O amanhecer trouxe consigo um céu cinzento, pesado, como se até mesmo o mundo ao nosso redor compartilhasse da tensão que nos consumia. Dentro da casa de Liam, os primeiros raios de sol filtravam-se pelas cortinas, mas não havia calor ou conforto. Estávamos todos reunidos na sala, um silêncio carregado de preocupação e urgência pesando sobre nós enquanto tentávamos unir as peças de um quebra-cabeça manchado de sangue e segredos.
Niall, sempre gentil e com um jeito natural para cuidar de crianças, estava no quarto colocando os gêmeos para dormir. Ele fazia caretas, balançava os pequenos em seus braços e arrancava sorrisos inocentes, mesmo enquanto todos nós nos afogávamos em pensamentos sombrios. Por um breve momento, o som suave das risadas infantis trouxe um fiapo de normalidade. Mas a tensão nunca se dissipava por completo.
Edward e Harry estavam em lados opostos da sala, os olhos vermelhos de cansaço, as mandíbulas travadas em determinação silenciosa. Zayn e Liam estavam juntos, inclinados sobre um mapa detalhado da vizinhança. Minhas mãos apertavam os braços da cadeira onde eu estava sentado, os nós dos dedos brancos de tanta força. A cada respiração, eu sentia o peso esmagador da responsabilidade, do medo e do ódio que ardia em meu peito. Eu nunca havia sentido algo assim. Agora, eu era pai. E qualquer ameaça aos meus filhos me tornava capaz de coisas que eu jamais sonharia.
O som de batidas na porta fez o tempo parar.
O silêncio que se seguiu foi tão denso que quase podíamos ouvir nossos próprios corações batendo. Edward e Harry trocaram olhares rápidos, instintivamente indo para o modo de combate. Ambos sacaram suas armas em movimentos precisos e silenciosos. Zayn puxou uma faca que parecia ter surgido do nada, e Liam deslizou para perto da porta, pronto para agir.
- Todos quietos - Edward murmurou, o comando firme e baixo.
O ar estava carregado de eletricidade quando a tensão atingiu seu ápice. A porta tremeu levemente sob o impacto de mais uma batida, forte e insistente.
- Quem está aí? - Harry rosnou, a mão firme no coldre.
Mas antes que qualquer resposta pudesse chegar, Niall levantou a mão, o rosto sereno, mas firme. Ele balançou a cabeça em reprovação, como se estivéssemos todos agindo como crianças assustadas.
- Abaixem essas armas ridículas - ele disse com um sorriso calmo. - Eu chamei essa pessoa. Ela está aqui para ajudar.
- Quem você chamou? - perguntei, a voz um pouco mais alta do que pretendia.
- Vocês vão ver - respondeu Niall, caminhando em direção à porta com uma confiança quase desconcertante.
Ele destrancou e abriu a porta com um gesto simples, revelando não um detetive, não um policial, mas uma senhora.
Ela parecia saída de um conto antigo. Pequena e encurvada, seus cabelos eram completamente brancos, presos em um coque frouxo. O rosto enrugado estava sereno, mas seus olhos... seus olhos brilhavam com uma sabedoria insondável, como se ela enxergasse diretamente dentro de cada um de nós. Sua voz, quando falou, era baixa e suave, mas carregava o peso de segredos esquecidos pelo tempo.
- Meu nome é Mary - ela disse, cruzando o limiar da porta. - E eu sei como ajudar a legar o mal que habita naquele homem.
A sala inteira se congelou.
A sala estava impregnada de uma tensão quase tangível enquanto a senhora Mary se acomodava lentamente na poltrona que Liam havia preparado para ela. Suas mãos enrugadas tremiam levemente enquanto segurava a xícara de chá que ele oferecera, mas seus olhos - aqueles olhos profundos e brilhantes como lagoas sob a lua cheia - não tremiam. Eles viam além do que qualquer um de nós era capaz de imaginar.
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DOIS ALFAS UMA BARRIGA DE ALUGUEL [CONCLUÍDO]
FanfictionLouis Tomlinson busca recomeçar a sua vida e decide ser barriga de aluguel. Harry um policial e Edward um bombeiro buscam um filho, e se? Uma fic Larry Original
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