🍁CAPÍTULO 53🍁

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As semanas haviam se desenrolado como um período de calmaria improvável, quase como um intervalo silencioso entre as tempestades. Louis agora vivia conosco, e aos poucos, a presença dele trouxe um tipo de equilíbrio inesperado ao apartamento. Harry, para meu alívio, melhorara visivelmente. O tratamento contra os sintomas do borderline parecia estar surtindo efeito: ele estava mais calmo, mais centrado, e as crises haviam se tornado raras. Ver ele e Louis trocando piadas e pequenos desafios no dia a dia era quase surreal, como se estivéssemos finalmente encontrando um ritmo em meio ao caos que eu havia criado.

Mas a vida nunca permite que o equilíbrio dure tempo demais. Minha licença havia terminado, e eu precisara retornar ao meu trabalho na delegacia. Agora, sentado em minha sala abafada, as paredes repletas de quadros de investigação, eu me encontrava novamente mergulhado no peso do meu ofício. Voltar para lidar com crimes, especialmente os que envolviam crianças, era uma tarefa que consumia cada fresta de luz que eu carregava dentro de mim.

O relógio digital na parede marcava 14h23 quando uma batida na porta trouxe-me de volta dos arquivos e fotografias que estavam sobre a mesa. Levantei o olhar cansado e vi Megan, uma das minhas colegas, segurando uma pasta grossa em mãos.

— Caso novo, Edward. — A voz dela soou séria, firme. Ela entrou sem esperar convite, largando a pasta sobre minha mesa. — Duas crianças desaparecidas na última semana. Última vez que foram vistas foi saindo da escola, por volta das 16h. Os pais estão desesperados.

Minhas mãos pesadas repousaram sobre o arquivo por um momento antes de abri-lo. O som do papel sendo folheado ecoou no silêncio pesado da sala. As fotos me encararam como fantasmas: duas crianças, um garoto de 10 anos e uma menina de 8, sorriam em retratos escolares. Inocência congelada no tempo.

— Alguma pista? — Minha voz saiu mais grave do que eu gostaria.

— Pouca coisa. As câmeras de segurança da escola estavam desativadas naquele dia, um detalhe suspeito. Há um relato de uma van branca circulando perto da escola, mas nenhuma placa foi identificada.

Suspirei, sentindo o peso daquele caso se agarrar aos meus ombros. Casos com crianças eram os piores. Eram como punhais invisíveis, atravessando qualquer barreira emocional que tentávamos construir. Fechei o arquivo e me levantei, passando as mãos pelo rosto, tentando dissipar a névoa de cansaço que começava a tomar conta.

— Vou até o local, falar com os pais e os vizinhos. Quero que alguém rastreie qualquer veículo que tenha sido registrado naquela área nos últimos sete dias. Se encontrarmos essa van branca, temos um ponto de partida. — Minha voz saiu firme, decidida. Megan assentiu, já acostumada à minha postura metódica e direta.

Peguei meu casaco e saí da sala. A delegacia estava movimentada como sempre, mas o burburinho não me afetava mais como antes. Era como se, ao longo dos anos, eu tivesse desenvolvido uma armadura contra a agitação e o caos daquele lugar.

Ao entrar no carro, deixei o motor ronronar por um instante, respirando fundo. Por mais que eu tentasse, não conseguia evitar pensar em Louis e nos bebês. Ver aquelas crianças desaparecidas e pensar que alguém poderia ser capaz de ferir um ser tão inocente me trazia um gosto amargo na boca. Eu sabia que parte de mim carregava culpas demais, mas outra parte estava pronta para qualquer coisa para proteger aqueles que amava.

Segui em direção ao bairro onde as crianças haviam sido vistas pela última vez. Ao longo do caminho, revisei o caso mentalmente. Dois irmãos. Família de classe média, pais trabalhadores, nenhuma suspeita interna. Desaparecimento sem vestígios era sempre um indicador perigoso. Algo naquela história não se encaixava.

Ao chegar à casa da família, o cenário era o esperado: uma casa modesta, cortinas fechadas, e um silêncio quase sepulcral pairando no ar. A mãe das crianças, uma mulher de olhos fundos e pálidos, abriu a porta com mãos trêmulas.

DOIS ALFAS UMA BARRIGA DE ALUGUEL [CONCLUÍDO]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora