Capítulo 10 : As Sombras de Um Novo Dia

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–O choro de quem já me feriu, não me comove, senhor - murmúrio harry

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–O choro de quem já me feriu, não me comove, senhor - murmúrio harry



Acordei com o som suave da lareira crepitando, acompanhado do ranger sutil da porta. Quando a vi se abrir, Tom entrou com sua postura habitual de calma controlada.

— Você acordou! Está melhor? — perguntou, se aproximando devagar.

— Um p...ouco. — Minha garganta estava péssima, quase me impedindo de falar. Ele percebeu e, com um movimento simples da varinha, conjurou um copo de água, ajudando-me a tomá-lo com cuidado. — Obrigado.

Ainda era estranho esse tipo de interação. O Tom ali na minha frente ainda me lembrava o maldito diário, e esse pensamento me fazia mal. Toda essa situação havia forçado uma ligação bizarra entre nós. Mas o que ele realmente pensava sobre mim? Uma ferramenta? Um inimigo tolerado? Era impossível saber.

— Você mencionou antes de dormir algo sobre sua cicatriz... Pode me contar mais? — Sua voz soava cansada, mas sua curiosidade era inegável. Seus olhos vermelhos brilhavam sob a luz das chamas. Por mais sinistros que fossem, havia algo hipnotizante neles. Se eu fosse um colecionador...

Desviei o olhar, envergonhado.
— Posso, mas... tô com fome.

Tom riu, o som quebrando a tensão do momento. Ele convocou um elfo doméstico e ordenou que trouxesse jantar para mim. Não demorou até que o aroma de comida invadisse o ambiente. Enquanto isso, resolvi provocar.

— Ano passado, quando você estava mais louco e torturava seus seguidores fiéis... — comecei num tom debochado, vendo a expressão dele endurecer. — Eu via tudo. Sua raiva com Rabicho por deixar escapar nossa localização na Casa dos Gritos... sua irritação com Lúcio, Bellatrix... Era, de certa forma, fascinante assistir.

Tom arqueou uma sobrancelha, inclinando-se para frente.
— Você conseguia... ver? Como visões?

— Sim. Sempre eram reuniões tardias, e muitas vezes eu já estava dormindo. Mas, mesmo acordado, era como se sua raiva me puxasse para você. Eu entrava em transe, via você torturando, xingando... — Suspirei, lembrando. — Às vezes era como se eu fosse um fantasma. Invisível. Só que, na maioria das vezes, você me achava. Me ameaçava. E me expulsava.

Sobre Lados - TomarryHistórias para pegar e não largar. Descubra agora