🍁Liam
O sol nascente tingia o céu de tons suaves de laranja e rosa. O ar era fresco e limpo, perfumado com o cheiro do orvalho que ainda repousava sobre as folhas e flores do jardim. O canto dos pássaros ecoava como um lamento distante, uma melodia doce e triste, que parecia compartilhar da mesma dor que se enraizava no meu peito.
Minha mãe partira havia três semanas. Três longas semanas de solidão que me pareciam uma eternidade. Cada canto da casa sussurrava sua presença. As cortinas que ela mesma costurara balançavam levemente com a brisa, o aroma de seu perfume - uma mistura de jasmim e lavanda - ainda permanecia impregnado em seu quarto. Mas o mais doloroso de tudo era o silêncio. A ausência de sua risada calorosa, de sua voz suave chamando meu nome.
Depois do café da manhã, me levantei para lavar a louça. O barulho da água correndo e das mãos esfregando os pratos eram sons que preenchiam o vazio momentaneamente, mas nada abafava o eco da saudade. Quando terminei, olhei pela janela para a pequena horta. Ali, entre os canteiros organizados com precisão, minha mãe deixara parte de sua alma. Aquele espaço era sagrado, um símbolo vivo de tudo o que ela amava e cuidava.
Peguei as ferramentas de jardinagem e fui até lá. A terra ainda estava úmida, macia ao toque. Comecei a arrancar algumas ervas daninhas que haviam se atrevido a crescer. Enquanto o fazia, memórias invadiram minha mente como um rio em enchente.
Vi minha mãe, ajoelhada exatamente onde eu estava agora, com as mãos cobertas de terra e um sorriso tão largo e sincero que parecia capaz de iluminar qualquer escuridão. Ela me dizia que a vida era como aquele jardim - cheia de cuidados, de amor e, às vezes, de lágrimas. Eu ri com ela naquela tarde, sem imaginar que um dia teria que continuar sozinho.
Minhas mãos tremiam. As lágrimas, como gotas de chuva, caíam sobre as folhas. Eu chorava de uma maneira que pensei ser incapaz, soluçando tão profundamente que meu corpo doía. O luto era um peso esmagador, e, por um instante, pensei que ele me enterraria junto com todas as minhas esperanças.
Quando finalmente levantei o olhar, o céu estava vasto e brilhante. Uma brisa suave tocou meu rosto, secando algumas das lágrimas ainda presas nas minhas bochechas. Eu fechei os olhos e, quase sem pensar, murmurei:
- Deus, eu vou voltar a sorrir um dia?
O vento sussurrou através das folhas. Aquele silêncio não era vazio, percebi. Ele era cheio de respostas invisíveis, de promessas que ainda precisavam se cumprir. O som do vento nas árvores parecia o sussurro de minha mãe, uma lembrança viva e reconfortante.
- A terra precisa de tempo para florescer novamente - ela costumava dizer.
Respirei fundo e pressionei as mãos contra o solo. Talvez eu não soubesse como, nem quando, mas ali, naquele momento, decidi que continuaria a cultivar o que minha mãe começou. Com cada semente plantada, cada folha cuidada, eu a traria comigo.
A dor ainda estava lá, cravada como espinhos no meu coração. Mas agora, junto dela, havia um fio tênue de coragem. Eu não sabia o que o futuro guardava, mas pela primeira vez, permiti que o vento levasse um pouco da minha tristeza. E assim, entre lágrimas e a promessa do renascer, dei o primeiro passo.
O som suave de uma porta se abrindo tirou minha atenção do solo à minha frente. Meus dedos ainda estavam enterrados na terra úmida, sentindo sua textura áspera e real como um lembrete de que o mundo continuava, mesmo quando meu coração parecia ter parado.
Não me movi. "Deve ser o vento", pensei, deixando que meu olhar permanecesse fixo nas folhas da horta que balançavam suavemente. Era comum que pequenas distrações assim me pregassem peças, meu coração esperançoso esperando sinais de minha mãe em cada brisa, cada movimento sutil.
VOCÊ ESTÁ LENDO
DOIS ALFAS UMA BARRIGA DE ALUGUEL [CONCLUÍDO]
Hayran KurguLouis Tomlinson busca recomeçar a sua vida e decide ser barriga de aluguel. Harry um policial e Edward um bombeiro buscam um filho, e se? Uma fic Larry Original
![DOIS ALFAS UMA BARRIGA DE ALUGUEL [CONCLUÍDO]](https://img.wattpad.com/cover/380295994-64-k246524.jpg)