🍁CAPÍTULO 59🍁

476 59 6
                                        

Louis ainda estava no sofá, lutando contra a vontade quase incontrolável de fumar. Fazia meses que havia abandonado o vício, mas a combinação de nervosismo e solidão parecia gritar em seus ouvidos. Ele fechava e abria as mãos, inquieto, enquanto olhava para a porta, como se esperasse um sinal divino para resistir.

Foi então que o som da fechadura girando o fez sobressaltar. Ele sentiu uma onda de alívio e ansiedade ao mesmo tempo. A porta se abriu, revelando Edward com seu olhar cansado, porém imponente. Ao lado dele, um homem desconhecido entrou. Era alto, com um sorriso fácil e olhos profundos que transmitiam uma mistura de charme e confiança.

– Louis, esse aqui é o Zayn – disse Edward, entrando e colocando a jaqueta no cabideiro. – Ele é meu parceiro no caso.

Louis levantou-se devagar, ainda acariciando a barriga, enquanto observava o homem novo no ambiente. Zayn caminhou até ele com uma naturalidade desconcertante, estendendo a mão com um sorriso genuíno.

– É um prazer finalmente conhecer você, Louis – disse ele, com uma voz calma e agradável. – Edward não para de falar de você.

Louis apertou a mão dele, surpreso.

– Oh, é mesmo? – respondeu, lançando um olhar curioso para Edward, que apenas desviou os olhos, visivelmente desconfortável.

– Claro que sim – continuou Zayn, sem perder a descontração. – Ele só fala sobre como você é incrível, como está lidando com tudo isso e, claro, sobre os bebês.

Louis corou levemente, mas antes que pudesse dizer algo, Zayn inclinou-se levemente, olhando para a barriga de Louis com um sorriso brincalhão.

– Então, esses são os famosos filhotes do Edward e do Harry, hein? Vocês dois estão de parabéns.

Louis riu sem graça, mas antes que pudesse responder, Edward, que parecia querer encerrar a conversa rapidamente, interveio.

– Zayn, ele é meu ômega. E está carregando os meus filhos e os do meu irmão.

Louis arregalou os olhos com a naturalidade com que Edward dissera aquilo. Parecia tão definitivo, tão sólido. Edward não era exatamente alguém que demonstrava sentimentos com facilidade, então ouvir aquilo fez o coração de Louis acelerar.

Zayn, no entanto, apenas riu.

– Seu ômega? – disse ele, cruzando os braços e encarando Edward. – E desde quando você merece um ômega tão bonito quanto ele?

Edward estreitou os olhos, mas havia um sorriso discreto em seus lábios.

– E você merece alguma coisa, Zayn? Não me faça rir.

Os dois começaram a trocar provocações amigáveis, e Louis ficou ali no meio, confuso e ligeiramente divertido. Zayn parecia ter o dom de quebrar qualquer tensão com seu jeito despojado.

– Olha só – continuou Zayn, virando-se para Louis –, vou ser honesto com você. Não entendo como alguém tão incrível acabou com esse imprestável aqui.

Louis riu pela primeira vez em horas, enquanto Edward balançava a cabeça, claramente acostumado com o humor do amigo.

– Ele não é tão ruim assim – disse Louis, tentando defender Edward, mas com um brilho de diversão nos olhos.

Zayn fez uma expressão de descrença exagerada.

– Não diga isso! Senão ele vai ficar convencido. E confie em mim, ele não precisa de mais disso.

Edward deu um leve tapa no braço de Zayn, que riu ainda mais.

– Já chega, Zayn. Vamos trabalhar.

Antes de seguirem para o escritório de Edward, Zayn olhou para Louis novamente, agora com uma expressão mais suave.

– Sério, Louis, parabéns. Você é um belo ômega. E, sinceramente, espero que continue colocando esses dois alfas na linha. Eles precisam disso.

Louis sorriu, sentindo-se um pouco mais leve.

– Obrigado, Zayn. Acho que é uma missão que estou começando a gostar.

Quando os dois homens desapareceram no escritório, Louis voltou ao sofá. A vontade de fumar parecia ter passado, substituída por uma mistura de divertimento e gratidão. Mesmo com suas inseguranças e o caos que às vezes rondava sua vida, momentos como aquele – cheios de companheirismo e leveza – o lembravam de que ele não estava sozinho.

...

Louis estava no banheiro, terminando de trocar as roupas depois do pequeno incidente. Ele secou o rosto com a toalha, tentando afastar o constrangimento. A gravidez, além de emocionante, trazia situações inesperadas e às vezes embaraçosas. Enquanto se olhava no espelho, algo dentro dele parecia diferente, como uma ficha que começava a cair lentamente.

"Eu vou ser pai. Nós vamos ser pais."

O pensamento era tão assustador quanto emocionante. Ele balançou a cabeça, tentando afastar a ansiedade, e decidiu ocupar a mente com algo útil. Seguiu para a cozinha e preparou torradas e café.

Enquanto montava a bandeja, pensou em como os alfas estavam exaustos. Edward e Zayn estavam mergulhados naquele caso terrível, e ele sabia que um gesto de cuidado poderia aliviar um pouco a tensão. Com a bandeja pronta, ele respirou fundo e seguiu para o escritório.

Ao abrir a porta sem bater, encontrou Edward e Zayn inclinados sobre uma grande mesa iluminada por uma luminária. O ambiente estava pesado, denso. Papéis, fotos e documentos estavam espalhados por toda parte. No centro, um enorme quadro de cortiça exibia rostos, marcas, diagramas e conexões entre as vítimas.

– Louis, o que está fazendo aqui? – Edward perguntou, sua voz cortante, os olhos rígidos.

Zayn ergueu a cabeça e, ao perceber o tom de Edward, interveio com um sorriso calmo.

– Ei, Ed, relaxa. Ele só trouxe café.

Louis, no entanto, não se abalou pela impaciência de Edward. Sua atenção foi capturada por algo no quadro. Ele colocou a bandeja em uma mesa ao lado e deu um passo à frente, ignorando completamente a irritação de Edward.

– Louis, eu estou falando sério. Você não deveria ver isso – Edward insistiu, agora se levantando e tentando bloquear a visão dele.

Mas Louis não o ouvia. Seus olhos estavam fixos em uma marca específica que aparecia em várias fotos de cenas do crime. Era uma figura simples, quase imperceptível, mas carregava um peso que ele reconhecia.

A marca era um símbolo: um círculo com uma linha cruzando-o diagonalmente. Algo nele despertou memórias que estavam adormecidas em sua mente.

De repente, flashes começaram a invadir sua cabeça. Ele viu um homem tatuando aquela mesma marca no braço de outro prisioneiro. Lembrou-se das conversas sussurradas nas celas, histórias de um grupo misterioso que fazia "justiça" dentro e fora dos muros da prisão. Eles eram temidos, quase mitológicos, mas Louis sabia que eram reais. Ele havia testemunhado sua existência.

– Eu já vi isso antes – murmurou, mais para si mesmo do que para os outros.

Zayn se aproximou, curioso, enquanto Edward parecia cada vez mais tenso.

– Onde você viu isso, Louis? – Zayn perguntou, tentando manter a calma.

Louis piscou algumas vezes, como se estivesse voltando ao presente

Continua...

DOIS ALFAS UMA BARRIGA DE ALUGUEL [CONCLUÍDO]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora