Os pássaros cantavam bem na minha janela e por um momento pareceu o trecho inicial de Fuck You de Lily Allen, uma música que sempre me deixava subitamente feliz. Mas dessa vez eu não estava a fim de mandar ninguém se foder, não estava feliz por ter cometido um ato extremamente contraventor e que minha família desaprovaria e os mandaria se foder por imaginar o discurso moralista por trás, não...eu estava feliz, feliz e feliz. É obvio que existia dois terços dos pés, mãos e boca de certo xerife nisso, mas também existia outra coisa...satisfação, certo prazer, em saber que ele esteve tão interessado em mim quanto eu estive nele desde o início. E isso, esse sentimento tinha muito mais a ver com meu ego, do que com ele em si.
Virei de barriga para cima, mordendo o lábio enquanto lembrava de todos nossos encontros. Da primeira vez no posto, quando eu pensei que seria a única vez que o veria. Depois, na delegacia, quando parecia que ele era imune a qualquer charme meu...aquilo me irritou tanto. Depois na escola, novamente ele me deixou tão confusa e puta. Então na bomboniere, e no dia do jogo, logo em seguida no jantar e no bar...em pensar que todas aquelas vezes...que cada olhar, fagulha ou sombra que eu via, não era minha imaginação.
Suspiro sentindo um arrepio perpassar minha coluna, sorrio para o teto. As lembranças de ontem me enchendo enquanto eu decidia me levantar e tomar meu banho.
Toco os lábios e sinto o gosto dele, o pescoço e sinto o toque suave, mas marcante dos seus lábios, minha cintura...a memória das suas mãos resistia ali como uma tatuagem. Se eu pudesse tatuar uma memória, eu tatuaria a noite de ontem. Ao menos o final dela.
Jogo a cabeça para trás, deixando a água morna cair sobre meu rosto. E quando passo a esponja com sabonete fico com pena de tirar o cheiro que ainda pensava resistir na minha pele, o cheiro dele. O cheiro que ele deixou em mim quando passamos horas entre conversas e beijos na viatura no meio da floresta, apenas a lua e os grilos como testemunhas.
Vestida, desci para o café da manhã. Dei um beijo na bochecha de vovô e vovó, me sentei no meu lugar.
— Estou morrendo de fome — falei enquanto minhas mãos pegavam tudo o que eu planejava comer.
— Acordou disposta, que bom, querida — vovó falou com um sorriso amigável.
— Finalmente aprendendo a dormir cedo — vovô comentou e eu sorri.
Quando eles chegaram eu já estava plenamente deitada em minha cama, e embora enrolada nas cobertas, estava bem acordada pensando em tudo o que acontecera. Em como Jake me puxou um último beijo antes de me deixar voltar para casa de fininho, em como eu flutuei por todo o caminho.
— Sabe, talvez tenha sido bom ter vindo para cá — dou uma mordida na torrada, mas por baixo das sobrancelhas vejo Franklin erguer os olhos sobre o jornal para encontrar o olhar de Marjorie, ambos surpresos. — Então, como foi a quermesse?
— Você perdeu Lize, ficou tudo exatamente como imaginei — sorri.
— A cidade toda compareceu, já foi um sucesso na primeira noite, os próximos dias irão render mais ainda — vovô continuou, na voz não havia empolgação, mas orgulho, uma pitada de presunção também.
— Fico feliz, mas eu realmente não estava do clima.
— Por que não vem conosco hoje? Tem tanta gente que quer te ver, perguntaram de você ontem — Marjorie sugeriu.
Mas eu tinha planos para o sábado. E eles não envolviam conhecer a burguesia de Columbia, com certeza não.
— Poxa, eu até queria ir, mas preciso estudar. Tenho prova na segunda e o assunto é bem difícil e chato — argumentei, dando o meu melhor na atuação.
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TENNESSEE
RomanceO mundo paralisou quando eu o vi pela primeira vez. O homem mais lindo, magnético e aterrorizante que conheci. E eu, que odiava ouvir um não, não iria desistir enquanto não tivesse aquele xerife aos meus pés. "Você sempre será minha doce e degenera...
