🍁CAPÍTULO 77🍁

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Os alfas haviam partido para o esconderijo do monstro e agora o vento uivava como almas perdidas, fazendo as janelas da casa de Liam tremerem em suas molduras. Relâmpagos rasgavam o céu, iluminando os cômodos por frações de segundo, enquanto a chuva caía em torrentes, um coro violento que ecoava pelo telhado de madeira. O calor de meus bebês nos braços deveria ser suficiente para acalmar meu coração, mas a sensação de agonia que pesava em meu peito parecia viva — uma presença sufocante e constante.

O barulho de um trovão ensurdecedor fez-me estremecer, mas os meninos continuavam dormindo, alheios ao caos lá fora. Seus rostinhos pequenos e serenos eram um contraste tão doloroso com a tempestade que rugia além das paredes. Passei a mão levemente sobre as testas delicadas de Davi e Nicolas, tentando buscar conforto no toque macio, mas o medo pelas vidas de Edward, Harry e os outros me consumia por dentro como fogo.

Mary, sentada ao meu lado, lia calmamente um livro de orações, sua presença tranquila tentando ser uma âncora na tempestade emocional que me envolvia. Mas até mesmo ela, uma mulher de fé, lançava olhares preocupados para as janelas tremulantes e para as sombras dançantes nas paredes.

De repente, a porta da frente se abriu com um estalo forte, e eu quase gritei. Era Niall, encharcado, segurando duas sacolas de compras, o rosto sério como eu nunca havia visto.

— O que aconteceu? — perguntei, a voz quase não saindo. — Você está bem?

Ele fechou a porta rapidamente, trancando-a com uma força que falava mais do que suas palavras. Colocou as sacolas no chão, ignorando-as por completo.

— Londres está um caos, Lou. Nunca vi nada assim — disse ele, ofegante. — Árvores caídas, ruas alagadas. O vento está tão forte que parece querer arrancar as casas do chão. As pessoas estão assustadas. É como se a cidade inteira estivesse sob ataque.

Minhas mãos apertaram os bebês instintivamente, e meus olhos encontraram os de Niall, que refletiam a mesma apreensão que eu sentia. Meu coração disparou.

— Eles estão lá fora — sussurrei. — Edward, Harry, todos eles... no meio dessa tempestade.

Niall assentiu, passando a mão pelos cabelos encharcados. — Eu sei. — Sua voz era baixa, mas carregada de preocupação. — Mas eles são fortes, Lou. Eles sabem o que estão fazendo. Eles voltarão para nós.

Mary levantou-se, indo até a janela para espiar entre as cortinas. — Esta tempestade não é natural — disse ela suavemente, suas palavras enviando um calafrio pela minha espinha. — Algo maligno a acompanha. Sinto isso no ar, como um peso... como uma presença.

De repente, as luzes piscaram. Uma, duas, três vezes, até mergulharem a casa na escuridão total. A escuridão era absoluta, um manto sufocante que parecia ter vida própria. Senti um arrepio percorrer minha espinha quando o silêncio foi quebrado por um som estranho — um farfalhar suave, quase imperceptível, vindo de algum lugar dentro da casa.

— Niall... — Minha voz era apenas um fio de som. — Você ouviu isso?

Ele congelou ao meu lado, os olhos arregalados, os ouvidos atentos. O farfalhar se repetiu, mais alto desta vez, como se algo estivesse se movendo nas sombras, observando, esperando. Segurei os bebês mais perto de mim, o coração batendo como tambores de guerra.

— Fique aqui — Niall murmurou, pegando uma faca de cozinha que ele havia tirado de uma das sacolas.

Ele começou a andar pela casa, os pés descalços fazendo o mínimo de ruído possível. Mary voltou para o meu lado, segurando meu braço com força, suas orações agora murmuradas como uma melodia frágil e desesperada. O farfalhar se transformou em um som mais claro — passos leves e arrastados.

DOIS ALFAS UMA BARRIGA DE ALUGUEL [CONCLUÍDO]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora