Louis chegou em casa com o corpo exausto após mais um dia de trabalho no restaurante. Ele jogou a mochila no canto e caiu no sofá, deixando a cabeça pender para trás enquanto respirava fundo. O silêncio da casa era reconfortante, mas a inquietação dentro dele continuava. Desde a conversa com Anthony, sua mente não parava de questionar suas decisões e as dificuldades financeiras que enfrentava.
Enquanto olhava para o teto, o celular começou a vibrar no bolso. Louis o pegou, vendo o nome de Liam na tela. Um sorriso leve apareceu em seus lábios; falar com Liam sempre trazia uma sensação de calma.
— Liam? Tudo bem?
Do outro lado da linha, a voz de Liam estava trêmula, quase irreconhecível.
— Louis... Eu... Eu não sei o que fazer... — Liam começou, respirando com dificuldade, como se estivesse lutando contra as lágrimas.
Louis sentou-se imediatamente, sentindo a gravidade na voz do amigo.
— Ei, calma. O que aconteceu? Fala comigo.
Liam soltou um suspiro carregado antes de responder:
— É minha mãe, Louis. Ela está muito doente... Os médicos disseram que é câncer no estômago.
O coração de Louis apertou. Ele sabia o quanto a mãe de Liam era importante para ele, o único laço de família verdadeiro que restava.
— Meu Deus, Liam. Eu sinto muito. O que os médicos disseram? Tem tratamento?
— Disseram que tem tratamento, mas... pelo sistema público, vai demorar demais! Ela não tem tempo, Louis! Não tem tempo! — A voz de Liam quebrou, e ele começou a chorar. — Eu... Eu não sei o que fazer. Eu me sinto tão impotente... Eu não posso perder ela, não posso.
Louis apertou o celular contra o ouvido, sentindo o peso do desespero do amigo. Ele queria dizer algo, qualquer coisa que pudesse aliviar aquela dor, mas as palavras pareciam tão inúteis.
— Liam, ouve... Nós vamos dar um jeito, tá? Eu estou aqui com você. Não precisa enfrentar isso sozinho.
— Mas como, Louis? Como? Eu não tenho dinheiro para pagar um tratamento particular. É tudo tão caro! Eu pensei em vender as poucas coisas que ainda tenho, mas não vai ser suficiente... — Liam soluçou do outro lado, tentando recuperar o controle.
Louis sentiu uma pontada no peito. Liam era a única pessoa que o havia ajudado sem pedir nada em troca. Ele lembrava de como Liam abriu sua casa, ofereceu conforto e companheirismo quando ele mais precisou. Agora, seu amigo estava quebrado, e Louis não podia simplesmente ficar parado.
— Liam, eu vou pensar em algo. Prometo. A gente vai conseguir. Sua mãe vai receber o tratamento que precisa.
Houve um silêncio breve antes de Liam murmurar:
— Obrigado, Louis. Por tudo. Desculpa por te carregar nisso, mas... eu não sei a quem mais recorrer.
— Você nunca me carrega em nada, Liam. É o mínimo que eu posso fazer.
Liam suspirou novamente, a voz ainda trêmula.
— Eu preciso desligar agora. Vou tentar descansar um pouco. Obrigado por me ouvir.
— Descansa, Liam. Qualquer coisa, me liga, tá bom?
O telefone desligou, e Louis ficou sentado no sofá, ainda segurando o celular na mão. Seus pensamentos giravam em um turbilhão. Ele sabia que Liam não tinha ninguém mais além dele, e a ideia de não fazer nada para ajudar era insuportável.
Ele olhou para a mesa da cozinha, onde havia deixado o cartão de Anthony. O nome "Clínica Vida Nova" parecia brilhar contra o fundo dourado do papel. Louis estendeu a mão para pegá-lo, sua mente lutando contra o peso daquela escolha.
— Será que eu poderia fazer isso... por ele? — murmurou para si mesmo, sentindo a garganta apertar.
Ele sabia o que significava aceitar aquela proposta. Significava abrir mão de algo íntimo, algo que ele nunca havia considerado antes. Mas, ao mesmo tempo, significava salvar a mãe de Liam e devolver ao amigo um pouco da segurança que ele sempre ofereceu a Louis.
Os olhos de Louis ficaram marejados enquanto ele segurava o cartão entre os dedos. Ele sabia que essa decisão não seria fácil, mas a ideia de não fazer nada era ainda mais insuportável.
— Liam me salvou uma vez. Talvez seja a minha vez de salvar ele.
E, com isso, Louis tomou uma decisão que mudaria tudo.
A noite estava silenciosa, com apenas o som ocasional do vento contra as janelas da casa. Louis, sentado à mesa da cozinha, olhava fixamente para o cartão dourado que repousava em sua mão. O jantar improvisado ainda estava pela metade em seu prato, mas ele não tinha mais fome. Sua mente estava tomada pela imagem de Liam chorando ao telefone, pelo desespero na voz do amigo e pela memória da generosidade que ele lhe oferecera quando ninguém mais o fez.
— Eu não tenho escolha. — murmurou para si mesmo, pegando o celular com mãos trêmulas.
Ele discou o número do cartão, cada toque no teclado soando alto demais no silêncio da cozinha. Quando o telefone começou a chamar, seu coração acelerou, e ele respirou fundo, tentando manter a calma.
Uma voz feminina e profissional atendeu do outro lado.
— Clínica Vida Nova, boa noite. Como posso ajudá-lo?
Louis fechou os olhos, como se reunir coragem fosse um esforço físico.
— Boa noite. Meu nome é... Louis. Eu recebi um cartão de um representante da clínica hoje, e estou interessado em... agendar uma consulta.
— Claro, senhor Louis. O senhor poderia confirmar se está interessado no programa de gestação assistida?
Louis sentiu o rosto esquentar. Dizer aquilo em voz alta parecia estranho, mas ele assentiu, percebendo que a atendente não podia vê-lo.
— Sim. Sim, é isso. Eu gostaria de mais informações também.
— Perfeito. Temos horários disponíveis para amanhã cedo. O senhor está disponível às 9h?
Louis olhou para o relógio na parede e assentiu novamente.
— Sim, 9h está ótimo.
A atendente continuou:
— Muito bem. Por favor, traga um documento de identidade e qualquer outro documento que achar necessário. A consulta inicial é apenas para orientações e avaliação. O endereço está no cartão. Algo mais em que eu possa ajudar?
— Não, isso é tudo. Obrigado.
— De nada. Tenha uma boa noite, senhor.
Quando a ligação foi encerrada, Louis colocou o celular sobre a mesa e deixou a cabeça cair em suas mãos.
— O que eu estou fazendo? — sussurrou para si mesmo, sentindo o peso da decisão apertar seu peito.
Ele se levantou da mesa e começou a andar pela cozinha, tentando organizar seus pensamentos. Mesmo sabendo que essa escolha era por Liam e sua mãe, ele não conseguia evitar a sensação de vulnerabilidade e medo que vinha com ela.
Louis olhou para o espelho na sala, encarando seu reflexo. Ele parecia cansado, mas decidido.
— Você consegue. É por ele. É por Liam. — disse em voz alta, tentando se convencer.
Depois de lavar a louça e arrumar a cozinha, Louis subiu para o quarto. Ele se jogou na cama, mas o sono não veio. Sua mente estava cheia de perguntas: como seria a consulta? Quem ele encontraria lá? Como seria o processo?
Enquanto encarava o teto, pegou o celular novamente. Por um momento, pensou em ligar para Liam, contar tudo, dividir o fardo. Mas ele sabia que Liam não aceitaria aquilo.
— Ele faria tudo para me impedir.
Louis colocou o celular no criado-mudo e se cobriu. Mesmo com o turbilhão de emoções, ele sabia que já havia tomado sua decisão. Amanhã seria um novo dia, e ele faria o possível para salvar a única pessoa que sempre esteve ao seu lado.
Continua...
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DOIS ALFAS UMA BARRIGA DE ALUGUEL [CONCLUÍDO]
FanfictionLouis Tomlinson busca recomeçar a sua vida e decide ser barriga de aluguel. Harry um policial e Edward um bombeiro buscam um filho, e se? Uma fic Larry Original
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