🍁CAPÍTULO 70🍁

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Alguns dias depois...

O dia nasceu suavemente, preenchendo o apartamento com os tons dourados do sol da manhã. O ar estava perfumado com o leve aroma de talco e sabonete infantil, sinais da nova vida que agora preenchia aquele lar. No quarto dos gêmeos, Edward estava inclinado sobre a mesa de troca, suas mãos hábeis lutando uma batalha quase perdida contra duas fraldas que tinham, de alguma forma, sofrido um ataque completo.

— Vocês não têm piedade, têm? — murmurou, o rosto se contorcendo enquanto tentava manter a calma.

Um dos gêmeos soltou um suspiro contente, como se satisfeito com o próprio feito. O outro, com olhos brilhantes e inocentes, balançava as pequenas pernas no ar.

Edward riu, balançando a cabeça.

— Louis vai dizer que puxaram a mim... mas eu sei que isso é arte pura, e isso, meus pequenos, é talento dele.

Enquanto a guerra com as fraldas continuava, no quarto ao lado, um cenário bem diferente se desenrolava.

Louis, ainda um pouco pálido, estava em pé no banheiro, uma toalha pendurada frouxamente ao redor da cintura. Ele apoiou-se na parede, sentindo os músculos ainda fracos protestarem com cada movimento. A água quente do chuveiro caía suavemente, criando uma neblina que preenchia o espaço. Ao seu lado, Harry, com as mangas arregaçadas e um sorriso leve, o ajudava a equilibrar-se.

Louis respirou fundo, o calor envolvendo seu corpo enquanto a água lavava o cansaço. Mas a intimidade da situação fazia seu coração disparar.

— Não precisava... — ele murmurou, a voz um pouco rouca. — Eu podia ter feito sozinho.

Harry, que estava de costas para ele enquanto organizava os produtos de banho, virou-se lentamente, seu sorriso paciente.

— Você não precisava fazer sozinho. — Ele segurou o frasco de sabonete, espremendo um pouco nas mãos antes de começar a massagear suavemente os ombros de Louis. — E, se precisar, vou estar aqui todas as vezes.

Louis estremeceu sob o toque, mais pela vulnerabilidade do momento do que pela água quente.

— É só que... — Ele desviou o olhar, o rosto corando. — Com você, tudo bem. Mas Edward...

Harry arqueou uma sobrancelha, mas havia compreensão em seus olhos.

— Você sente vergonha dele?

— Não é vergonha exatamente — Louis suspirou, as palavras difíceis de sair. — É diferente. Você sempre esteve comigo... antes de tudo isso. Você me viu em momentos... difíceis. Eu me sinto seguro com você de um jeito que ainda estou aprendendo com ele.

Harry ficou em silêncio por um momento, absorvendo as palavras. Então, com um toque cheio de carinho, ele deslizou os dedos pelo cabelo molhado de Louis, ajudando a enxaguar a espuma com cuidado.

— Louis, eu entendo. Não precisa se forçar. — Ele abaixou a voz. — Mas você sabe que ele te ama, certo? Ele nunca veria nada em você além de beleza.

Louis sorriu um pouco, tímido.

— Você também é insuportavelmente sentimental.

— É o que eu faço de melhor.

A risada suave deles preencheu o banheiro enquanto a água continuava a correr, lavando mais do que o cansaço — lavando a insegurança e solidificando os laços que apenas o amor verdadeiro constrói. Quando o banho terminou, Louis sentiu-se renovado, o corpo mais leve e o coração mais seguro. Ele segurou a mão de Harry por um instante antes de voltar para o quarto, onde seus filhos esperavam — e onde, pela primeira vez, a vida parecia perfeita de verdade.

DOIS ALFAS UMA BARRIGA DE ALUGUEL [CONCLUÍDO]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora