Na manhã de sábado, o orfanato parecia mais silencioso e vazio do que nunca. Louis, que geralmente acordava com os ruídos apressados dos outros meninos, levantou-se mais cedo do que o habitual, antes mesmo que os primeiros raios de sol iluminassem o céu. Estava ansioso por aquele momento em que ele poderia se refugiar na estufa, um dos poucos lugares onde se sentia em paz e verdadeiramente livre para ser ele mesmo, sem os olhares julgadores dos outros.
A estufa ficava ao final de um corredor que poucas pessoas frequentavam, talvez por ser afastada das demais áreas de convivência. Louis sempre soube que ali, cercado pelas flores, ele poderia esquecer as dores do dia a dia e as dificuldades de sua vida no orfanato. Aquela pequena construção de vidro abrigava plantas e flores de todas as cores e formas, um universo vibrante que parecia acolhê-lo como nenhum outro lugar conseguia.
Quando entrou na estufa, foi recebido pelo leve aroma de terra úmida misturada ao perfume das flores. Era um cheiro doce e delicado, que lhe transmitia um conforto imediato. Lá dentro, ele podia relaxar, soltar os ombros e deixar sua verdadeira personalidade florescer, como as plantas que cresciam ao seu redor.
Louis caminhou entre os vasos, passando a ponta dos dedos com cuidado sobre as pétalas macias das flores, como se temesse que um toque mais forte pudesse machucá-las. O menino tinha um jeito delicado de lidar com cada planta, falando com elas como se fossem suas confidentes mais fiéis. Em meio às rosas, lírios e violetas, ele sentia que finalmente podia expressar seus gestos suaves e afetuosos, abraçando a sensibilidade que os outros tantas vezes ridicularizavam.
— Olá, minha querida rosa — sussurrou para uma flor de cor vibrante. — Está linda hoje, sabia?
Sentou-se ao lado dos vasos maiores, onde algumas trepadeiras cresciam, entrelaçando-se no vidro da estufa. A luz matinal que entrava pelas paredes de vidro criava um espetáculo de sombras e cores. Louis observava o jogo de luz que dançava sobre as pétalas e folhagens, sentindo-se quase como um personagem de um conto de fadas. Para ele, cada planta ali tinha uma história, uma vida própria. Conversava com as flores como se fossem amigas antigas, confiando a elas segredos que jamais ousaria contar a ninguém mais.
Ele pegou uma pequena flor branca entre os dedos e se pôs a imaginar uma dança com ela, movendo-se suavemente pela estufa, com passos graciosos que imitavam as coreografias que ele já tinha visto em alguns livros. Louis tinha uma forma natural de se mover, com gestos leves e delicados, que alguns poderiam considerar femininos, mas para ele, esses gestos eram uma forma de expressar sua própria suavidade, seu mundo interior.
Enquanto rodopiava de leve, imaginava que estava em um baile, em um castelo de conto de fadas, vestido com roupas nobres, dançando em meio a um salão iluminado. Ali, ele não era o menino frágil e tímido, mas alguém especial, alguém que poderia ser livre para ser quem realmente era, sem medo de julgamento. Mas essa liberdade só existia ali, na solidão da estufa e entre as pétalas que o observavam com doçura silenciosa.
Sentado novamente, ele começou a trançar um colar de flores, como uma coroa de rei, mas feita da forma mais simples e carinhosa. Cada flor que trançava, ele a colocava delicadamente, tomando cuidado para não machucar as pétalas. Para Louis, aquele ato de criar algo belo com as próprias mãos era uma forma de resistir à dureza do mundo ao seu redor. Era um jeito silencioso de expressar sua identidade e de encontrar beleza em meio às dificuldades.
Enquanto montava sua pequena coroa, ele começou a cantarolar uma melodia suave, uma canção que lembrava dos tempos passados com as freiras, de quando sua infância ainda era protegida pela inocência. Sua voz baixa e doce ecoava pelas paredes de vidro, misturando-se com o silêncio acolhedor da estufa. Havia um toque melancólico em sua canção, como se ele estivesse contando às flores seus medos, suas inseguranças e também suas esperanças.
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DOIS ALFAS UMA BARRIGA DE ALUGUEL [CONCLUÍDO]
FanficLouis Tomlinson busca recomeçar a sua vida e decide ser barriga de aluguel. Harry um policial e Edward um bombeiro buscam um filho, e se? Uma fic Larry Original
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