O tempo parecia correr mais depressa desde que os meninos começaram a engatinhar. Cada momento se transformava em uma corrida cheia de surpresas — pequenos passos dados com os joelhos contra o chão, mãos curiosas explorando cada canto, e risadas que enchiam a casa com uma alegria quase palpável. O chão da sala estava forrado de almofadas macias e brinquedos coloridos que agora eram seus companheiros inseparáveis.
Eu havia tentado colocá-los no cercadinho enquanto preparava o almoço, uma solução segura, mas nada popular. Davi foi o primeiro a torcer o nariz, com o biquinho que ele fazia quando algo não o agradava, e logo se juntou Nicolas, soltando um choro sincero que ecoou pela casa. O som da insatisfação dos dois era tão entristecedor que me senti culpado em segundos.
— Tá bem, tá bem, vocês venceram! — murmurei com um suspiro, abaixando as grades do cercado e os soltando para explorar o chão da sala novamente. — Mas fiquem por aqui onde posso ver vocês.
Os meninos, como se entendessem, começaram a se arrastar pelo tapete com expressões cheias de alegria, seus olhinhos brilhando com a liberdade recuperada. Enquanto mexia o molho na panela, meus olhos alternavam-se entre a comida e os dois pequenos aventureiros. Era uma dança constante de vigilância e amor, e, mesmo cansado, meu coração se enchia de calor.
A casa estava silenciosa, exceto pelo som ritmado de Nicolas batendo um brinquedo contra o chão e as tentativas de Davi de alcançar o controle remoto que deixei em cima do sofá. Enquanto cuidava do almoço, meus pensamentos vagavam para Edward e Harry. Eles estavam ausentes hoje — Edward voltaria à noite, mas Harry só no dia seguinte. A casa parecia menos cheia sem suas presenças, o vazio deles um lembrete constante do quanto eles eram parte vital do meu mundo.
Nos últimos dias, algo havia mudado. Eu sentia a tensão crescendo neles, como uma corrente invisível percorrendo o ar. Eles estavam mais agitados, os olhares mais longos, as mãos mais rápidas em toques furtivos, mas carregadas de uma energia contida. Era quase palpável, uma tempestade prestes a romper. E eu sabia o que era.
O cio.
O instinto deles estava começando a aflorar. A cada olhar, a cada momento em que os peguei suspirando ao meu redor, senti a força do desejo deles como um calor crescente. E, no fundo, eu sabia que vinha evitando aquilo. Não era por falta de vontade — era insegurança. Meu corpo ainda carregava as marcas da gravidez. Meu peito ainda era mais cheio, minha barriga um pouco mais macia, e havia momentos em que eu não me sentia tão bonito quanto antes.
O barulho de um riso agudo trouxe-me de volta. Olhei para os meninos e sorri ao vê-los brincando juntos, Davi puxando uma das peças coloridas enquanto Nicolas tentava segurá-la firmemente. O amor que sentia por eles era tão grande que transbordava em cada gesto, cada suspiro. E, ao mesmo tempo, um pedaço de mim ansiava por retomar aquele espaço íntimo com os alfas que eu amava.
Quando Edward chegasse, eu sabia que não poderia continuar fugindo. Eles mereciam o toque, o carinho, a entrega que antes eu dava sem pensar. Eu precisava acreditar que o amor deles por mim era mais profundo do que qualquer insegurança que pudesse sentir. Precisava lembrar que, para eles, eu era o mundo.
Enquanto o molho fervia suavemente, uma nova determinação tomou conta de mim. O amor, eu percebia, não era apenas sobre segurança e conforto — era também sobre vulnerabilidade, sobre deixar-se ver por inteiro e ainda assim saber que era aceito. O cio estava chegando, e desta vez, eu estaria pronto para enfrentá-lo.
A tarde chegou envolta em um calor raro para Londres, trazendo consigo uma sensação de energia renovada que me encheu de entusiasmo. Depois de alimentar os meninos e colocá-los para dormir, deixei a casa em silêncio. Precisava de um tempo fora — algo pequeno, mas necessário para mim e, ao mesmo tempo, para eles. A decisão de deixar Davi e Nicolas sob os cuidados da vizinha foi um marco importante. Confiar os meus filhos a outra pessoa ainda provocava um friozinho no estômago, mas a senhora de sorriso bondoso aceitou a tarefa com prazer.
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DOIS ALFAS UMA BARRIGA DE ALUGUEL [CONCLUÍDO]
FanfictionLouis Tomlinson busca recomeçar a sua vida e decide ser barriga de aluguel. Harry um policial e Edward um bombeiro buscam um filho, e se? Uma fic Larry Original
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