🍁CAPÍTULO 34🍁

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🍁Edward

As semanas que se seguiram à internação de Harry foram uma montanha-russa de emoções. Papai, mamãe e Niall ficaram conosco por um tempo, ajudando como podiam, mas eventualmente tiveram que voltar às suas vidas. Quando eles foram embora, o peso de cuidar de Harry caiu completamente sobre meus ombros.

Ele estava seguindo o tratamento psicológico e psiquiátrico recomendado, mas, para mim, parecia que nenhum progresso real estava sendo feito. Ele estava definhando diante dos meus olhos, como uma sombra do irmão que eu conhecia. Mesmo assim, insistia em trabalhar como bombeiro. Eu sabia que isso era bom até certo ponto, mantinha sua mente ocupada, mas a preocupação nunca me deixava.

Era tarde da noite, e eu estava no meu quarto. O apartamento estava silencioso, exceto pelo som do ventilador girando preguiçosamente no teto. Na tela do meu notebook, os dados de Louis piscavam em um arquivo que eu havia puxado do sistema policial. Eu tinha ultrapassado alguns limites éticos para encontrá-lo, mas não me importava. Louis era um elo importante nessa corrente que mantinha Harry preso.

Agora eu sabia onde ele estava, o que fazia, toda a sua rotina. Ele trabalhava em um bar noturno em um dos bairros mais perigosos da cidade. O mesmo tipo de lugar onde Harry provavelmente tinha se afundado anos atrás.

— Você acha que pode fugir de mim, não é? — murmurei para a tela, como se Louis pudesse me ouvir.

Fechei o notebook com um suspiro e me encostei na cadeira, olhando para o teto. As emoções estavam em guerra dentro de mim: raiva, frustração, impotência. Eu queria confrontá-lo, queria exigir que ele ficasse longe de Harry, eu não sabia o que poderia acontecer se Harry soubesse que ele estava tão perto, ele poderia piorar tudo em relação a Harry, ele era um usuário de drogas e isso poderia levar meu irmão pelo mesmo caminho, mas eu não iria deixar. Mas antes eu precisava saber o que Harry ainda sentia por aquela memória de ômega.

Na sala, ouvi passos leves. Levantei-me e fui até lá, encontrando Harry sentado no sofá, olhando para a TV desligada. Ele estava pálido, com olheiras profundas, vestia apenas uma cueca box.

— Não conseguiu dormir? — perguntei, sentando ao lado dele.

— Não. — Ele balançou a cabeça, sem olhar para mim. — Tenho pesadelos. Todas as noites.

— Sobre o hospital?

Ele hesitou antes de responder.

— Sobre ela. Sobre o que perdi. E, às vezes, sobre o que eu fiz comigo mesmo.

Fiquei em silêncio, deixando que ele continuasse. Era raro Harry se abrir, e eu sabia que pressioná-lo só o faria se fechar novamente.

— Eu sinto que estou preso, Ed. Como se estivesse numa sala sem portas ou janelas. Nada do que faço parece funcionar. Nem o trabalho, nem a terapia.

— É um processo, Harry. Eu sei que parece que nada está mudando, mas você está tentando. Isso é o que importa.

Ele riu, um som amargo que me cortou por dentro.

— Tentar não é suficiente. Eu vejo isso no seu rosto. Você tá cansado. Tá esgotado de ter que lidar comigo.

— Não diga isso — retruquei, firme. — Você é meu irmão. Não importa o quão difícil seja, eu tô aqui pra você. Sempre estarei.

Ele finalmente me olhou, e, por um momento, vi algo nos olhos dele que não via há muito tempo: esperança, por menor que fosse.

— Obrigado, Ed.

Dei um leve sorriso, tentando não deixar a emoção transparecer.

— Vai ficar tudo bem, Harry. Um dia de cada vez, certo?

DOIS ALFAS UMA BARRIGA DE ALUGUEL [CONCLUÍDO]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora