🍁CAPÍTULO 87🍁

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A primeira luz do dia pintava o céu com tons suaves de lilás e dourado quando meus olhos se abriram. O quarto ainda estava envolto na penumbra, o ar carregado do calor tranquilo da noite anterior. Senti o peso agradável do corpo de Edward ao meu lado, a respiração profunda e compassada denunciando um sono pesado.

Com cuidado, deslizei para fora da cama, o lençol macio escorregando pelo meu corpo marcado. Cada toque do ar fresco nas marcas deixadas por ele — chupões e pequenos sinais de onde ele afirmara sua posse sobre mim — trouxe um arrepio suave, um lembrete silencioso do amor feroz que compartilhamos.

Atravessando o corredor com passos leves, fui até o quarto dos bebês. A porta estava entreaberta, e a luz fraca iluminava as duas formas pequenas nos berços. Davi estava com a mãozinha esticada, os dedos entrelaçados com o próprio cobertor, enquanto Nicolas dormia de lado, a respiração fazendo seu peito subir e descer como uma música calma.

Sorri, meu coração aquecido com a visão. Esses dois eram meu mundo. A forma como seus rostinhos inocentes refletiam paz fazia cada momento difícil valer a pena. Inclinei-me e beijei a testa de cada um com cuidado, inalando o doce aroma de bebê — uma mistura de leite, talco e algo que só poderia ser descrito como amor puro.

Satisfeito por vê-los tranquilos, voltei para o quarto. Edward não havia se movido muito; estava esparramado pela cama, seu corpo forte tomando espaço como se fosse o dono absoluto do lugar — e de mim.

Deslizei de volta para debaixo do cobertor e me aconcheguei contra ele. A sensação familiar do calor dele me envolveu, a pele quente e a respiração pesada como um abrigo seguro. Encostei minha cabeça em seu peito, e seu braço se moveu automaticamente, envolvendo minha cintura e me puxando para mais perto.

— Hmmm… — Ele murmurou algo ininteligível, a voz rouca de sono, antes de afundar o rosto no meu pescoço.

— O que foi, grandão? — sussurrei, um sorriso brincando nos lábios.

Ele não respondeu. Apenas apertou-me contra ele com força possessiva, como se estivesse certo de que eu poderia desaparecer se não segurasse firme. O peso de seu corpo e a forma como ele me mantinha preso eram confortantes.

O cheiro dele ainda estava sobre mim — almíscar e cedro, misturado ao nosso cheiro compartilhado da noite passada. Meu coração se encheu de um calor tranquilo, mas também de uma saudade silenciosa. Faltava alguém. Meu Harry.

Suspirei, deixando a mão deslizar pelo peito de Edward, sentindo o ritmo constante do seu coração sob a palma. A presença dele era tudo o que eu precisava naquele instante, mas a ideia de ver Harry entrar pela porta, com aquele sorriso cansado e olhos brilhantes de amor, fazia o peito doer de antecipação.

— Volta logo pra gente, Harry… — murmurei para o ar, fechando os olhos e deixando a manhã continuar seu despertar suave ao nosso redor.

O tempo parecia escorregar pelos dedos enquanto a manhã se revelava completamente. O calor suave da luz inundava o apartamento, preenchendo os espaços com um brilho dourado e trazendo uma sensação de calma renovadora. Depois de levantar-me, ver Edward ainda mergulhado no sono profundo e os bebês em seus sonhos tranquilos, decidi que o melhor seria começar o dia preparando o café da manhã.

O som suave da água correndo na pia preenchia a cozinha. A chaleira chiava baixinho, e eu me perdia no ritmo da preparação, misturando ingredientes e sentindo a textura da massa de panquecas sob as pontas dos dedos. O cheiro de café começava a se espalhar, subindo como um convite.

A água morna sobre as mãos acalmava os músculos ainda levemente doloridos, vestígios de uma noite intensa que meu corpo lembrava em cada pequeno movimento. Mas o conforto da rotina me ajudava a recuperar as forças, como se cada tarefa simples costurasse de volta as partes de mim que haviam sido desfeitas.

Até que senti.

O calor de um corpo atrás de mim.

A princípio, pensei que fosse minha própria imaginação, mas antes que pudesse me mover ou respirar mais fundo, um par de mãos grandes e firmes deslizou ao redor da minha cintura, prendendo-me contra o balcão da pia. O toque era quente e certo, os dedos pressionando minha pele com uma mistura de força e carinho.

— Harry… — O nome escapou em um sussurro, minha voz mal contendo a surpresa e a onda de emoção que veio junto.

O cheiro inconfundível dele invadiu meus sentidos — amadeirado, profundo e levemente adocicado, carregado com a intensidade que só ele tinha.

— Achei que sentiria minha falta. — A voz dele era baixa, aveludada, cheia de uma provocação que fez meu coração disparar imediatamente.

— Eu… — Antes que pudesse terminar, ele pressionou o corpo contra o meu, o calor de seu peito envolvendo-me enquanto suas mãos se moviam lentamente, explorando o espaço entre nós com uma posse tranquila.

— Você estava pensando em mim, não estava? — Sua boca pairou perto da minha orelha, a respiração quente enviando um arrepio irresistível pela minha espinha. — Enquanto estava com Edward… Você pensou em como seria quando eu voltasse?

Minhas pernas enfraqueceram, e me agarrei à borda da pia para me manter de pé, o coração batendo em ritmo frenético.

— Harry… — sussurrei novamente, quase um gemido.

Ele riu baixinho, a vibração de sua voz ecoando através de mim. — Eu sei que pensou. Eu senti.

Ele segurou meu quadril, os dedos afundando um pouco mais, marcando presença de uma maneira que misturava o controle com uma suavidade calculada. Seu nariz deslizou pela curva do meu pescoço, inalando profundamente, e senti como ele se tensionava levemente, como se estivesse segurando a fome que crescia dentro dele.

— Faltava você — consegui dizer, as palavras quase presas na garganta. — Eu queria que estivesse aqui…

— Estou aqui agora. — O tom era firme, quase possessivo, como se ele fosse capaz de recuperar o tempo perdido em um único instante.

O mundo ao redor parecia derreter. O calor do sol já não era nada comparado ao calor que emanava do toque dele, e o espaço seguro e conhecido da cozinha se transformava num lugar carregado de promessas e tensões ainda por cumprir.

E, enquanto suas mãos exploravam cada detalhe que ele já conhecia, como se redescobrisse um território há muito marcado como seu, soube que aquele amanhecer seria o primeiro de muitos que nos uniriam de novo — cada toque, cada suspiro, cada momento como um fio na teia complexa e linda do amor que nos envolvia.

Continua...

DOIS ALFAS UMA BARRIGA DE ALUGUEL [CONCLUÍDO]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora