🍁CAPÍTULO 78🍁

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1 mês depois...
Lisboa - Portugal

O crepitar da lareira preenchia a sala com um calor suave, e as luzes da árvore de Natal piscavam com cores brilhantes, refletindo nas paredes e iluminando os rostos cheios de alegria ao meu redor. A atmosfera era um contraste quase irreconciliável com a escuridão de dois meses atrás. Ali, rodeado por amor e aconchego, era difícil acreditar que eu havia enfrentado monstros — tanto do lado de fora quanto dentro de mim mesmo.

Edward e Harry estavam juntos ao piano, os dedos de Edward deslizando pelas teclas, enquanto Harry cantava uma melodia de Natal com sua voz rouca e doce. Niall, sempre brincalhão, fazia caretas para os gêmeos Davi e Nicolas, arrancando risadas dos pequenos que iluminavam meu mundo de um jeito que eu nunca soube ser possível. Ao lado dele, seu namorado, o alfa de cabelos ruivos e sorriso fácil chamado Ed, segurava um copo de vinho, observando com carinho o espetáculo familiar à sua frente.

Os pais adotivos de Edward e Harry estavam sentados no sofá, os olhos brilhando de orgulho e ternura. Eles balançavam delicadamente os bebês em seus braços, cada movimento carregado de amor genuíno. A gentileza deles, o modo como me acolheram como parte da família, havia sido um bálsamo para as feridas que eu ainda carregava.

Enquanto todos se deixavam levar pela música e risos, eu permaneci um pouco afastado, sentado em uma poltrona perto da janela. A neve caía silenciosa do lado de fora, cobrindo o jardim em um manto branco que parecia tão puro quanto a paz que agora habitava em mim. Com os olhos voltados para a paisagem, meus pensamentos começaram a viajar, retornando ao que havia acontecido.

Eu pensava no quanto minha vida havia sido marcada pela dor, pela sensação constante de ser vítima de forças que eu não podia controlar. Por tanto tempo, eu caminhei com o peso de rancores antigos, de mágoas que me corroíam por dentro como ferrugem em ferro. Mas naquela noite, há dois meses, algo dentro de mim mudou.

A luta com Daemon não foi apenas física; foi uma batalha da alma. E naquela cozinha, ajoelhado em meio aos destroços, eu descobri uma verdade que transformaria para sempre minha existência: o perdão não é uma fraqueza. Ele é a força mais poderosa que existe.

Quando clamei a Deus, pedindo ajuda, ouvi a pergunta que mudou tudo: E você, perdoa seus inimigos?

E naquele momento, vi minha vida passar diante de mim. Todas as dores, as rejeições, os abusos. Cada rosto que me causou sofrimento. O monstro que me feriu, o sistema que me abandonou. Mas também vi algo mais: o amor que ainda existia em mim, apesar de tudo. E ali, decidi que não seria mais escravo do ódio.

— Louis? — A voz suave de Edward me trouxe de volta ao presente. Ele estava ao meu lado agora, os olhos verdes cheios de preocupação. — Está tudo bem?

Sorri e toquei sua mão.

— Sim, tudo está mais do que bem.

Ele se ajoelhou ao meu lado, segurando minha mão entre as dele.

— Eu sei que você tem carregado muita coisa, mas quero que saiba que nunca mais vai precisar enfrentar nada sozinho.

— Eu sei. — Apertei sua mão com força, sentindo a verdade em suas palavras como um calor reconfortante.

— Venha — disse ele, sorrindo. — É Natal.

Levantei-me e segui com ele até o restante da família. Quando segurei Davi nos braços, seu irmão Nicolas sorriu do colo do avô. O calor deles, o som da música, o cheiro de comida caseira e o brilho das luzes me envolveram como um abraço.

Naquele instante, percebi que o verdadeiro milagre não era o fim da luta, mas o recomeço. O Natal não era apenas uma celebração de um dia; era um símbolo do renascimento, do poder do amor que redime e transforma.

Olhei para os meus filhos, meus amores mais preciosos, e senti o peso de uma promessa: eles cresceriam em um mundo onde o medo não os governaria. Eu os ensinaria a lutar, sim, mas também a perdoar. Porque é isso que nos salva.

E ali, enquanto as vozes de todos se uniam em uma nova canção de Natal, meu coração se abriu para um novo caminho. Não havia mais monstros à espreita nas sombras. Havia apenas luz.

O relógio bateu meia-noite, e a alegria explodiu como fogos de artifício em nossos corações. As vozes se elevaram em uma contagem regressiva animada, seguida de abraços calorosos, sorrisos radiantes e votos de "Feliz Natal" que ecoaram por toda a casa. A sala transbordava de vida. Primos, irmãos e tios de Edward e Harry haviam chegado, trazendo ainda mais calor e luz para o nosso refúgio em Portugal. O toque acolhedor da família portuguesa me envolveu como um cobertor quente em uma noite fria, um abraço que parecia estender-se até a alma.

A mesa grande de jantar, repleta de pratos típicos, era uma visão de pura abundância e generosidade. Havia bacalhau dourado com batatas e cebolas caramelizadas, rabanadas perfumadas de canela, doces feitos de amêndoas e gemas brilhantes, e uma infinidade de pães e queijos que despertavam todos os sentidos. O cheiro de assados e especiarias dançava no ar, uma canção de amor que nos conectava à terra e às tradições passadas de geração em geração.

Eu sorri enquanto observava tudo, com uma sensação de pertencimento que há muito tempo pensei que nunca sentiria novamente. O jeito ansioso e ao mesmo tempo carinhoso daquela família me fez rir. O tio mais velho, Joaquim, estava insistentemente colocando mais comida no meu prato, com um sorriso que dizia: "Coma mais, rapaz, você é muito magro!"

Depois de colocar Davi e Nicolas para dormir no quarto dos fundos, onde o calor suave e a melodia distante das risadas enchiam o ambiente de paz, eu voltei para a ceia. Sentei-me entre Harry e Edward, que trocavam olhares cúmplices enquanto seguravam minha mão debaixo da mesa. O calor do toque deles era tão familiar quanto o pulsar do meu próprio coração, um lembrete constante de que nunca mais estaria sozinho.

— Isto é amor — disse Edward, apertando meus dedos suavemente. — Aqui, agora. Você sente isso?

Assenti, meus olhos se enchendo de lágrimas enquanto uma sensação de gratidão me inundava.

— Sim — sussurrei. — É mais do que amor. É a graça que cura tudo.

Harry, sempre o mais observador, inclinou-se para beijar minha têmpora.

— Você lutou muito, Louis. E venceu. Agora, finalmente, você pode descansar.

A sala estava cheia de vozes alegres, de pessoas que se tratavam como se tivessem se conhecido desde o começo do tempo. Crianças corriam ao redor da mesa, rindo e brincando, enquanto os adultos brindavam com vinho do Porto e trocavam histórias de Natais passados. Tudo ao meu redor exalava o calor e a simplicidade do amor verdadeiro, o tipo de amor que não exige nada além de presença e autenticidade.

Enquanto as risadas enchiam o ar, uma verdade serena tomou conta de mim. A vida sempre apresentaria batalhas, feridas e cicatrizes. Mas o Natal — esta celebração da luz que brilha nas trevas — era a lembrança de que, ao escolher o perdão, ao deixar para trás os pesos do passado e acreditar em promessas invisíveis, nós nos tornamos parte de algo maior.

O apóstolo Paulo escreveu sobre isso: "Prosseguir para as coisas que estão adiante." E eu entendi agora o que isso significava. Não era negar o passado, mas caminhar em direção ao futuro com fé. A fé de que o amor — puro, inabalável e sempre presente — era maior que qualquer sombra.

Levantei meu copo e sorri para todos ao redor.

— Aos que lutaram e aos que perdoaram — brindei, minha voz firme e cheia de verdade. — E ao amor que nunca nos abandona.

Os olhares se encontraram, sorrisos se alargaram, e os copos tilintaram. A magia do Natal, a verdadeira magia, não estava nas luzes ou nos presentes. Estava aqui, nesta sala, nos corações dispostos a amar mais uma vez.

E, com isso, senti que meu próprio coração finalmente encontrou seu lar.

Continua...

DOIS ALFAS UMA BARRIGA DE ALUGUEL [CONCLUÍDO]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora