²O início do desconhecido

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O sol da tarde se refletia nas janelas das Empresas Wayne, criando padrões de luz e sombra no piso de mármore do lobby. Eu saí do prédio com uma mistura de expectativa e apreensão. O encontro com Bruce Wayne havia sido breve, mas carregado de significado. A ideia de começar um novo trabalho, especialmente um tão delicado, estava me consumindo por dentro.

A cidade de Gotham estava sempre em movimento, um turbilhão de carros e pessoas que pareciam nunca desacelerar. Respirei fundo e me pus a caminhar, pensando sobre o que Bruce havia dito. A proteção de Damian Wayne não era apenas uma tarefa comum; era uma questão de segurança de alto nível, envolvendo mais do que apenas vigilância.

— Então você vai proteger Damian Wayne, é? — perguntou uma voz familiar. Era Jake, meu colega de trabalho no GCDP, que estava passando por ali.

— É isso mesmo — respondi, tentando esconder a ansiedade. — Acabei de sair da reunião com Bruce. Ele parece ter uma grande confiança em mim.

Jake levantou uma sobrancelha, um sorriso irônico brincando em seus lábios.

— A Wayne Enterprises e seus segredos. Boa sorte com isso. Sei que você pode lidar com qualquer coisa, mas só não se esqueça de que Gotham tem uma maneira peculiar de mostrar suas garras.

Agradeci o apoio e me despedi de Jake antes de seguir para minha moto. A sensação de liberdade que ela me proporcionava contrastava com o peso da nova responsabilidade que eu carregava. Sabia que, a partir do momento em que eu entrasse na mansão Wayne no dia seguinte, a minha vida mudaria de forma irreversível.

O dia seguinte chegou com um céu nublado, uma característica comum de Gotham. Estava pronta para o que parecia ser uma nova etapa da minha vida. Arrumei-me de forma adequada, vestindo uma roupa profissional, mas discreta, para a primeira impressão na mansão Wayne.

O caminho até a mansão era impressionante, e ao chegar, o portão de ferro fundido e os jardins bem cuidados eram apenas o prelúdio para a grandiosidade que eu estava prestes a conhecer. A mansão era ainda mais imponente do que eu havia imaginado, e quando o carro parou em frente à entrada principal, eu pude ver o verdadeiro tamanho da propriedade.

Fui recebida pelo mordomo da família Wayne. Ele estava à porta, com uma expressão de cordialidade e um ar de formalidade que parecia ser parte de sua própria personalidade.

— Bom dia, senhorita Drake — saudou Alfred, com um tom de voz que misturava respeito e uma leve nota de curiosidade. — Sou Alfred Pennyworth. Agradeço por vir.

— Bom dia, Alfred — respondi, estendendo a mão para cumprimentá-lo. — Agradeço por me receber.

Ele aceitou meu aperto de mão com um sorriso profissional e me conduziu para dentro da mansão. A primeira coisa que me impressionou foi o cheiro do ambiente — um misto de madeira polida e algum tipo de fragrância sutil que parecia simbolizar a história e a tradição.

— O senhor Wayne está esperando por você na sala de estar — informou Alfred enquanto me guiava pelos corredores. — Damian também está por aqui.

— Damian, o filho do Bruce? — perguntei, tentando me preparar mentalmente para encontrar o jovem que estava para se tornar o centro das minhas atenções.

Alfred acenou com a cabeça.

— Sim, senhorita Drake. Ele está em casa esta manhã e, como de costume, está bastante envolvido em seus próprios assuntos. No entanto, ele está ciente da sua chegada e estará ansioso para se encontrar com você.

Seguimos até a sala de estar, uma área ampla e elegantemente decorada, onde Damian Wayne estava sentado em uma poltrona, lendo algum documento. O jovem era, sem dúvida, um reflexo da alta sociedade de Gotham, com um porte que indicava uma combinação de confiança e autoridade. Ele tinha cerca de 23 anos, o que o fazia um pouco mais velho do que eu, e sua postura era a de alguém que estava acostumado a ser ouvido.

Alfred se aproximou e fez uma breve apresentação.

— Senhor Damian, esta é Astrid Drake, a nova responsável pela sua segurança. Astrid, este é Damian Wayne.

Damian levantou os olhos do documento e me observou com um olhar avaliador. Seus olhos verdes eram penetrantes, e havia uma aura de desdém e curiosidade misturados em seu olhar.

— Senhorita Drake — disse ele, com uma voz que não escondia a sua indiferença. — Bruce me falou sobre você. Espero que você possa realmente se adequar ao que está por vir.

Manteve a postura relaxada, mas havia um tom de desafio em sua voz. Não era a primeira vez que encontrava pessoas que preferiam ser difíceis logo de cara, e isso não me surpreendia.

— Damian — comecei, tentando manter um tom profissional. — Estou aqui para garantir sua segurança, e estou comprometida em entender e lidar com qualquer situação que possa surgir.

Damian ergueu uma sobrancelha e se levantou da poltrona, indo até a janela e olhando para o jardim lá fora.

— É bom ouvir isso. Minha vida pode não ser exatamente normal, e, como você pode imaginar, isso pode trazer alguns desafios únicos.

Eu o observei, notando a forma como ele se movimentava pela sala com uma confiança que beirava a arrogância.

— Bruce mencionou que você tem uma série de responsabilidades e interesses que exigem segurança adicional. Se você puder me fornecer mais detalhes sobre o que está acontecendo, será mais fácil para mim fazer meu trabalho.

Damian virou-se para me encarar, seus olhos mais suavizados, mas ainda carregando uma pitada de desconfiança.

— Meu pai prefere manter as coisas em segredo — explicou ele. — Mas vou te dizer o que sei. Há ameaças que podem vir de várias direções, e algumas delas têm a ver com os meus negócios e com o que minha família representa. Não é apenas uma questão de segurança pessoal, mas também de proteger interesses maiores.

Eu assenti, absorvendo as informações.

— Entendo. E o que você acha que eu deveria saber para começar?

Damian começou a se mover pela sala novamente, pegando um tablet e mostrando algumas imagens e dados sobre as recentes ameaças. Era claro que ele estava tentando avaliar minha reação e preparação.

— Este é o tipo de informação com o qual você terá que se familiarizar — disse ele, passando os documentos e relatórios. — Considere isso como um ponto de partida. Alfred pode ajudá-la a se adaptar e a entender melhor a dinâmica da casa e o que é esperado de você.

Alfred fez um sinal para que eu o seguisse enquanto Damian se afastava para seu escritório, onde parecia se perder em seus próprios pensamentos e atividades.

— Siga-me, por favor — disse Alfred, guiando-me pelos corredores. — Vou mostrar-lhe os principais pontos da mansão e alguns detalhes sobre as medidas de segurança.

À medida que caminhávamos, eu observava a mansão com mais atenção, notando detalhes como câmeras de segurança discretamente posicionadas e sistemas de alarme integrados. Alfred explicou tudo com paciência, e eu comecei a me sentir mais preparada para a tarefa à frente.

— Este é o escritório do senhor Wayne — disse Alfred, apontando para uma porta. — Aqui é onde ele frequentemente trabalha, e onde você pode encontrá-lo se precisar discutir questões relacionadas à segurança.

Ele me levou a uma área de descanso, onde eu poderia me instalar e começar a me familiarizar com os detalhes das minhas novas responsabilidades. A mansão Wayne era um lugar de contrastes, com sua aparência de riqueza e segurança escondendo camadas mais profundas de complexidade e mistério.

— Amanhã você começará oficialmente — disse Alfred. — Até lá, recomendo que se familiarize com a casa e com os documentos que o senhor Wayne deixou para você.

Eu agradeci e comecei a revisar os materiais fornecidos. Sabia que a tarefa à minha frente não seria fácil, mas estava disposta a enfrentar qualquer desafio que surgisse.

Enquanto examinava os documentos, não pude deixar de pensar sobre Damian Wayne e o que ele realmente representava. Sua atitude e o ambiente em que vivia eram apenas uma parte de um quadro maior, e eu estava prestes a me aprofundar nesse mundo.

A Guarda de Damian WayneOnde histórias criam vida. Descubra agora