou começar a tomar o anticoncepcional."
Minutos depois, quando já estava no carro, o xerife me respondeu.
"Que bom, baby. Volta logo pra casa, estou com saudade de você."
Eu também. Eu também estava com saudade dele.
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O almoço foi em família. Thomas disse que fez questão de deixar não agendar nada por pelo menos 2 horas para ter um tempo conosco.
Duas horas. Porra. Tínhamos que agradecer de pé.
No almoço os assuntos foram variados, a maior parte comentando sobre a festa ontem, o que tinha saído na mídia, as reuniões que aconteceram ou que ainda iam acontecer, a reação da oposição democrata do Tennessee, que foi ridicularizada (momento que me segurei para não revirar os olhos). Eu me ative a comer mesmo, aceitando que meu papel ali já foi cumprido. Eu era uma mera figurante na vida do meu pai.
Pelo menos a comida estava ótima.
No entanto quando estávamos nos levantando para sair, meu pai se virou para mim.
— Faithy!
Parei, todos saindo do cômodo.
— Sim? — Ele fez o sinal com a cabeça para mim, indicando a porta que dava no jardim.
Inspirei fundo e segui com ele. Descemos as escadas até o jardim com algumas topearias até abrir em um gramado grande e então as árvores.
— Soube que está indo bem na escola — ele começou andando comigo pelo caminho de pedregulhos claros. — Que está indo bem em tudo, na verdade.
Largar as festas, os vícios, a vontade louca de jogar tudo pro alto, viver a vida sem perspectiva de futuro? É talvez sim.
Não falo nada, então Thomas respira fundo.
— Eu sei que tenho cumprido minha promessa com quase 7 milhões de tennesseanos, mas eu não tenho cumprido com a mais importante — ele olha para mim. — Você.
Inspiro fundo e desvio o olhar.
— Eu entendo que está decepcionada, e eu não te culpo por isso. A culpa é toda minha, eu fui ausente por muitos anos, mas agora, se você me der uma segunda chance, as coisas vão mudar, Faithy — ele busca meu olhar, acabo cedendo. — Eu prometo que vou ter um pai melhor, o pai que você merece.
A segunda chance foi ontem, e ele me decepcionou de novo.
Suspiro.
O senador percebeu que eu não estava tão inclinada a aceitar então soltou:
— Não sabe como eu fiquei feliz quando soube que você vinha. Pode perguntar a Marybeth. Papai dizia que você não parecia empolgada, sua avó disse que poderia insistir com você. Mas eu queria que fosse uma decisão sua. E eu entenderia se não tivesse vindo também — fungou. — Tinha todos os motivos para isso — ele olhou para os próprios sapatos engraxados pisando nas pedrinhas. — Mas quando você apareceu... — vi um pequeno sorrisinho no canto de sua boca, ele ergueu a cabeça de novo. — Eu sei que talvez você nem ligue e que minha opinião não valha de nada. Mas eu estou muito orgulhoso de você.
Eu podia dizer que não fiquei abalada com essa última afirmação. Mas seria mentira. Em toda a minha vida, eu nunca imaginei que ouviria isso sair da boca dos meus pais, de nenhum dos dois, porque eles nunca disseram. E por muito tempo eu fui orgulhosa desse feito, depois eu parei de me importar também e tanto faz. Mas ouvir...era tão diferente. Era tão...
— Você mostrou o quanto madureceu, filha. E eu sei que você já é bem grandinha, mas mostrou que realmente está se tornando uma adulta.
Então ele emenda:
— Aliás, eu soube que está namorando o filho do James Mackenzie — arqueia uma das sobrancelhas. — Vamos ter que conversar sobre isso, an?
— Então eu sou adulta para tomar atitudes maduras, mas não para namorar? — Arqueei uma das sobrancelhas e de repente vi que parecíamos duas faces da mesma moeda.
Mas quando eu me dei conta eu estava com um sorrisinho no canto da boca e ele igual.
— Sempre com a resposta na ponta da língua, você realmente é uma Hastings — ponderou casualmente com as mãos no bolso. — Talvez devesse seguir a carreira da família.
— Eu dispenso.
Thomas sorriu do seu jeito charmoso. Com certeza Marybeth havia se apaixonado por aquele sorriso, assim com minha mãe.
— Eu vou para Columbia no Dia de Ação de Graças, quero passar o feriado com você, como fazíamos quando morava aqui.
Anuí e ele acrescentou:
— Sem a parte de brincar de cavalinho, porque eu estou velho pra isso — acabei rindo ao imaginar a imagem.