🍁CAPÍTULO 11🍁

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Ainda estava escuro. O céu mal começava a se tingir com os primeiros sinais de luz, e o orfanato dormia em um silêncio profundo. Louis, no entanto, já estava de pé. Sentia a brisa gelada da madrugada acariciar sua pele enquanto caminhava até a quadra, os passos descalços afundando na grama úmida. Aquela era a sua rotina, sua fuga e seu refúgio. As corridas o faziam sentir-se mais forte, como se pudesse livrar-se das amarras do medo e da fragilidade.

Ele respirava profundamente enquanto corria, sentindo o frio entrar em seus pulmões e despertar cada parte do seu corpo, tornando-o atento ao mundo. No entanto, enquanto avançava, algo o fez desacelerar, como se uma presença invisível pesasse sobre ele. A sensação era estranha, e ele parou, instintivamente. Recuperou o fôlego e olhou ao redor, em busca da origem daquele incômodo.

No canto mais afastado da quadra, onde as sombras ainda prevaleciam, ele percebeu uma fumaça branca elevando-se lenta e serpenteante. A figura estava quase fundida à escuridão, imóvel, mas definitivamente ali. Então, a pessoa se mexeu, como que saindo das sombras com uma languidez calculada. Quando a luz tênue da aurora iluminou um pouco mais, Louis reconheceu imediatamente quem era: o gêmeo de cabelos negros.

Aos poucos, ele se aproximava de Louis, cada passo com uma calma quase ameaçadora, enquanto o cigarro entre seus dedos deixava rastros de fumaça branca. A postura era solta, mas firme; o olhar, profundo e penetrante. Louis sentiu o coração disparar. Não sabia ao certo se era o medo ou o nervosismo de estar frente a frente com aquele alfa enigmático que parecia observá-lo há tanto tempo, de uma forma que ele não conseguia decifrar.

Ao se aproximar, o gêmeo apagou o cigarro, esmagando-o contra o chão com o pé. A expressão em seu rosto era indecifrável, um misto de curiosidade e algo mais intenso, que Louis não conseguia identificar. Ele se mantinha em silêncio, mas seus olhos falavam — olhos escuros e profundos, que não desviavam do ômega franzino e resoluto parado à sua frente.

— “O que faz acordado a essa hora?” — perguntou o gêmeo, com uma voz rouca e baixa, que soava quase como um desafio.

Louis hesitou por um instante, sentindo a tensão no ar. Ele sabia que aquele alfa tinha algo de imprevisível, algo que o deixava inquieto, mas reuniu coragem e respondeu:

— “Eu... gosto de correr de manhã. Isso me ajuda a pensar.”

O gêmeo ergueu uma sobrancelha, o canto dos lábios esboçando um leve sorriso, como se achasse graça na resposta.

— “Pensar? Interessante. Não achei que alguém aqui tivesse esse costume... principalmente a essa hora.”

Louis se sentiu desconfortável com o tom do alfa, mas não queria recuar. Ele continuou a encará-lo, determinado a não demonstrar fraqueza.

— “Preciso encontrar um jeito de melhorar,” respondeu, a voz calma, mas firme.

O gêmeo inclinou a cabeça, avaliando-o com um olhar ainda mais atento, como se quisesse enxergar além das palavras de Louis. Aproximou-se ainda mais, de modo que a sombra de sua figura parecia engolir o ômega por completo.

— “E você acha que vai ficar mais forte assim?” — perguntou o gêmeo, seu rosto agora muito próximo do de Louis.

Louis engoliu em seco, mas sustentou o olhar.

— “Sim. E, se não ficar, pelo menos estarei tentando.”

Por um momento, o gêmeo apenas o observou, como se estivesse refletindo sobre a resposta. Então, sem aviso, ele estendeu a mão e a colocou no ombro de Louis, em um gesto que foi inesperado e intimidante. Louis sentiu o peso da mão firme sobre ele, como se o alfa quisesse testar sua resistência.

DOIS ALFAS UMA BARRIGA DE ALUGUEL [CONCLUÍDO]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora