🍁CAPÍTULO 40🍁

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O amanhecer trouxe um céu acinzentado, ainda resquício da tempestade que assolara a noite anterior. Louis mal havia dormido. Mesmo com o cansaço tomando conta de seu corpo, ele sentia uma inquietação constante. Após se vestir rapidamente, ele caminhou pela casa, inspecionando cada janela, cada tranca, e finalmente a velha porta da cozinha, cujos danos agora eram ainda mais visíveis sob a luz do dia.

- Isso não pode continuar assim. - murmurou para si mesmo, correndo os dedos pela madeira desgastada.

Ele respirou fundo, tentando afastar o medo que ainda pulsava em seu peito. Pegando sua mochila e a chave, ele saiu, fechando a porta com cuidado e a verificando duas vezes antes de partir. Enquanto caminhava até o ponto de ônibus, seus olhos se moviam constantemente, como se esperassem encontrar algo - ou alguém - escondido nas sombras.

Louis sabia que precisava fazer algo a respeito da segurança da casa, mas também sabia que contar a Liam não era uma opção. O amigo já tinha preocupações demais com sua mãe, e Louis não queria ser um fardo adicional. Ele resolveria isso sozinho.

No ônibus, ele pesquisou rapidamente no celular sobre preços de portas reforçadas. Cada modelo parecia mais caro que o outro, e a realidade de seu orçamento apertado trouxe uma sensação de desânimo.

- Vou dar um jeito. Sempre dou. - pensou, tentando se convencer.

Assim que chegou ao restaurante, Louis foi direto para seu posto na pia, onde as louças sujas de um café da manhã rápido já se acumulavam. A água quente correndo pelo metal ajudava a acalmar um pouco sua mente, mas ele ainda sentia os ombros tensos, como se algo pudesse acontecer a qualquer momento.

Jorge, o dono e chefe do restaurante, entrou na cozinha, verificando o estoque e organizando o início do turno.

- Louis, tudo certo por aqui? - perguntou, enquanto pegava uma lista de suprimentos.

- Sim, senhor. Estou terminando essa pilha de louça. - respondeu rapidamente, evitando contato visual.

Jorge notou o tom de voz de Louis, mas decidiu não insistir. Ele era bom em respeitar os limites de seus funcionários, mas Louis parecia mais calado que o normal naquela manhã.

Enquanto lavava pratos e utensílios, Louis começou a planejar mentalmente como dividir o próximo salário para cobrir as despesas e juntar o suficiente para as portas novas. Não era apenas um gasto: era uma necessidade. Ele precisava de um lugar onde pudesse se sentir seguro, mesmo estando sozinho.

Na hora do intervalo, Louis se sentou em uma das mesas dos fundos, longe do movimento do salão. Ele tomou um gole de café, mas sua mente estava em outro lugar. A imagem da maçaneta girando na noite anterior não saía de sua cabeça. Sentia o frio na espinha toda vez que lembrava do som dos golpes contra a madeira.

- Ei, Louis! Tudo bem? - a voz de um colega, Marco, o tirou de seus pensamentos.

- Ah, sim... tudo bem. Só um pouco cansado. - Louis tentou sorrir, mas Marco percebeu a expressão carregada.

- Se precisar de algo, sabe que pode contar comigo, certo? - Marco deu um tapinha no ombro de Louis antes de sair, respeitando seu espaço.

Depois do intervalo, o restaurante abriu para o público, e Louis foi engolido pela rotina agitada. A correria do horário de almoço o manteve ocupado, mas mesmo assim ele não conseguia deixar de olhar para a porta de entrada cada vez que ela se abria, seus olhos buscando instintivamente sinais de perigo. O incidente da noite anterior o deixara em estado de alerta constante.

No final do turno, enquanto limpava a última pilha de louças, Jorge se aproximou novamente.

- Louis, se precisar de folga ou algum ajuste no horário, é só me avisar. Você parece esgotado.

DOIS ALFAS UMA BARRIGA DE ALUGUEL [CONCLUÍDO]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora