🍁CAPÍTULO 32🍁

687 76 3
                                        

🍁 Edward

Era hora do almoço quando eu voltava para casa, exausto após um plantão desgastante na delegacia. A noite havia sido um caos. Entre homicídios para desvendar, pilhas de papelada acumulada e a necessidade de fazer policiamento ostensivo, minha mente estava no limite. Minha única vontade era chegar ao meu apartamento e descansar um pouco, mas nem sempre a vida segue o roteiro que desejamos.

Morava com meu irmão gêmeo, Harry, em um bom apartamento próximo ao centro de Londres. Embora a vida de policial fosse cheia de perigos, eu gostava do conforto de casa, um espaço que dividíamos com harmonia há anos. Harry era tudo para mim, o único vínculo real que me mantinha equilibrado em meio à violência que via diariamente.

Quando estacionei o carro e entrei no elevador, senti um peso no peito. Não sabia dizer se era cansaço ou aquela intuição que só gêmeos têm. Algo estava errado. Ao chegar ao nosso andar, destranquei a porta e entrei, chamando pelo meu irmão:

— Harry?

Silêncio.

Deixei a sacola de compras sobre a mesa e fui direto ao quarto dele. Bati na porta, mas não houve resposta. Apesar disso, sentia que ele estava em casa. Era como se a conexão entre nós confirmasse sua presença. O que me intrigava era o cheiro estranho que começava a impregnar o ambiente. Uma mistura pesada de ervas queimadas.

"Não pode ser o que estou pensando", murmurei para mim mesmo.

Bati na porta novamente, desta vez com mais força.

— Harry, abre essa porta agora!

Ouvi o som de trancas sendo destravadas, e a porta se abriu lentamente. Ele apareceu na minha frente com os olhos avermelhados, a expressão apática. Meu coração gelou.

— O que é isso, Harry? — perguntei, já sabendo a resposta, mas ainda assim esperando que ele me desmentisse.

— Não é nada, Ed. Relaxa.

Entrei no quarto sem pedir permissão. O cheiro era quase insuportável, e a cinza em um cinzeiro na escrivaninha não deixava dúvidas. Peguei o objeto e o joguei na lata de lixo.

— Você voltou a usar drogas? Depois de tudo? Depois de tudo que passamos?

Harry suspirou, visivelmente irritado.

— Não faz drama, Edward. Não é nada demais.

— Nada demais? — gritei, incapaz de controlar a indignação. — Você sabe o que isso fez com a sua vida no passado! Sabe o que isso fez com nossa vida!

Ele revirou os olhos e cruzou os braços.

— Eu tô bem. Não é como se eu fosse me destruir de novo, ok?

— Não é assim que funciona, Harry! Você ficou anos lutando pra sair disso. Como pode jogar tudo fora?

— Você não entende — ele rebateu, a voz subindo. — Minha namorada usa. Ela me apresentou de novo, e é só de vez em quando.

— Namorada? — perguntei, incrédulo. — Quem é essa mulher que acha que é normal te arrastar pra esse buraco de novo?

Harry estreitou os olhos, desafiador.

— Ela é diferente, Ed. Você nem a conhece, então não tem o direito de julgar.

Meu sangue ferveu.

— Diferente? Ela está te arrastando de volta pro inferno, Harry! Se você acha que vou ficar parado assistindo enquanto você joga a sua vida fora, está muito enganado!

— Eu não preciso da sua permissão pra nada! Você acha que pode mandar em mim só porque é policial?

— Não é sobre ser policial! — rebati, furioso. — É sobre ser seu irmão. É sobre cuidar de você porque eu me importo!

DOIS ALFAS UMA BARRIGA DE ALUGUEL [CONCLUÍDO]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora