🍁CAPÍTULO 33🍁

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🍁 Edward

Os dias se arrastavam como um fardo pesado, e minha mente parecia dividida entre o trabalho incessante na delegacia e a preocupação esmagadora com Harry. Não era fácil lidar com assassinatos, investigações e a constante violência da minha rotina policial, mas, comparado ao peso de vê-lo se destruir, tudo isso parecia secundário.

Eu rezava todas as noites. Pedidos silenciosos, quase desesperados, para que Deus me desse uma direção, uma solução, qualquer coisa. Mas, a cada dia que passava, a luz no fim do túnel parecia mais distante. Louis, um velho amigo de Harry, tinha aparecido do nada, trazendo consigo memórias de tempos difíceis. Louis era um catalisador dos piores momentos de Harry, e eu temia o que sua presença poderia significar.

Depois de um plantão exaustivo, cheguei em casa com o corpo pesado e os pensamentos ainda mais. Tudo o que eu queria era um banho quente e talvez algumas horas de sono. Mas assim que abri a porta do apartamento, senti um frio na espinha. A sala estava em completo caos. Objetos jogados pelo chão, almofadas fora do lugar, garrafas vazias espalhadas pela mesa.

— Harry? — gritei, o coração já acelerando.

Corri pelo apartamento, vasculhando cada canto, mas não havia sinal dele. Quando cheguei ao quarto, a porta estava entreaberta. Assim que empurrei, o que vi me paralisou.

Harry estava deitado na cama, imóvel, com a pele pálida e os olhos fechados. Ao lado dele, na mesinha de cabeceira, uma dúzia de cartelas de remédios vazias.

— Não… não, não, não! — gritei, correndo até ele.

Ajoelhei-me ao lado da cama, sacudindo-o com força.

— Harry! Acorda, por favor! Não faz isso comigo, cara!

Ele não respondia. O pânico tomou conta de mim. Minhas mãos tremiam tanto que quase deixei o celular cair ao discar para a emergência.

— Ambulância, por favor! Meu irmão… ele… ele tomou algo, remédios, eu acho! Ele não tá respondendo!

A voz do atendente parecia distante enquanto eu dava nosso endereço, tentando segurar as lágrimas. Minha mente corria em mil direções. Como ele chegou a esse ponto? Como eu não vi isso acontecer?

Enquanto esperava, fiz tudo o que podia lembrar dos protocolos de primeiros socorros. Verifiquei sua respiração. Fraca, mas ainda lá. Ele estava quente, mas suava frio.

— Fica comigo, Harry. Fica comigo, pelo amor de Deus.

Minutos que pareceram horas depois, a ambulância chegou. Os paramédicos entraram correndo, e eu me afastei, assistindo enquanto eles trabalhavam. Um deles me fazia perguntas rápidas sobre o que ele poderia ter tomado, enquanto outro colocava uma máscara de oxigênio no rosto de Harry e começava a monitorá-lo.

— Ele vai ficar bem? — perguntei, a voz embargada.

— Estamos fazendo o possível. Ele precisa de tratamento imediato no hospital.

O caminho até o hospital foi um borrão. No veículo, sentei ao lado de Harry, segurando sua mão como se isso fosse suficiente para mantê-lo aqui. Minha mente era um turbilhão de culpa e dor. Cada discussão, cada momento em que senti que estava falhando como irmão, voltava para me assombrar.

Quando chegamos, os médicos o levaram às pressas para a sala de emergência. Fiquei parado no corredor, sozinho, com as mãos enterradas no rosto, tentando segurar as lágrimas, mas era inútil.

— Por que você fez isso, Harry? — murmurei para mim mesmo. — Por que você não me deixou ajudar você?

As horas seguintes foram um teste cruel de paciência e esperança. Finalmente, um médico se aproximou.

DOIS ALFAS UMA BARRIGA DE ALUGUEL [CONCLUÍDO]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora