Alvo Dumbledore não esperava que seu castelo de ouro cairia tão rapidamente. Para ele, Harry Potter não tinha ninguém que se importasse em ajudá-lo.
Acho que o pobre Alvo Dumbledore não esperava que seu salvador teria ajuda de quem ele menos esperav...
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Quando ele volta, volta sentindo saudade do corpo dela, mas não dela - jamais dela.
—autorretrato.—
Harry se sentia estranho. Perdido, mas inexplicavelmente feliz. O mundo ao seu redor parecia ondular de leve, como se tudo estivesse em perfeita sintonia com o prazer que latejava em sua mente. Ele ria — ria até mesmo do movimento preguiçoso das páginas de um livro sobre a mesa, como se aquele simples gesto carregasse um segredo hilário que só ele pudesse entender.
Duas taças de vinho forte e encorpado descansavam ao seu lado, os últimos resquícios de um sabor que ele aprendera a apreciar rápido demais. Era fascinante como o líquido dançava no fundo do cristal, tingindo a luz de vermelho sangue.
—Vocês são tão possessivos, sabiam disso?– brincou, pegando a taça mais próxima e girando o vinho antes de levá-lo aos lábios. Seu olhar faiscou ao notar a atenção dos dois à sua volta.
Os dedos de Harry roçaram um medalhão frio e pesado, que brilhou de forma inesperada ao contato. A energia do objeto fez sua pele formigar. Havia algo ali… algo antigo e vivo, espreitando por trás do metal.
Foi então que ele percebeu a presença à sua frente.
Uma figura alta, envolta em vestes negras e elegantes, surgiu como se fosse uma sombra materializada. Tomás. Seu rosto era uma obra de arte esculpida em sombras e segredos, belo de um jeito quase cruel. Os olhos, fundos e indecifráveis, pareciam dissecar cada nuance da cena.
Harry piscou devagar, seus lábios se curvando num sorriso torto.
—Uau… Você sempre foi assim, tão… gostoso?
O comentário escapou antes que ele pudesse pensar melhor. O vinho, definitivamente, estava soltando sua língua.
Atrás dele, os outros dois soltaram uma risada abafada, mas Tomás permaneceu imóvel. Seu olhar se cravou em Harry como se estivesse analisando algo precioso e inesperado.
Então, um sorriso malicioso nasceu no canto de seus lábios.
—Interessante.—Sua voz era rouca, carregada de um peso antigo.- Muito prazer, Tomás.
Harry abriu a boca para responder, mas sua mente tropeçou em seus próprios sobrenomes. —Muito prazer, Harry Potter-Black-Pev—”Ele parou, franzindo a testa. Havia mais um. Qual era mesmo? Ah, dane-se.
Tomás riu. O som foi baixo, arrastado, como um sussurro que prometia perigos e mistérios.
—Ele tem o sobrenome Mortin,–murmurou um dos que observavam, sua voz tingida de algo quase reverente.
Harry estreitou os olhos. –E…?
—E ele é um necromante.
O ar ao redor pareceu mudar. O silêncio que se seguiu era denso, carregado de significados não ditos.