🍁Edward
O silêncio na sala era cortado apenas pelo som metálico dos instrumentos que o médico usava para costurar minha coxa. A anestesia começava a fazer efeito, mas não o suficiente para bloquear completamente a dor. Não apenas a dor física, mas a que queimava em meu peito, tão profunda e intensa que nem mesmo mil anestesias poderiam aliviar.
Enquanto o médico se concentrava no trabalho meticuloso, minha mente me levava de volta à imagem de Louis. Aquele olhar vazio, a postura derrotada, a palidez que me fez quase não reconhecê-lo... Parecia que a vida havia sido cruel com ele, assim como eu fui quando o abandonei.
Eu queria chorar, gritar, arrancar aquele peso do meu peito, mas tudo o que consegui fazer foi respirar fundo e esperar.
— Está quase pronto — disse o médico, sem olhar para mim, enquanto dava os últimos pontos na sutura.
Assenti em silêncio, sem vontade de conversar. Quando ele terminou, guardou os instrumentos e deixou a sala após um breve aviso:
— Descanse. Não force muito a perna. Voltarei mais tarde para verificar como está.
Assim que a porta se fechou, senti o peso esmagador da solidão. Peguei meu telefone com as mãos trêmulas e disquei para Tyler, um velho amigo que trabalhava no sistema de inteligência de Londres. Ele atendeu no terceiro toque.
— Alô? — Sua voz estava carregada de cansaço, provavelmente pelo horário.
— Tyler, sou eu — respondi, a voz rouca. — Preciso da sua ajuda.
Houve uma pausa do outro lado da linha antes que ele perguntasse:
— O que aconteceu? Você está bem?
Engoli em seco. Como explicar que minha urgência não era física, mas emocional?
— Eu... eu preciso que você encontre alguém para mim. Louis. Lembra dele?
O silêncio do outro lado da linha foi ensurdecedor antes de Tyler finalmente responder:
— O Louis? Aquele seu amigo de infância? Você não fala dele há anos... Por que agora?
A pergunta me atingiu como um soco no estômago. Não havia uma resposta simples, mas tentei:
— Porque eu o vi hoje. E, Tyler, ele está destruído. Ele precisa de ajuda.
Tyler suspirou.
— Você sabe como isso funciona. Não posso simplesmente vasculhar a vida de alguém por capricho. O que exatamente você quer que eu faça?
— Qualquer coisa! — minha voz subiu um tom. — Vasculhe câmeras, registros, redes sociais. Sei que você tem acesso a tudo isso. Só preciso de um rastro, qualquer coisa que me leve até ele.
A hesitação era evidente na voz de Tyler:
— Isso pode me custar o emprego, você sabe disso, né?
— Por favor, Tyler — implorei. — Eu devo isso a ele.
A pausa que se seguiu foi agonizante. Finalmente, ele respondeu:
— Tudo bem. Vou ver o que consigo. Mas, por favor, não me faça me arrepender disso.
— Obrigado. De verdade, obrigado — murmurei antes de desligar.
O telefone caiu no meu colo enquanto eu encarava o teto branco e impessoal do quarto de hospital. As lembranças voltavam com força total. O Louis que conheci anos atrás era cheio de vida, com sonhos maiores do que qualquer um de nós. E agora, vê-lo naquele estado...
"Você o abandonou", uma voz cruel sussurrou na minha mente. Não importava o quanto eu tentasse justificar, a verdade era simples e dolorosa: eu não estava lá quando ele mais precisou.
A porta do quarto se abriu de repente, interrompendo meus pensamentos. Era a enfermeira, trazendo medicamentos e um copo d'água.
— Está tudo bem, senhor? — perguntou, com um olhar preocupado.
Assenti, forçando um sorriso.
— Sim, só... pensando.
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DOIS ALFAS UMA BARRIGA DE ALUGUEL [CONCLUÍDO]
FanfictionLouis Tomlinson busca recomeçar a sua vida e decide ser barriga de aluguel. Harry um policial e Edward um bombeiro buscam um filho, e se? Uma fic Larry Original
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