🍁CAPÍTULO 47🍁

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Duas semanas haviam se passado, e Harry começava a dar sinais de melhora. Ele ainda não era o mesmo, mas ver meu irmão se levantando, cuidando da casa e tentando retomar algum senso de normalidade era um alívio. Ele estava de licença médica do trabalho como bombeiro, e eu sabia que manter a mente ocupada ajudava.

Eu, por outro lado, mergulhava cada vez mais fundo no trabalho. Investigando homicídios nos subúrbios da cidade, tentava equilibrar minha vida profissional com o plano sombrio que havia colocado em prática. Era um malabarismo perigoso, mas eu me dizia que valia a pena.

Enquanto analisava uma cena de crime, meu telefone tocou. Era o homem que eu havia contratado para se aproximar de Louis, alguém com a missão específica de convencê-lo, de forma sutil, a aceitar a ideia de uma barriga de aluguel.

- E então? - Perguntei, afastando-me dos colegas para falar em particular.

- Ele ainda está relutante. - A voz do homem era tranquila, quase casual, mas carregava um peso imenso para mim. - Mas posso garantir que está considerando seriamente. Ele precisa do dinheiro.

Senti um misto de alívio e culpa me atravessar como uma faca. A possibilidade de sucesso parecia próxima, mas a maneira como isso estava sendo feito me corroía por dentro.

- Continue insistindo, mas com cuidado. Não podemos forçá-lo diretamente.

- Entendido. - Ele desligou, deixando-me sozinho com meus pensamentos.

As horas seguintes foram um borrão. Eu tentava me concentrar no trabalho, mas minha mente voltava constantemente para Louis e o que ele estava pensando. Será que ele entendia o que estava em jogo? Será que ele percebia a rede de manipulações em que estava sendo envolvido?

Por volta das quatro da tarde, enquanto eu estava revisando os últimos relatórios do dia, meu telefone tocou novamente. Era o médico.

- Edward? - A voz do outro lado era calma, mas carregava uma nota de formalidade.

- Sim, sou eu.

- Está feito. O procedimento foi um sucesso. O ômega está grávido de dois gêmeos. Se tudo correr como o esperado, em nove meses você e Harry serão pais.

Fiquei em silêncio por um momento, absorvendo o que ele havia acabado de dizer. Dois gêmeos. Meu plano funcionou.

- Obrigado. - Murmurei, desligando o telefone logo em seguida.

Por alguns segundos, deixei um sorriso escapar. A ideia de que tudo estava se encaixando me preencheu de uma felicidade quase absurda. Dois bebês. A chance de dar a Harry algo que o fizesse sentir que a vida valia a pena de novo.

Mas a alegria foi rapidamente substituída por um peso esmagador.

Eu havia manipulado tudo. Manipulado Harry, Louis, e até mesmo a vida que agora crescia dentro daquele ômega. O que eu fizera era algo que não poderia ser desfeito.

Voltei para casa naquela noite com um nó no estômago. Harry estava na sala, dobrando roupas, algo tão mundano e simples que parecia quase irreal diante do turbilhão que se desenrolava dentro de mim. Ele olhou para mim e sorriu.

- Ei, como foi o dia?

- Cansativo. - Respondi, evitando seus olhos.

- Parece que foi. - Ele disse, voltando sua atenção para a pilha de roupas.

Eu queria contar. Queria dizer a ele o que havia feito, mas sabia que era impossível. Ele não entenderia. Talvez nunca perdoasse.

Naquela noite, depois que Harry foi dormir, fiquei sentado na sala com uma garrafa de uísque pela metade. O líquido queimava minha garganta, mas não era suficiente para apagar a culpa que latejava dentro de mim.

Olhei para o vazio, murmurando para mim mesmo:

- O que eu fiz?

Mas não havia ninguém para responder. Só o silêncio, pesado e sufocante, como o fardo que eu agora carregava.

A madrugada havia se instalado silenciosa no apartamento. As luzes estavam apagadas, exceto pelo brilho frio do meu notebook. Harry dormia no quarto, e eu estava sentado no sofá da sala, com um copo de uísque na mão. Tentei desligar minha mente, mas a inquietação me corroía por dentro. A culpa por tudo o que eu havia feito pesava em meus ombros, mas, ao mesmo tempo, algo mais sombrio e confuso emergia dentro de mim.

Abri o notebook e, hesitante, digitei a senha do drive que continha todas as informações sobre Louis. O investigador havia sido minucioso, como eu pedira. Relatórios detalhados, rotinas diárias e, claro, fotos. Muitas fotos.

Cliquei na primeira pasta, e uma sequência de imagens surgiu. Louis caminhando pela rua, segurando uma sacola de compras; Louis sentado em um café, o olhar perdido em algum ponto além da câmera; Louis sorrindo enquanto falava com alguém que não aparecia no enquadramento.

Meu coração começou a acelerar. Ele havia mudado tanto desde o orfanato. O menino franzino e tímido agora era um homem. Um homem com traços maduros, um leve peso que apenas o tornava ainda mais belo, como se carregasse em si a história dos anos que passaram.

Fiquei encarando uma foto específica. Ele estava sentado em um parque, os raios de sol iluminando seu rosto, destacando cada linha e curva. Seus olhos, que eu sabia que eram de um azul profundo, estavam semicerrados, como se estivesse em um momento de paz rara.

Suspirei, passando a mão pelo rosto. Eu sabia que olhar essas fotos era errado. Eu havia contratado aquele investigador para ajudar a moldar meu plano para Harry, mas agora... agora parecia que aquilo estava se transformando em algo mais.

De repente, senti uma onda de calor subir pelo meu peito. Algo mais forte do que culpa, algo que eu não queria admitir.

- Não. - Murmurei para mim mesmo, fechando os olhos e tentando afastar aquele pensamento.

Mas era tarde demais. Uma parte de mim não conseguia parar de pensar nele. Não no Louis como peça do meu plano, mas no Louis como ele era agora. Um homem, completo em sua beleza e vulnerabilidade.

Passei para a próxima foto e depois outra. Cada uma parecia mexer mais comigo. Havia algo na maneira como ele carregava aquela mistura de força e fragilidade, como se o mundo o tivesse quebrado várias vezes, mas ele ainda permanecesse de pé.

"Isso não é sobre mim," pensei, tentando convencer a mim mesmo. "Isso é sobre Harry."

Mas a linha entre o que eu fazia por meu irmão e o que começava a sentir por Louis estava se tornando cada vez mais borrada.

Fechei o notebook abruptamente, como se isso pudesse encerrar o turbilhão dentro de mim. Me levantei e andei pela sala, o som dos meus passos ecoando no espaço vazio.

- Isso não é certo. - Falei em voz alta, tentando me convencer.

Mas, no fundo, sabia que algo havia mudado. O desejo que começava a crescer dentro de mim não era algo que eu pudesse simplesmente ignorar. E esse desejo trazia consigo mais dúvidas, mais culpa, mais complicações.

Encostei na janela, olhando para a cidade silenciosa abaixo. O que antes parecia um plano controlado, algo que eu fazia por Harry, agora estava escapando do meu controle. Louis não era apenas uma peça. Ele era real. E, de alguma forma, ele começava a ocupar um espaço em minha mente que eu não sabia como lidar.

Fechei os olhos, encostando a testa no vidro frio. A batalha dentro de mim continuava, e eu sabia que, independentemente do que acontecesse, as coisas jamais seriam as mesmas. Um desejo enorme de vê-lo novamente me fez quase sair do chão, como Harry estava sob efeito de medicamentos ele não acordaria tão cedo na manhã seguinte, então peguei as chaves da moto de Harry e dei um beijo de boa noite nele, desliguei as luzes e sai.

Continua...

DOIS ALFAS UMA BARRIGA DE ALUGUEL [CONCLUÍDO]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora