🍁CAPÍTULO 24🍁

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Louis chorava, encostado na parede fria do beco. As lágrimas escorriam silenciosas, uma mistura de raiva, tristeza e cansaço. Seus ombros tremiam enquanto ele lutava para engolir o nó em sua garganta, mas o peso da fome, da rejeição e da desesperança era demais para suportar.

O som repentino de pneus rangendo no asfalto o tirou de seu transe. Ele olhou para a entrada do beco e viu a viatura da polícia parar bruscamente. A adrenalina percorreu seu corpo em um segundo, substituindo o cansaço. Ele sabia o que vinha a seguir.

Antes que pudesse reagir, os outros moradores de rua começaram a correr. A confusão tomou conta do local. Louis tentou se mover, mas estava lento, suas pernas pareciam presas ao chão pelo peso de meses de desespero. Em questão de segundos, dois policiais saíram da viatura e avançaram sobre o grupo como predadores.

— Peguei você, seu vagabundo! — gritou um deles, segurando Louis pelo braço e o puxando para trás com força.

Louis tentou resistir, mas foi inútil. O policial, um homem robusto e sarcástico, o imobilizou em um mata-leão apertado. A pressão em seu pescoço era sufocante, e a dor irradiava por suas costas.

— Olha só, um mendigo lutando como se tivesse chance! — zombou o policial, enquanto o outro ria abertamente.

— Aposto que ele vai chorar pela mamãe! — debochou o parceiro.

Louis cerrou os dentes, a raiva queimando dentro dele. Cada risada daqueles homens era um lembrete do quanto ele havia caído, do quanto o mundo o tratava como nada. Ele queria gritar, mas sabia que isso só pioraria as coisas. Em vez disso, engoliu o grito e deixou o ódio crescer em silêncio.

Então, um terceiro policial saiu da viatura.

Louis ouviu seus passos firmes e lentos, e quando levantou os olhos, viu um homem alto e forte, com um rosto sério. Sua barba escura dava um ar de autoridade, e seus olhos negros brilhavam com uma intensidade que parecia cortar a escuridão do beco. Ele caminhou até os dois colegas e parou a poucos passos de distância, cruzando os braços.

— O que diabos vocês estão fazendo? — perguntou, sua voz grave e fria.

Os dois policiais pararam de rir imediatamente.

— Estamos controlando esses vagabundos, chefe — respondeu um deles, ainda segurando Louis com força.

O homem deu um passo à frente, e a tensão no ar aumentou.

— Controlando? — ele repetiu, sua voz carregada de desprezo. — Isso parece mais um circo do que uma operação policial. Solte ele agora.

— Mas, chefe, ele...

— Agora.

Relutantemente, o policial soltou Louis, que caiu de joelhos no chão, engasgando enquanto tentava recuperar o fôlego. Ele olhou para cima, encarando o homem que havia falado. Algo nele parecia vagamente familiar, mas Louis não conseguia identificar o que era.

O terceiro policial se aproximou dele, olhando-o com uma expressão séria, mas sem o desdém que os outros tinham. Ele se abaixou levemente, ficando no mesmo nível de Louis.

— Está bem? — perguntou, sua voz menos fria desta vez.

Louis não respondeu de imediato. Ele estava tentando processar o que estava acontecendo. Quando seus olhos encontraram os do policial, tudo voltou como um raio.

Edward.

A memória veio em flashes. O rosto de Edward mais jovem, sem a barba, com olhos que antes transmitiam segurança. A voz firme, mas calorosa. Os momentos compartilhados, as palavras ditas e as não ditas. Louis sentiu o peito apertar ao reconhecer o homem diante dele.

DOIS ALFAS UMA BARRIGA DE ALUGUEL [CONCLUÍDO]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora