🍁CAPÍTULO 29🍁

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A casa estava silenciosa, envolta pelo som distante de pássaros e o movimento leve do vento lá fora. Liam havia se recolhido ao quarto horas antes, exausto, tanto física quanto emocionalmente. Os remédios o deixaram sonolento, e ele sequer tentou lutar contra o sono. Louis o ajudou a se acomodar na cama, cobrindo-o com o cobertor até os ombros.

- Dorme bem, tá? - Louis sussurrou, mesmo sabendo que Liam já estava quase inconsciente.

Quando fechou a porta do quarto, Louis respirou fundo, sentindo o peso da responsabilidade que, de alguma forma, agora compartilhava com aquele jovem. Ele caminhou pelo corredor até o quarto que Liam havia designado para ele.

Era simples, mas confortável. A cama tinha um colchão que parecia macio, um pequeno guarda-roupa de madeira estava encostado na parede, e o aquecedor no canto do cômodo emanava um calor constante. Para Louis, que estava acostumado ao frio das noites ao relento, aquilo era um luxo inimaginável. Ele passou os dedos pela colcha da cama, como se precisasse confirmar que era real.

- Um lugar só meu... - murmurou para si mesmo, sentindo algo quente e inesperado crescer dentro do peito.

Mas Louis não conseguia descansar. Ele olhou para o pequeno quarto vazio e depois para o corredor que levava à sala de estar. A casa de Liam, apesar de acolhedora, mostrava sinais de descuido. Havia pratos empilhados na pia, poeira acumulada em alguns móveis e roupas largadas em uma cadeira na sala. Não era difícil perceber que Liam vivia sozinho e, provavelmente, lidava com muitas coisas sozinho também.

Louis suspirou, levantando-se da cama. Ele não tinha nada para arrumar no quarto e sabia que não conseguiria dormir enquanto sentisse que podia fazer algo útil. Decidido, foi até a cozinha.

Primeiro, lavou a louça. A água quente ajudava a aliviar o frio que ainda parecia preso em suas mãos, e ele se concentrou em cada prato, xícara e talher, como se aquilo fosse uma espécie de terapia. Depois de secar tudo, arrumou o pequeno armário da cozinha, organizando os pratos e copos no lugar certo.

Ele seguiu para a sala. Dobrou as roupas jogadas na cadeira, empilhou os livros que estavam espalhados na mesinha de centro e passou um pano úmido nos móveis. Com cada gesto, sentia-se mais conectado com aquele espaço. Não era sua casa, mas estava começando a se sentir como um lar - e isso o assustava e o confortava ao mesmo tempo.

Quando terminou na sala, Louis foi até o banheiro. A limpeza ali era mínima, mas ele esfregou o espelho e limpou a pia e o vaso sanitário. De alguma forma, o trabalho o mantinha focado, afastando as memórias que insistiam em invadir sua mente quando ele ficava parado por muito tempo.

Horas depois, a casa parecia mais arrumada. Não era uma transformação completa, mas os detalhes faziam a diferença. Louis olhou ao redor, satisfeito. Ele enxugou o suor da testa e finalmente voltou para o quarto que Liam havia cedido.

Antes de deitar, passou pela porta do quarto de Liam, abrindo-a com cuidado para não fazer barulho. Ele encontrou o amigo profundamente adormecido, respirando de forma regular. Por um momento, Louis ficou ali, parado, observando.

- Você não precisa carregar isso sozinho. - murmurou, mais para si mesmo do que para Liam.

Fechando a porta com cuidado, ele foi para o próprio quarto. Sentou-se na beirada da cama, sentindo o calor do aquecedor preencher o espaço. Era a primeira vez em meses que ele estava em um lugar onde podia simplesmente parar, sem medo de ser atacado, expulso ou ignorado.

Ele passou os dedos pelos cabelos, pensando no que o futuro reservava. Liam era um estranho até a noite anterior, mas agora parecia ser a única pessoa que o entendia, que sabia o peso das cicatrizes invisíveis que eles compartilhavam.

DOIS ALFAS UMA BARRIGA DE ALUGUEL [CONCLUÍDO]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora