🍁CAPÍTULO 68🍁

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O sol da manhã dançava preguiçosamente pelo quarto, projetando retalhos de luz sobre os lençóis macios e o rosto sereno de Louis. Ele abriu os olhos lentamente, sentindo a leveza do calor que o envolvia. No entanto, a calma foi rapidamente substituída por um aperto no peito ao se lembrar dos eventos recentes. O funeral. A mãe de Liam. As lágrimas ameaçaram cair, mas ele foi interrompido pelo som suave de uma porta se abrindo.

- Bom dia! - uma voz clara e carregada de doçura soou. Louis ergueu o olhar e viu um jovem de cabelos dourados como o trigo sob o sol. Seus olhos azuis brilhavam com uma gentileza acolhedora. Ele segurava uma bandeja de madeira cheia de delícias: torradas douradas com manteiga derretendo, frutas frescas, uma jarra de suco de laranja e uma xícara de café fumegante.

Louis piscou, confuso e curioso. Aquele homem parecia familiar, mas ele não se lembrava de tê-lo conhecido.

- Eu sou Niall - o loiro se apresentou com um sorriso desarmante, colocando a bandeja sobre a mesa de cabeceira. - Sou irmão dos alfas. Eles me chamaram para cuidar de você.

Niall se sentou ao lado da cama, mantendo uma distância respeitosa, mas irradiando uma aura reconfortante que parecia envolver Louis em uma bolha de segurança. Louis franziu a testa, tentando associar o nome ao rosto, até que uma lembrança vaga tomou forma: Harry e Edward comentando sobre o irmão. O "casca-grossa" que, diziam, era mais durão que os dois juntos.

- Você é... o loiro engraçado? - Louis perguntou hesitante, seus olhos observando o sorriso crescer no rosto de Niall.

- O próprio - ele riu, com um brilho travesso nos olhos. - Mas não se engane. Sou mais que apenas piadas ruins e rostinho bonito.

Louis não pôde evitar um pequeno sorriso diante daquela energia contagiante. Ainda assim, algo dentro dele pesava, uma sombra que nem o calor do sol ou a presença de Niall conseguia dissipar.

- Os meninos foram ao funeral? - perguntou, a voz baixa, quase um sussurro.

Niall assentiu, o sorriso diminuindo em respeito à tristeza de Louis. Ele tocou a mão do rapaz com suavidade, o toque leve e reconfortante.

- Sim, mas eles me deixaram com uma missão importante - disse, com uma expressão séria que logo se quebrou em um sorriso terno. - Cuidar de você. Sou enfermeiro, sabia? E, além disso, sou um ômega, então tenho um instinto natural para cuidar de quem precisa.

A palavra "ômega" soou com um peso diferente nos ouvidos de Louis. Ele ergueu o olhar, surpreso.

- Um ômega? Mas... eles sempre disseram que você...

- Que eu sou durão? - Niall completou com uma risada suave. - Ser ômega não me impede de ser forte. Cuidar das pessoas exige força também, e eu tenho isso de sobra. Agora - ele apontou para a bandeja - você precisa comer alguma coisa. Não aceito desculpas.

Louis hesitou, mas o olhar caloroso de Niall o encorajou a pegar uma fatia de torrada. A primeira mordida trouxe um conforto inesperado. Enquanto comia, Niall contou histórias engraçadas sobre a infância com os irmãos, arrancando risadas genuínas que aliviaram, ainda que temporariamente, o peso no coração de Louis.

A manhã passou assim, preenchida por conversas leves, risadas sinceras e o calor suave de um vínculo nascendo. E pela primeira vez desde o luto que o cercava, Louis sentiu que a sombra não era tão densa. A luz, afinal, estava ali, ao alcance.

O tempo parecia ter desacelerado, cada segundo marcado por um silêncio denso que envolvia Louis como uma maré implacável. Desde a manhã tranquila ao lado de Niall, algo dentro dele começou a mudar. Ele sentia uma pressão incômoda na parte inferior das costas que subia em ondas. O incômodo logo se transformou em dor pulsante, uma pressão que roubava sua concentração e a leveza de momentos antes.

Niall, atento a cada mudança, percebeu a retração no semblante de Louis. Ele inclinou a cabeça, os olhos azuis agora cheios de preocupação.

- Louis, o que está acontecendo? - perguntou, sua voz baixa, mas firme. - Você não parece bem.

Louis apertou o lábio inferior, relutante em compartilhar o peso que sentia. Mas a dor mordeu sua coluna novamente, uma fisgada tão forte que ele arqueou as costas e segurou o lençol com força.

- Minha coluna... - Ele respirou fundo, tentando encontrar as palavras entre os espasmos que o faziam estremecer. - Está doendo. Começou devagar, mas agora... é como se algo estivesse me esmagando por dentro.

A tensão no rosto de Niall endureceu. Ele manteve o tom suave, mas seus sentidos se afiaram como lâminas.

- Como são essas dores? Elas vêm e vão? Você sente como se seu corpo estivesse se preparando para algo?

Louis assentiu, apertando os olhos. O suor já começava a se formar em sua testa.

- Sim... é como... como se... - Ele engasgou com a própria respiração, uma contração o interrompendo com brutalidade. - Ah! Droga, Niall!

Foi o suficiente para Niall se levantar de súbito. Sua suspeita se confirmou. Mantendo o sorriso leve no rosto para não alarmar Louis, ele apertou a mão do amigo com firmeza.

- Eu volto já! Fique calmo, tudo está sob controle.

Mas por dentro, Niall não estava calmo. Ele saiu do quarto em um piscar de olhos, a urgência acelerando seus passos pelos corredores. Dois minutos depois, duas médicas entraram apressadas, seguidas por Niall, que segurava os braços cruzados, o rosto uma máscara de foco absoluto. Elas começaram o exame rapidamente, trocando olhares de confirmação antes de se virar para Louis.

- Você está em trabalho de parto, Louis. Precisamos agir agora.

- O quê?! - Louis arregalou os olhos, o pânico crescendo. - Mas não é cedo demais?! Eles não estão prontos! Eu não estou pronto!

As médicas trocaram sorrisos tranquilos, mas profissionais.

- O corpo sabe o que fazer. Nós vamos te ajudar a cada passo.

Enquanto elas preparavam os instrumentos, as dores escalaram. Louis agarrou o braço de Niall como se sua vida dependesse disso, e o loiro fez o possível para sorrir, ainda que estivesse suando junto com o amigo.

- Niall, eu vou matar alguém! Eu juro por Deus, se Harry e Edward não chegarem logo... - Ele se contorceu novamente. - Eu nunca mais vou deixar eles chegarem perto de mim!

Niall não conteve uma risada.

- Ei, vou lembrar você disso quando eles aparecerem com os olhos cheios de lágrimas e...

- Eu NÃO quero saber o que eles vão fazer, eu só quero que essa dor saia de mim!

As contrações o dobraram em desespero, lágrimas escorrendo por seu rosto enquanto gritava. Niall continuou segurando sua mão, sussurrando palavras de encorajamento, embora seu coração também martelasse no peito. Ele tinha certeza de que Harry e Edward estavam a caminho, mas, naquele momento, só ele estava ali para enfrentar a tempestade ao lado de Louis.

Finalmente, após vinte minutos que pareceram uma eternidade, o primeiro choro preencheu o ar. O som frágil e perfeito do primeiro gêmeo quebrou o peso da dor, trazendo uma luz que nenhum sofrimento poderia apagar. Louis, ofegante e ainda trêmulo, sentiu a emoção explodir dentro de si enquanto as médicas colocavam o bebê em seus braços.

- Ele... - Sua voz falhou. - Ele é perfeito.

Niall enxugou as próprias lágrimas, agora sem tentar disfarçar.

- Isso foi épico, Louis. E você é incrível. Durou nem vinte minutos.

Olhando para o pequeno rosto que descansava em seus braços, Louis sentiu a dor se dissipar. Ele sabia que ainda havia mais por vir - o segundo bebê estava a caminho. Mas naquele instante, segurando seu filho, tudo o que ele podia sentir era amor.

Continua...

DOIS ALFAS UMA BARRIGA DE ALUGUEL [CONCLUÍDO]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora