🍁CAPÍTULO 41🍁

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🍁Edward

O sol nasceu tímido atrás das cortinas do apartamento, mas para mim, a noite não tinha acabado. Eu estava sentado no banco frio do banheiro, ainda com o cabelo úmido do banho, olhando para o nada. O cansaço físico estava lá, mas minha mente não parava. Pensei em tudo: todas as tentativas falhas de ajudar Harry, todas as conversas, brigas, lágrimas. Nada funcionava.

E foi então que a ideia surgiu. Primeiro como um sussurro distante, uma fagulha no meio do caos. Mas, quanto mais eu pensava nela, mais clara e real ela se tornava.

"Louis."

O nome dele ecoava na minha cabeça como uma solução inevitável. Louis era a chave. O único que podia preencher o vazio que estava devorando meu irmão. Mas não era só isso. Se eu quisesse salvar Harry de verdade, eu precisava garantir que Louis não fosse embora de novo. Que ele estivesse preso a nós, para sempre.

Uma ideia começou a tomar forma. Sombria, suja, algo que me fez estremecer ao perceber que vinha da minha própria mente.

"Barriga de aluguel."

A palavra parecia absurda à primeira vista. Inconcebível. Mas quanto mais eu pensava, mais ela fazia sentido. Louis era pobre, eu sabia disso. Tinha acesso às informações dele pelo sistema policial. Sabia que ele morava em um apartamento pequeno, em uma área precária de Londres. Ele não tinha família, nem estabilidade financeira. Dinheiro era algo que ele provavelmente precisava desesperadamente.

E eu tinha recursos. Mais do que o suficiente para comprar o que fosse necessário.

A ideia me enojava, mas, ao mesmo tempo, parecia ser a única solução. Não seria um simples acordo comercial. Seria um compromisso permanente, uma forma de unir Louis ao meu irmão de maneira definitiva. Eles teriam um filho. Não só um filho de Harry, mas meu também. Uma conexão inquebrável.

Olhei para o reflexo no espelho do banheiro, tentando me reconhecer. O homem que encarava de volta parecia diferente, com um olhar frio e determinado.

— Você está ficando louco, Edward. — Sussurrei para mim mesmo, balançando a cabeça.

Mas a voz na minha mente sussurrou de volta: "E se for a única maneira de salvar Harry?"

Voltei para o quarto e sentei na cama. O apartamento estava silencioso, exceto pelo som baixo da respiração de Harry, que ainda dormia. Ele parecia tão vulnerável, tão destruído. Meu irmão sempre foi tudo para mim, e vê-lo nesse estado era insuportável.

Peguei meu notebook e abri o arquivo com as informações que eu tinha de Louis. Sua rotina, seu emprego, seus hábitos. Tudo estava ali.

"Ele vai recusar. Você sabe que ele vai recusar."

Mas eu também sabia que Louis tinha um ponto fraco. Dinheiro. E, se ele não fosse convencido com palavras, eu daria um jeito de fazer com que ele não tivesse outra escolha.

Fechei os olhos por um momento, tentando afastar o peso do que estava prestes a fazer. Não era só sombrio. Era cruel. E eu sabia disso. Mas a imagem de Harry, perdido e desamparado, me empurrava adiante.

— Perdão, Louis. — Sussurrei para o vazio.

Eu só precisava planejar cada detalhe. Como abordá-lo, como convencê-lo. Eu sabia que isso não seria fácil. Louis era orgulhoso, independente, e a mágoa entre ele e nos ainda era uma ferida aberta. Mas todos têm um preço. Eu iria manipular ele a minha vontade e propósito. Respirei fundo, encarando novamente o reflexo no espelho.

— Pelo Harry. — Disse, como um mantra. E, com isso, a decisão foi tomada.

A luz do sol da manhã se infiltrava pelas persianas da janela do quarto de Harry, criando faixas douradas que cortavam o espaço. Ele ainda dormia profundamente, o peito subindo e descendo em um ritmo calmo. Por um instante, fiquei parado na porta, observando meu irmão. Ele não parecia mais jovem, como o Harry que eu conhecia antes de tudo isso. Por dentro, ele era um homem despedaçado.

Respirei fundo, sentindo o peso do que estava prestes a fazer. Não havia mais espaço para hesitação. Peguei o telefone e fiz algumas ligações, mantendo minha voz baixa para não acordá-lo. Cada palavra que eu dizia me fazia sentir como se estivesse caminhando por uma linha tênue entre salvar meu irmão e destruir tudo o que eu era.

Depois que tudo estava organizado, entrei no quarto e sacudi levemente o ombro dele.

— Harry, acorda. — Minha voz era firme, mas sem pressa.

Ele abriu os olhos devagar, ainda pesados pelos remédios da noite anterior.

— Que horas são? — perguntou, com a voz rouca.

— Quase nove. Levanta e se veste. A gente tem alguns compromissos hoje.

— Que compromissos? — Ele fez uma careta, mas não parecia realmente interessado.

— Exames. — Disse, com uma casualidade ensaiada. — Precisamos cuidar da saúde, e faz tempo que não fazemos um check-up completo.

Ele suspirou, mas não protestou. Já estava em um estado em que simplesmente aceitava as coisas sem questionar muito. Eu me senti um pouco culpado por me aproveitar disso, mas continuei firme.

Enquanto ele se arrumava, eu organizei os papéis e os agendamentos que havia feito pela manhã. Tudo estava preparado. Quando ele saiu do quarto, vestido com uma camisa simples e jeans, parecia um pouco mais desperto.

— Vamos? — Perguntei, tentando soar animado.

Ele assentiu e seguimos para o carro. Durante o caminho, o silêncio no veículo era quase sufocante. Harry olhava pela janela, perdido em pensamentos. Eu, por outro lado, mantinha as mãos firmes no volante, minha mente girando com cada detalhe do plano.

Quando chegamos à clínica, ele olhou para mim com um ar de dúvida.

— Exames de quê, exatamente?

— De tudo. — Respondi, com um sorriso breve. — Sangue, tireoide, espermograma... é bom garantir que está tudo bem.

— Espermograma? — Ele arqueou uma sobrancelha, mas depois deu de ombros. — Tanto faz.

A indiferença dele me dava um misto de alívio e angústia. Parte de mim queria que ele questionasse mais, que se importasse mais. Mas a outra parte sabia que essa apatia era o que tornava meu plano possível.

Dentro da clínica, o processo foi rápido. Conhecia o médico que cuidaria dos exames, um amigo da família, e já havia tratado tudo com ele. Harry passou por cada etapa com uma expressão cansada, mas obediente.

Depois que tudo estava feito, agradeci ao médico e discretamente deslizei um envelope grosso para ele. O olhar que ele me lançou foi de compreensão silenciosa.

— Os resultados ficam prontos em breve. — Ele disse, antes de se despedir.

No caminho de volta para casa, Harry olhava para fora, os dedos tamborilando contra a porta do carro.

— Isso tudo é estranho, Ed. — Ele finalmente disse. — Por que agora?

Tentei manter minha expressão relaxada.

— Porque eu me preocupo com você. Com a gente. É só isso.

Ele suspirou novamente, mas não disse mais nada.

Quando chegamos em casa, Harry foi direto para o quarto. Parecia exausto, tanto fisicamente quanto emocionalmente. Eu fiquei na sala, observando a porta fechada, sentindo o peso do que acabávamos de fazer.

O primeiro passo estava dado. Não havia mais volta.

Me sentei no sofá, encarando as minhas mãos. Elas tremiam levemente, um reflexo do conflito interno que eu tentava reprimir.

— Estou fazendo isso por ele. — Murmurei para mim mesmo, como se dizer em voz alta pudesse justificar minhas ações.

Mas, no fundo, sabia que não era tão simples assim. Meu plano estava em movimento, mas as consequências dele ainda eram uma incógnita. E, pela primeira vez, me perguntei se eu seria capaz de lidar com elas.

Continua...

DOIS ALFAS UMA BARRIGA DE ALUGUEL [CONCLUÍDO]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora