🍁CAPÍTULO 14🍁

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O sol de sábado se arrastava pelo céu, tingindo o pátio do orfanato com um calor ameno e uma luz dourada, enquanto a tarde seguia lentamente. Para Louis, porém, o tempo parecia se arrastar ainda mais, acompanhado por uma sensação de vazio difícil de ignorar. As palavras de Harry daquela manhã ainda ecoavam em sua mente. Por mais que soubesse que nutrir sentimentos por ele era arriscado, havia se deixado levar, e agora sentia o peso da realidade cair sobre seus ombros.

Harry percebeu que algo estava errado. Ele observava Louis se manter em silêncio, o olhar distante, fixo em qualquer ponto que não fosse ele. Decidido a animar o amigo, Harry chamou-o para a velha academia, na tentativa de distraí-lo com alguma atividade.

— “Vamos, Louis. Quero ver se você consegue me derrubar desta vez.” — disse ele, sorrindo de forma encorajadora, enquanto se posicionava para um treino.

Louis, no entanto, cruzou os braços e desviou o olhar, sem o menor entusiasmo.

— “Não tô no clima hoje, Harry.” — respondeu ele, com um suspiro, fingindo indiferença.

Harry deu um passo mais perto, observando o rosto do amigo com atenção.

— “Tá tudo bem, Louis? Você anda meio… distante.” — ele perguntou, a voz carregada de preocupação genuína.

Louis respirou fundo, evitando encontrar os olhos de Harry. Não queria transparecer sua decepção, nem queria que ele percebesse o turbilhão de sentimentos que sentia.

— “Só… não tô no meu melhor dia.” — respondeu ele, de forma vaga.

Harry, determinado a fazer Louis se abrir, insistiu.

— “Tá na cara que tem algo te incomodando. Vai, me conta. Quem sabe eu não consiga ajudar?”

Louis finalmente o encarou, mas seus olhos transmitiam uma tristeza que ele tentava esconder.

— “Você não entenderia, Harry.” — disse ele, soltando um pequeno riso sem humor. — “Nem eu entendo, pra ser sincero.”

Harry franziu a testa, claramente confuso, mas sem desistir.

— “Então, me deixa tentar entender. Somos amigos, não somos?” — perguntou ele, colocando uma mão no ombro de Louis.

Aquela palavra — amigos — soou como uma faca girando no coração de Louis. Por mais que quisesse apenas a amizade de Harry, uma parte dele ansiava por algo mais. Mas ele sabia que era impossível. Sabia que, para Harry, ele era apenas um amigo, e aquilo o machucava profundamente.

— “Sim, somos amigos.” — respondeu ele, tentando manter a voz firme. — “Mas, às vezes, parece que você não percebe o que tá bem na sua frente.”

Harry o encarou, claramente surpreso com a intensidade nas palavras de Louis.

— “O que você quer dizer com isso?” — ele perguntou, a voz suave, mas séria.

Louis hesitou, mas percebeu que precisava ser honesto, ao menos até onde pudesse sem revelar tudo o que sentia.

— “Harry, às vezes… só às vezes… eu queria que você entendesse o que eu sinto, sem eu precisar dizer nada.” — disse ele, desviando o olhar. — “Mas acho que é muito pedir, não é?”

Harry ficou em silêncio, sem saber como responder. Ele sentia que havia algo mais nas palavras de Louis, algo que ele não conseguia captar completamente, mas que parecia importante.

Ele se aproximou ainda mais, tentando quebrar a barreira que Louis erguera.

— “Olha, eu sei que às vezes eu posso ser meio… devagar pra entender as coisas.” — disse ele, com um sorriso tímido. — “Mas eu me importo com você, Louis. De verdade. Então, se precisar de mim… tô aqui.”

DOIS ALFAS UMA BARRIGA DE ALUGUEL [CONCLUÍDO]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora