🍁CAPÍTULO 67🍁

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🍁Zayn

A noite caía com uma ferocidade que parecia refletir meu próprio coração. Do lado de fora da janela, a chuva deslizava como lágrimas intermináveis, um lamento do céu por algo perdido para sempre. O som suave da respiração da minha filha era a única coisa que me mantinha ancorado, um fio de paz que me impedia de afundar completamente no vazio de meus pensamentos.

Eu a havia acabado de colocar na cama. Seus pequenos dedos se entrelaçavam ao redor do ursinho que tanto amava, e seu peito subia e descia em um ritmo tranquilo. Observei-a por um longo momento, a luz fraca do abajur lançando sombras suaves sobre seu rosto angelical. Era o amor mais puro que já conhecera — um amor que me completava, mas que não preenchia todos os espaços vazios dentro de mim.

A solidão tinha se tornado uma companheira constante. Havia anos que não sentia aquela força avassaladora de paixão, aquela conexão que faz o mundo parecer menos vasto e frio. Mas Liam... Ah, Liam. Mesmo que estivéssemos afastados, o pensamento dele sempre voltava, como uma maré inevitável.

O som do celular vibrou na escuridão, cortando o silêncio pesado. O nome de Edward apareceu na tela, e algo dentro de mim congelou antes mesmo de atender. Sua voz veio rouca, pesada com uma tristeza que eu imediatamente reconheci.

— Zayn... — começou, a palavra soando como um lamento. — A mãe do Liam faleceu. Ele está desmoronando. Ele precisa de você. Louis teve que ser hospitalizado por causa do impacto, mas está tudo sob controle. Infelizmente eu não posso ir passar a noite na casa de Liam e acredito que ele não tenha mais ninguém para o fazer companhia, você poderia ir lá?

Foi como se o chão tivesse desaparecido sob meus pés. Por um momento, tudo ao meu redor desapareceu: o barulho da chuva, o calor do meu quarto, o som da respiração tranquila da minha filha. Restava apenas o peso esmagador daquela notícia e o amor insuportável que ainda carregava por Liam.

Sem pensar, levantei-me e fui até a porta do apartamento ao lado. A vizinha, uma senhora gentil e compreensiva, abriu com olhos sonolentos, mas quando expliquei a situação, sua neta adolescente prontamente se ofereceu para ficar com minha filha. Dei-lhe algumas notas, agradeci com sinceridade e voltei para minha casa para deixar instruções rápidas.

Minutos depois, eu estava na estrada. A tempestade rugia ao meu redor, os trovões ecoando como o próprio luto que sentia por Liam. Cada gota de chuva parecia um golpe em meu peito, cada raio um grito de angústia. O limpador do para-brisa lutava para manter a visão clara, mas minha mente estava em turbilhão.

Não conseguia parar de pensar nele. O menino que havia roubado meu coração com seu sorriso tímido e olhos que guardavam oceanos de emoções. O homem que agora estava quebrado, sozinho, precisando de alguém para segurá-lo enquanto caía em pedaços.

Meus dedos apertavam o volante com força, os nós dos dedos brancos sob a tensão. Eu estava ensopado de ansiedade, meu coração batendo com a força de mil tempestades. E no fundo de tudo, havia uma certeza simples e inegável: eu iria encontrá-lo. Estaria lá para ele. Porque o amor que sentia por Liam não era uma escolha; era uma verdade, cravada em meu ser, tão fundamental quanto o ar que respirava.

E eu sabia, no fundo do meu coração, que essa noite não seria fácil. Mas nada, nem mesmo a tempestade mais feroz, me impediria de ir até ele.

A chuva não mostrava sinais de trégua quando estacionei o carro diante da casa de Liam. A fachada parecia pesar sob a escuridão, como se a própria estrutura absorvesse o luto que pairava dentro dela. As janelas estavam apagadas, e o jardim, outrora bem cuidado, agora se perdia sob as poças formadas pelo temporal. Cada passo até a porta foi um desafio, o chão encharcado sugando meus pés, mas eu não sentia o frio, não sentia nada além da urgência que queimava em meu peito.

DOIS ALFAS UMA BARRIGA DE ALUGUEL [CONCLUÍDO]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora