🍁CAPÍTULO 28🍁

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A manhã estava fria e cinzenta, como se Londres ainda não tivesse acordado completamente. Louis e Liam caminhavam lado a lado pelas ruas movimentadas ao redor do hospital, mas o silêncio entre eles era quase ensurdecedor. Louis olhou de relance para Liam, que mantinha o rosto baixo, os passos hesitantes. Ele parecia frágil, mas havia algo nos olhos dele, um brilho tímido que desafiava aquela vulnerabilidade.

Ao se aproximarem da calçada principal, Louis pigarreou, quebrando o silêncio.

- Então... você vai pra casa agora? - Ele tentou soar casual, mas a verdade era que ele não sabia como se despedir.

Liam parou no meio do caminho, o olhar se voltando para Louis com uma mistura de surpresa e determinação.

- Você acha que vou te deixar voltar pra rua? - perguntou, a voz subindo de tom.

Louis piscou, surpreso.

- O quê? Não, cara, tá tudo bem. Eu me viro, sempre me virei.

Liam balançou a cabeça com veemência.

- Não! Você não vai voltar pra aquela praça. - Ele deu um passo à frente, quase apontando o dedo no peito de Louis. - Você me ajudou ontem, você ficou comigo. Agora é a minha vez.

Louis deu um passo para trás, as mãos levantadas em rendição.

- Calma aí, eu não fiz nada de mais. Só... só fiz o que qualquer um faria.

- Qualquer um? - Liam riu amargamente. - Você acha que qualquer um teria parado? Que qualquer um teria ficado ao meu lado no hospital, me segurado quando eu achava que ia desmoronar? - Ele deu um passo mais perto, os olhos brilhando com emoção. - Louis, eu não sei o que teria acontecido comigo se você não estivesse lá.

Louis sentiu o peito apertar. Ele desviou o olhar, envergonhado.

- Eu não sou ninguém, Liam. Só um cara quebrado, igual você.

- E daí? - Liam rebateu, a voz suave agora. - Amigos cuidam uns dos outros. E, se você não percebeu ainda, nós somos amigos agora.

Louis encarou o jovem à sua frente, tão frágil, mas com uma força inesperada nos olhos. Antes que pudesse responder, Liam virou-se e começou a andar apressadamente em direção ao ponto de ônibus.

- Vai me seguir ou não? - Liam gritou por cima do ombro.

Louis riu baixinho, balançando a cabeça. Algo nele sabia que era inútil discutir com Liam. Ele acelerou os passos e o alcançou no ponto.

O ônibus chegou poucos minutos depois, e os dois subiram em silêncio. Louis escolheu um assento perto da janela, e Liam sentou-se ao lado dele. O barulho do motor e o movimento da cidade criavam um pano de fundo quase hipnótico, e nenhum dos dois tentou iniciar uma conversa.

Após quase uma hora de viagem, o ônibus parou em um bairro de classe média baixa. Liam deu o sinal e desceu primeiro, com Louis o seguindo. Eles caminharam por ruas tranquilas, onde as casas simples eram cercadas por jardins descuidados e carros estacionados em calçadas estreitas.

Finalmente, Liam parou em frente a uma casa de tijolos aparentes, com uma porta azul desbotada. Ele se virou para Louis, que o observava com uma expressão indecifrável.

- É aqui que eu moro. - Liam apontou para a porta.

Louis cruzou os braços, hesitante.

- Tá, e o que eu tô fazendo aqui?

Liam suspirou, como se estivesse tentando reunir paciência.

- Você vai entrar, vai tomar um café, e vai me ouvir.

DOIS ALFAS UMA BARRIGA DE ALUGUEL [CONCLUÍDO]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora