🍁CAPÍTULO 10🍁

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As semanas que se seguiram trouxeram mudanças para Louis, mas não como todos esperavam. O menino que antes se escondia nos cantos e procurava refúgio em livros agora carregava no olhar algo diferente, uma centelha de determinação que não passava despercebida. As feridas em seu corpo cicatrizavam aos poucos, mas a verdadeira transformação acontecia em sua alma. A dor física havia sido superada, mas o trauma, a humilhação e o medo tinham se transformado em algo mais: uma revolta silenciosa que crescia dentro dele.

Naquela manhã, Louis saiu do dormitório mais cedo, seus passos mais firmes, seu olhar mais resoluto. Os livros, que antes eram seus maiores companheiros, agora permaneciam intocados, empilhados em um canto do quarto, esperando que ele voltasse para eles. Mas Louis tinha outras prioridades. Ele precisava ser mais forte, precisava aprender a se defender, a não ser mais o alvo fácil dos outros.

O orfanato tinha um pátio com alguns poucos equipamentos de exercício esquecidos, ferrugem tomando conta deles. Nada ali era próprio para um treinamento de verdade, mas ele usava o que tinha. Pegava blocos de madeira e corria em volta do pátio, fazia flexões até que os braços queimassem, levantava e abaixava repetidas vezes, desafiando seus limites. Sentia a dor nos músculos, mas era uma dor que lhe trazia um estranho alívio. Cada gota de suor, cada segundo de esforço era um passo em direção a uma nova versão de si mesmo.

Enquanto treinava, lembrava-se de cada agressão, de cada risada de escárnio, de cada noite em que chorou em silêncio no canto do quarto, sem ninguém para consolá-lo. Essas lembranças lhe davam força. Ele podia sentir sua determinação se consolidando, um desejo profundo de não mais se submeter ao papel de vítima. Não seria mais o ômega frágil e indefeso que todos viam, o alvo fácil que não reagia.

Certa vez, ao se levantar de um treino exaustivo, Louis avistou o reflexo em uma das janelas próximas. Seu rosto estava marcado pelo esforço, os cabelos bagunçados pelo suor, mas havia algo diferente em sua expressão: um brilho de coragem. Pela primeira vez, ele se sentia no controle de algo, mesmo que fosse apenas de seu próprio corpo. Era uma mudança pequena, mas poderosa, uma prova de que, mesmo em um lugar onde ninguém parecia acreditar nele, ele poderia acreditar em si mesmo.

Os colegas começaram a notar a mudança. Alguns ainda tentavam provocá-lo, mas ele agora sabia manter o queixo erguido e o olhar firme. Não respondia mais com o medo estampado no rosto. Não recuava. Não abaixava os olhos. Sua postura já era um aviso. Mesmo aqueles que antes o desprezavam sentiam uma tensão no ar quando passavam por ele.

Entre esses, estava o gêmeo de cabelos castanhos, que observava Louis com uma curiosidade ainda mais intensa. Ele via os traços do menino franzino de antes, mas algo parecia ter se transformado. Havia um novo propósito no modo como Louis se movia, um cuidado meticuloso na forma como ele passava por aqueles que antes o intimidavam.

Louis notou o olhar do gêmeo de cabelos castanhos sobre si, e, ao contrário de antes, não desviou. Sentiu uma faísca de algo que não sabia nomear. Não era desafio, nem exatamente raiva, mas uma coragem que emergia, junto com o desejo de ser visto como alguém que merecia respeito.

Naquela tarde, enquanto voltava ao dormitório, Louis refletia sobre o quanto havia mudado em tão pouco tempo. Sua mão ainda doía dos exercícios que fizera, mas a dor física era mínima comparada ao fogo que ardia em seu peito. Ele sabia que o mundo ao redor ainda o enxergava como o ômega frágil, mas, por dentro, ele era agora algo diferente. Estava disposto a seguir em frente, a se erguer mais forte.

Antes de dormir, olhou para o teto e sentiu uma esperança que nunca havia experimentado. Sabia que teria um longo caminho pela frente, que ainda haveria desafios e humilhações, mas agora tinha algo mais valioso: a força de um espírito que não se quebraria facilmente.

DOIS ALFAS UMA BARRIGA DE ALUGUEL [CONCLUÍDO]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora