O sol invadia o esconderijo abandonado, iluminando cada canto com uma luz quente e suave. Louis espreguiçou-se na velha cama, seus olhos ainda meio fechados pela claridade que o incomodava. Foi então que ele ouviu uma risada baixa e familiar ao seu lado. Ele abriu os olhos devagar e, quando ajustou a visão, viu Harry sentado ao lado da cama, sorrindo para ele.
— Bom dia, dorminhoco — Harry disse, com um brilho brincalhão nos olhos. — Achei que você fosse aparecer no refeitório, mas como não te vi, resolvi procurar. Sabia que te encontraria aqui.
Louis sentiu o coração acelerar ao ver o amigo ali, trazendo um lanche consigo. Harry estendeu uma maçã e um sanduíche natural, gestos simples, mas que, para Louis, significavam um cuidado especial que ele não costumava receber.
— Eu... — Louis hesitou, envergonhado. — Acho que acabei dormindo mais do que esperava.
Harry riu e entregou-lhe o sanduíche, ajeitando-se ao seu lado enquanto Louis começava a comer. Havia algo nos gestos de Harry que transmitia uma tranquilidade quase reconfortante. Estar perto dele o fazia se sentir à vontade, como se todo o peso que carregava pudesse ser, ao menos por alguns momentos, deixado de lado.
— É bom ver você sorrindo assim — Harry disse de repente, observando-o com atenção.
Louis parou de mastigar por um segundo, sentindo um leve calor nas bochechas.
— É que... é bom ter alguém por perto — murmurou ele, sem coragem de encarar o olhar do alfa.
Harry inclinou-se um pouco mais perto, o suficiente para que Louis sentisse seu perfume.
— Sabe, Lou... você é especial — disse Harry, com um tom mais suave. — Eu sinto isso cada vez mais. Estar ao seu lado me faz perceber que posso ser eu mesmo, sem medo de esconder nada.
Louis ergueu os olhos e viu a sinceridade no olhar de Harry. Não havia dúvidas ali, apenas um calor que parecia crescer entre eles, algo que Louis nunca pensou que pudesse encontrar. Ele abriu a boca para responder, mas a voz não saiu; estava perdido naquela proximidade, naquela gentileza que só Harry parecia ter.
Harry quebrou o silêncio com um leve toque no ombro de Louis.
— Olha, eu sei que às vezes as coisas não são fáceis, e que, bem... talvez eu não entenda tudo o que você sente. Mas eu quero estar ao seu lado. Quero que você saiba que pode contar comigo. Sempre.
As palavras de Harry o tocaram de uma forma profunda. Louis sentiu que, mesmo sem dizer tudo o que sentia, algo em Harry compreendia. Ele sorriu, quase sem saber o que responder, apenas grato por ter alguém como ele em sua vida.
— Obrigado, Harry... sério — murmurou, sua voz embargada de emoção. — Eu... nunca tive um amigo assim antes.
Harry segurou sua mão de leve, seus dedos quentes contra os de Louis.
— Então vamos fazer uma promessa? — Harry perguntou, o olhar fixo no de Louis. — Que, aconteça o que acontecer, nós sempre vamos estar um ao lado do outro?
Louis assentiu, sorrindo.
— Promessa — respondeu, com um brilho nos olhos que refletia a promessa silenciosa entre eles.
Os dois se olharam por um instante que pareceu durar uma eternidade. Louis sabia que aquele momento era único, e que, com Harry, ele finalmente encontrava algo que nunca pensou que teria: alguém em quem confiar de verdade.
O silêncio pairava na sala abandonada da academia, e Louis, surpreso, encarou Edward ao vê-lo entrar. Ele não esperava que o outro gêmeo fosse aparecer, especialmente não ali, naquele momento tão tranquilo ao lado de Harry. Edward parou por um instante, a expressão ligeiramente surpresa ao ver os dois juntos.
— Harry — Edward disse, com um breve aceno de cabeça. — Achei que encontraria Louis aqui. Você saiu tão cedo que… pensei em trazer isso para ele.
Edward segurava em sua mão uma pequena tigela com pudim, o cheiro doce invadindo o ar. Louis piscou, seus olhos brilhando em surpresa e prazer.
— Isso é… pudim? — Louis perguntou, quase sem acreditar.
Edward sorriu, um sorriso um tanto contido, mas que transmitia uma leveza rara em seu rosto habitualmente sério.
— Sim, é. Sei que você adora. — Ele estendeu o pudim para Louis, que aceitou o presente com cuidado, como se fosse algo precioso.
Louis olhou para o doce com adoração, seus olhos brilhando de alegria. Ele sorriu de orelha a orelha, tomando a colher e saboreando a primeira colherada com tanto prazer que, por um momento, os dois alfas apenas ficaram olhando para ele, encantados pela simplicidade daquele momento.
— Querem? — Louis ofereceu, tentando dividir a sobremesa com os dois.
— Não, Lou, esse é todo seu — respondeu Edward, com um aceno firme. Ele mantinha o olhar fixo em Louis, o tom de sua voz deixando claro o quanto se importava.
— É, aproveite — Harry concordou, sorrindo para Louis e cruzando os braços, também recusando.
Louis deu mais uma colherada, sentindo a doçura invadir seu paladar, e deu um sorriso de puro contentamento, sentindo-se acolhido e especial ao estar ali, entre os dois irmãos que pareciam tão distintos. Ele comia devagar, observando de canto de olho como os gêmeos se entreolhavam, ambos silenciosos e de expressões sérias. Era como se, de repente, um impasse se instalasse no ar, uma tensão leve, mas impossível de ignorar.
Edward, então, quebrou o silêncio.
— Louis, você sabe que tem gente que se preocupa com você, certo? — Ele falou com a voz firme, mas os olhos suaves. — Gente que quer te ver bem.
Louis o olhou, surpreso pela seriedade daquelas palavras.
— Eu... eu sei. Obrigado, Edward — respondeu Louis, sentindo o coração aquecer com o carinho evidente nas palavras do alfa.
Harry observava tudo atentamente, sua expressão séria, mas o olhar cheio de algo que parecia muito próximo de admiração e talvez… receio? Era como se ele, também, quisesse dizer algo, mas hesitasse em interromper.
Edward continuou, seu tom de voz baixo, mas cheio de intensidade.
— E... espero que você saiba que estou aqui se precisar de qualquer coisa. Não é só o Harry que se importa, sabe? Eu também estou aqui.
Louis sentiu seu rosto esquentar, uma timidez inesperada o invadindo. Era raro ver Edward tão aberto, e isso o fez questionar o que realmente se passava nos pensamentos do alfa.
Harry finalmente se pronunciou, rompendo o silêncio que ameaçava se estender.
— Bem, parece que você está bem servido de amigos, Lou. — Harry sorriu, mas o sorriso trazia uma sombra de algo mais. — Só espero que você escolha bem, no fim das contas. O que quer que decida.
Edward olhou para o irmão, uma faísca de desafio atravessando o olhar. Era evidente que, mesmo sem palavras, os dois entendiam que algo profundo estava em jogo. Ambos queriam mais de Louis, cada um de um jeito diferente, mas com a mesma intensidade.
Louis abaixou a cabeça, sentindo o peso daquele momento. Ele nunca imaginou que estaria ali, entre dois corações tão distintos e ao mesmo tempo tão conectados. Seu coração acelerava, sentindo-se dividido entre a gentileza de Harry e a proteção silenciosa de Edward.
Ele respirou fundo, deixando o silêncio falar por ele. Talvez não fosse a hora de escolher, talvez seu coração ainda precisasse de tempo para compreender tudo que estava sentindo. O pudim havia acabado, mas os sentimentos confusos dentro de si ainda o acompanhariam por muito tempo.
Continua...
VOCÊ ESTÁ LENDO
DOIS ALFAS UMA BARRIGA DE ALUGUEL [CONCLUÍDO]
Fiksi PenggemarLouis Tomlinson busca recomeçar a sua vida e decide ser barriga de aluguel. Harry um policial e Edward um bombeiro buscam um filho, e se? Uma fic Larry Original
![DOIS ALFAS UMA BARRIGA DE ALUGUEL [CONCLUÍDO]](https://img.wattpad.com/cover/380295994-64-k246524.jpg)