A aula de biologia foi, como sempre, um sonífero. Mas eu estava me esforçando, então não, eu não dormi. Um milagre aconteceu, porque além disso, eu também prestei atenção. Não que a vida dos insetos fosse interessante, mas eu não sei, ver Emily e Caroline tão aplicadas em estudar para passar no concurso e na universidade, respectivamente...não era como se eu quisesse o mesmo, mas sei lá, de alguma forma elas me inspiraram a me esfossar na escola e não só viver como um ser tão hedonista.
Na aula de educação física, a qual eu não participava com a desculpa de que era asmática demais para qualquer tipo de exercício físico, fiquei sentada na arquibancada já que era obrigada a ficar ali para pelo menos contar a presença. Acenei para Emily e Caroline correndo na pista de atletismo ao redor do campo onde o time treinava, meus óculos escuros diminuindo a incidência do sol na minha vista. Elas fizeram careta de cansadas e eu ri. Mas não pude deixar de perceber quando Emily fez a curva e Peter ficou piscou para ela. A baixinha abaixou o rosto e continuou correndo, e eu tinha certeza, para alguém como Peter, Emily era como um prêmio, seu maior desafio e conquista. E eu sabia, que para alguém como Emily, que ver aquele garoto bronzeado, musculoso e idiotamente confiante por ser pegador era como uma kryptonita. Eu conhecia essa história, sabia o fim dela e não era nada bom.
Observei o grupo que corria um pouco disperso, então inspirei devagar, e tombei a cabeça para trás o sol do Tennessee já havia me deixado bem mais bronzeada que o comum. Despertei quando senti meu celular vibrar.
Bender: Ta aonde?
Eu respondi:
Na aula de educação física, onde você deveria estar, mocinha.
Ela colocou um emoji revirando os olhos.
Bender: Ta doida? Não faço essa aula a uns 8 anos, se o Smith me pegar ele vai lembrar que eu existo e me arrastar para a pista.
Ri.
Bender: Então vamos sair sábado? Bar do Phill? Ainda to te devendo umas cervejas.
Suspirei pesadamente. Logo no sábado?
Não vai dar.
Bender: Seus avós de novo?
Sim, você sabe como os Hastings são...
Bender: Eu to cansada de chamar você e receber um não. As vezes acho que você está se afastando de propósito.
Eu sabia que Jake não me queria perto dos desajustados, e eu tinha ideia dos seus motivos. Diferente dos Hastings não tinha nada a ver com imagem, eu sabia que era para meu bem e isso me fazia sentir insegura por um instante, mas eu não ia me afastar dos meus amigos, por ninguém.
Você sabe que isso não é verdade. Nós podemos ir outro dia. Que tal na sexta, depois da aula?
A loira demorou para responder.
Bender: Ta, ta. Eu te pego no mesmo lugar.
Sorri e soltei o celular no banco.
Mais tarde naquele dia tive mais uma aula de direção com Jake, estava indo tão bem que ele me disse que já poderia ir marcando a prova. E eu já havia arrumado uma desculpa para meus avós que meus amigos estavam me ajudando, então não seria nenhuma surpresa eu chegar finalmente com a cadeira de motorista. Mas a melhor parte disso tudo com certeza era as poucas horas juntos que tínhamos depois da aula, quando ficávamos juntos, e eu não falo só de todo aquele fogo que ardia quando nos tocávamos, mas das conversas, da presença. Eu poderia passar horas com ele e não me cansaria, porque sempre tínhamos do que falar, sempre tínhamos algo a dividir. Jake me fazia contar da escola, e eu o fazia contar do seu trabalho, no início ele pareceu reticente sobre isso na verdade.
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TENNESSEE
CintaO mundo paralisou quando eu o vi pela primeira vez. O homem mais lindo, magnético e aterrorizante que conheci. E eu, que odiava ouvir um não, não iria desistir enquanto não tivesse aquele xerife aos meus pés. "Você sempre será minha doce e degenera...
